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Moradia

Entrega de moradia nova nos EUA cai 27% em um ano, e construtoras relatam trabalhador legal faltando ao canteiro

O Censo americano contabilizou 1,128 milhão de unidades concluídas em agosto, 27,1% abaixo de agosto de 2025. A confiança do construtor caiu para 32, o menor nível em um ano.

Redação Brazuca News 17 de September de 2026, 21:17 1 visualizações
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Entrega de moradia nova nos EUA cai 27% em um ano, e construtoras relatam trabalhador legal faltando ao canteiro
Foto: D Goug / Pexels License

O número que mais pesa no relatório de construção residencial divulgado nesta quinta-feira (17) pelo Censo americano não é o de obras iniciadas. É o de obras terminadas. As moradias concluídas em agosto somaram 1,128 milhão em ritmo anual ajustado, uma queda de 11,9% sobre julho e de 27,1% sobre agosto de 2025.

Casa concluída é oferta que chega ao mercado. Quando esse fluxo seca, o efeito aparece meses depois no preço de compra e na disputa por aluguel, que é onde a maior parte da comunidade brasileira sente primeiro.

Os números de agosto

As obras iniciadas ficaram em 1,275 milhão de unidades em ritmo anual, 2,6% abaixo do dado revisado de julho, de 1,309 milhão, e 1,2% abaixo do registrado em agosto do ano passado, de 1,291 milhão.

Os alvarás de construção, que antecipam o que deve sair do papel nos próximos meses, somaram 1,394 milhão, queda de 2,7% sobre julho e alta de 3,5% na comparação anual.

A casa isolada reage, o prédio de apartamento despenca.

Dentro do total, os dois segmentos foram para lados opostos. A construção de casas unifamiliares subiu 7,6% no mês, para 918 mil unidades. Já os prédios com cinco ou mais apartamentos ficaram em 344 mil unidades, com tombo de 21,7% no mês.

É justamente o segmento de apartamento que abastece o mercado de aluguel nas cidades grandes. Segundo a HousingWire, o ritmo de casas unifamiliares iniciadas entre janeiro e agosto ainda está 4,9% abaixo do mesmo período de 2025, apesar do salto de agosto.

A confiança do construtor está na mínima do ano.

O índice de confiança da Associação Nacional dos Construtores, a NAHB, caiu três pontos em setembro e foi a 32, o menor nível desde setembro de 2025. Qualquer leitura abaixo de 50 significa que há mais construtores pessimistas do que otimistas.

Os componentes internos mostram onde está o aperto: as condições atuais de venda caíram quatro pontos, para 35; a expectativa para os próximos seis meses recuou seis pontos, para 37; e o tráfego de compradores em visitação ficou parado em 23. Por região, a média móvel de três meses ficou em 44 no Meio-Oeste, 39 no Nordeste, 31 no Sul e 28 no Oeste, região que inclui Colorado e Washington.

Falta trabalhador na obra, e a fiscalização entrou na conta.

O presidente da NAHB, Bill Owens, atribuiu o desânimo principalmente ao custo do financiamento. “O tráfego de compradores enfraqueceu em boa parte do país, em grande medida por causa da alta das taxas de financiamento imobiliário”, disse.

No mesmo comunicado, a entidade acrescentou um fator que não costuma aparecer em relatório de construção: em alguns mercados, segundo Owens, o aumento da fiscalização migratória está desestimulando trabalhadores legais a se apresentarem nos canteiros de obra. A construção civil é um dos setores que mais empregam imigrantes brasileiros nos Estados Unidos, e a observação da NAHB liga o clima de fiscalização diretamente à oferta de mão de obra.

O economista-chefe da associação, Robert Dietz, completou o diagnóstico: a confiança está no menor nível em um ano, “com condições de crédito apertadas e custos elevados de terreno, mão de obra e construção”. A pesquisa também registra reclamação sobre disponibilidade de lotes, classificada como ruim por 42% dos construtores e regular por outros 38%.

Desconto e incentivo viraram regra.

Com menos gente visitando o estande de vendas, a resposta das construtoras foi mexer no preço. Em setembro, 38% delas cortaram valores, contra 35% em agosto. O desconto médio ficou em 6% pelo sexto mês seguido.

Os incentivos, como assumir parte do juro do comprador ou cobrir custos de fechamento, foram usados por 66% das construtoras, ante 63% em agosto. É a maior fatia desde os 67% registrados em dezembro. Para quem está procurando casa nova, esse é o ponto prático da notícia: a margem para negociar condição, e não apenas preço de tabela, está maior do que há alguns meses.

Denver e Seattle na contramão do país.

O quadro nacional não se repete igual em todo lugar. Levantamento da Zillow, divulgado em 14 de setembro, mostra que os alvarás residenciais no país caíram 1,7% nos 12 meses encerrados em julho e estão 19,4% abaixo da linha de tendência anterior à pandemia.

Nas duas regiões que concentram a leitura do Brazuca News, o movimento foi de alta na comparação anual. Denver teve avanço de 2,4% em 12 meses, e Seattle registrou salto de 35,8%, o segundo maior entre as grandes regiões metropolitanas, atrás apenas de San Jose, na Califórnia. As quedas mais fortes ficaram em Austin, com 25,3%, San Antonio, com 24,1%, e Orlando, com 22,1%.

A ressalva vem do mesmo estudo: mesmo crescendo, Denver está 28% abaixo da tendência pré-pandemia, e Seattle, 28,1%. “Os construtores estão respondendo a um mercado mais fraco com recuo, principalmente nos lugares onde vinham construindo mais”, afirmou Kara Ng, economista sênior da Zillow.

O que os economistas projetam para 2027?

As projeções recolhidas pela HousingWire apontam continuidade da retração. Selma Hepp, da Cotality, prevê queda de 2% nas obras iniciadas em 2026 e de 4% em 2027, e descreveu a combinação de custos em alta e escassez de trabalhadores como uma tempestade perfeita. Michael Guckes, da ConstructConnect, projeta recuo de 5,9% no segmento unifamiliar em 2026.

Menos construção hoje significa menos unidades entregues em 2027 e 2028. Para quem aluga, é oferta que não chega. Para quem quer comprar, é um mercado em que negociar incentivo com a construtora pode render mais do que esperar o preço de tabela cair.

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