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EUA retiram as últimas tropas do Iraque depois de 23 anos, e milícias ligadas ao Irã comemoram a saída

O Comando Central americano deixou a base aérea de Erbil na quarta-feira (30); o Iraque decretou dois dias de feriado, enquanto milícias pró-Irã se recusam a entregar as armas.

Redação Brazuca News 01 de October de 2026, 11:11 1 visualizações
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EUA retiram as últimas tropas do Iraque depois de 23 anos, e milícias ligadas ao Irã comemoram a saída
Foto: Pixabay / Pexels License

Os Estados Unidos concluíram na quarta-feira (30) a retirada de suas tropas do Iraque, 23 anos depois da invasão que derrubou Saddam Hussein. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que os últimos militares deixaram a base aérea de Erbil, na Região do Curdistão iraquiano, último posto americano no país.

A saída acontece em meio à guerra entre os EUA e o Irã, país vizinho que há anos pressionava o governo iraquiano a expulsar as forças americanas. Milícias ligadas a Teerã comemoraram a retirada como vitória própria.

A última base

Os militares americanos já tinham deixado a maior parte do Iraque no início deste ano, mas mantinham cerca de 1.500 pessoas na Região do Curdistão, incluindo a capital regional, Erbil, segundo a NPR. Com a saída, a coalizão contra o Estado Islâmico, que tinha sede no Iraque, passa a operar a partir da Jordânia, e os EUA seguem com operações antiterrorismo na Síria.

A retirada foi acertada em 2024 entre o governo iraquiano e o governo de Joe Biden, e o governo de Donald Trump manteve o plano, de acordo com a CNN.

O que disseram Washington e Bagdá?

Trump chamou a retirada de vitória para os dois países e escreveu nas redes sociais que ela "marca o fim de uma excursão muito cara ao inferno".

O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, disse em nota que o marco "reflete o sucesso de uma campanha de 12 anos que derrotou o Estado Islâmico como ameaça militar organizada" e que a responsabilidade pelos desafios de segurança restantes agora é do governo iraquiano.

Em Bagdá, uma cerimônia fechada à imprensa marcou o fim da missão no antigo centro de comando conjunto, em frente à Embaixada dos EUA. O primeiro-ministro Ali al-Zaidi falou em "uma nova fase, marcada pela soberania do Iraque". O governo decretou dois dias de feriado e batizou a quarta-feira de "dia da soberania".

"Estamos passando de um trabalho sob o guarda-chuva da coalizão para uma relação de igual para igual", disse à NPR o porta-voz do comandante das Forças Armadas iraquianas, Sabah al-Numan, que afirmou que o Iraque estuda acordos militares bilaterais com os EUA.

Milícias pró-Irã celebram e não entregam as armas.

A milícia As'hab Al-Kahf, apoiada pelo Irã, parabenizou os iraquianos pelo que chamou de retirada humilhante do ocupante americano. Um comandante do grupo Harakat al-Nujaba, que os EUA classificam como organização terrorista, disse à CNN, sob anonimato, que a exigência de desarmamento é uma pressão americana, ocidental e dos países do Golfo para enfraquecer o Iraque.

Al-Zaidi tinha se comprometido, em reunião com Trump na Casa Branca em julho, a desarmar as milícias até 30 de setembro. O prazo venceu sem o desarmamento, e o premiê pediu extensão até junho do ano que vem. O secretário de Estado, Marco Rubio, disse na semana passada que o governo americano sabe do compromisso de Al-Zaidi com o processo, sem confirmar publicamente a nova data. Três das milícias mais poderosas afirmam que não entregam as armas enquanto o Iraque estiver vulnerável.

"É uma tarefa praticamente impossível desarmar esses grupos rapidamente", afirmou à CNN Lahib Higel, vice-diretora do programa de Oriente Médio e Norte da África do International Crisis Group.

O que isso tem a ver com a gasolina?

Os ataques a bases e militares americanos aumentaram neste ano, depois que Trump iniciou a guerra contra o Irã, que matou o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, segundo a CNN. Neste mês, grupos iraquianos leais ao Irã lançaram drones contra um oleoduto vital da Arábia Saudita, o que afetou a oferta global de petróleo e fez os preços dispararem. Com as milícias ainda armadas e a guerra em curso, a região segue como fator de risco para o preço do combustível nos EUA.

Curdos temem ficar expostos.

Líderes curdos, aliados próximos dos EUA, demonstram preocupação de que a saída os deixe vulneráveis a ataques do Irã e de milícias iraquianas pró-Irã. Al-Numan disse que o Exército iraquiano não deixará a região sem defesa e que o país negocia a compra de sistemas antiaéreos da Coreia do Sul, da Turquia e dos EUA para se proteger de mísseis e drones.

O Estado Islâmico também não desapareceu. No domingo, forças especiais iraquianas disseram ter matado dois homens-bomba em Alton Kupri, perto de Kirkuk, antes que detonassem os explosivos; um civil morreu. O Iraque criou duas brigadas conjuntas de iraquianos e curdos para combater o grupo.

Turquia também negocia saída.

O Iraque abriu conversas com a Turquia para fechar as bases militares turcas em seu território. Os dois países anunciaram na semana passada que a Turquia começará a deixar gradualmente a base de Bashiqa-Zilkan, perto de Mossul. Segundo os militares iraquianos, a Turquia mantém cinco grandes bases e quase cem postos menores no Iraque.

23 anos de presença.

No auge, os EUA tiveram 170 mil soldados no Iraque, antes de o governo de Barack Obama retirar as tropas em 2011. Em 2014, cerca de 5 mil militares voltaram a pedido de Bagdá para enfrentar o Estado Islâmico, que tinha tomado cerca de um terço do país. Desde dezembro de 2021, os EUA mantinham perto de 2.500 soldados em missão de assessoria e treinamento.

A estimativa mais conservadora de civis iraquianos mortos desde a invasão, da organização britânica Iraq Body Count, é de pelo menos 200 mil.

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