A taxa média da hipoteca de 30 anos nos Estados Unidos subiu para 6,76% na semana encerrada em 10 de setembro, segundo o levantamento semanal da Freddie Mac. Na semana anterior, a média era de 6,71%. É o nível mais alto desde 26 de junho de 2025, quando a taxa chegou a 6,77%, de acordo com a Associated Press.
A alta chega às vésperas da reunião do Federal Reserve, marcada para 15 e 16 de setembro, em que o mercado financeiro aposta num aumento dos juros básicos. Para quem planeja comprar a casa própria ou refinanciar, o crédito imobiliário ficou mais caro do que em qualquer semana dos últimos 14 meses.
Os números da semana
A Freddie Mac informou que o financiamento de 15 anos também subiu, de 6,04% para 6,09%. Um ano atrás, as médias eram de 6,35% no prazo de 30 anos e de 5,50% no de 15 anos.
Na comparação anual, portanto, a hipoteca de 30 anos está 0,41 ponto percentual mais cara, e a de 15 anos, 0,59 ponto.
O que empurrou a taxa para cima
A AP relaciona a alta ao rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano. Esse rendimento estava em 4,92% no meio do dia de quinta-feira (10), contra 4,77% uma semana antes e 3,97% no fim de fevereiro. É um patamar que não se via desde o fim de 2023, segundo a agência.
A AP cita como pano de fundo a guerra dos EUA com o Irã, que puxa o preço do petróleo, a inflação elevada e a preocupação com o aumento da dívida do governo americano.
Fed decide nesta quarta.
O presidente do Fed, Kevin Warsh, sinalizou que o banco central pode subir os juros na reunião de 15 e 16 de setembro, segundo a AP. Operadores de Wall Street calculavam cerca de 70% de chance de aumento, contra 61% antes.
Taxa diária já passa de 7%.
A média semanal da Freddie Mac não é o único termômetro. Segundo a Yahoo Finance, a média diária calculada pelo Mortgage News Daily chegou a 7,07% na quinta-feira (10).
Nos dados do Zillow citados pela mesma reportagem, a taxa fixa de 30 anos para compra estava em 6,64%, a de 15 anos em 6,04% e a de 30 anos do programa para veteranos (VA) em 6,20%. No refinanciamento, a taxa fixa de 30 anos marcava 6,81%, e a de 15 anos, 6,09%.
A Yahoo Finance aponta como motores da alta recente a preocupação com a inflação, o petróleo acima de US$ 100 o barril, o aumento dos preços no atacado e as tensões geopolíticas.
Pedidos de financiamento caem.
Os dados da Mortgage Bankers Association (MBA), a associação dos credores hipotecários, mostram o efeito na procura. Na semana encerrada em 4 de setembro, os pedidos de financiamento caíram 2,7% em relação à semana anterior, com ajuste sazonal, segundo o Mortgage News Daily.
Na pesquisa da MBA, a taxa contratada média de 30 anos chegou a 6,85%, ante 6,79%. Joel Kan, vice-presidente e economista-chefe adjunto da entidade, atribuiu a alta às preocupações dos investidores com a inflação e com o déficit do orçamento federal.
Refinanciamento recua, compra resiste.
O índice de refinanciamento caiu 6% na semana e está 25% abaixo do mesmo período do ano passado. A fatia dos refinanciamentos no total de pedidos baixou de 41,8% para 40,9%.
Os pedidos para compra de imóvel caíram 0,2% com ajuste sazonal e 3% sem ajuste. Na comparação com a mesma semana de 2025, porém, o índice sem ajuste está 4% acima.
FHA, jumbo e juro variável.
Segundo o Mortgage News Daily, a taxa média dos financiamentos com seguro da Federal Housing Administration (FHA), agência federal de habitação, subiu de 6,49% para 6,53%. A participação desses pedidos passou de 15,9% para 17,2% do total, enquanto a dos empréstimos garantidos pelo Departamento de Assuntos de Veteranos (VA) caiu de 13,6% para 12,0%.
Nos empréstimos jumbo, a taxa de 30 anos recuou de 6,76% para 6,74%. O juro do contrato variável 5/1 caiu de 5,94% para 5,82%, mais de um ponto abaixo da taxa fixa de 30 anos, e esses contratos responderam por 8,5% dos pedidos.
Mercado de imóveis segue travado.
A AP descreve as vendas de imóveis nos EUA como praticamente estagnadas. As vendas de imóveis usados ficaram estáveis no ano passado, no menor nível em 30 anos, e desaceleraram de novo no mês passado, segundo a agência.
A agência lembra que taxas mais altas podem acrescentar centenas de dólares à parcela mensal e reduzir o poder de compra de quem está procurando casa.
O que o comprador pode fazer
Sam Khater, economista-chefe da Freddie Mac, recomendou que o comprador compare ofertas antes de fechar o financiamento. "Quem pretende comprar deve lembrar que pesquisar a melhor taxa e pedir várias cotações pode economizar milhares de dólares", afirmou no comunicado da empresa.
Para quem já tem proposta em andamento, a semana tem duas datas a acompanhar: a reunião do Fed, em 15 e 16 de setembro, e a próxima média semanal da Freddie Mac.
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