O Partido Democrata ganhou o controle da Câmara e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de terça-feira (3). A CBS News projetou a vitória na Câmara às 22h29 (horário de Nova York) da própria noite da eleição, e a Associated Press confirmou a maioria democrática no Senado, segundo a MS NOW. A nova composição toma posse no início de janeiro de 2027 e vai dividir o poder com o presidente Donald Trump nos dois últimos anos do mandato dele.
Antes da votação, os republicanos controlavam as duas Casas por margem estreita: 218 a 214 na Câmara e 53 a 47 no Senado.
Senado: sete cadeiras viraram.
Pela contagem da NBC News, os democratas somam 54 senadores contra 44 republicanos, com duas disputas ainda abertas. O partido tomou sete cadeiras que eram republicanas:
- Texas: James Talarico venceu Ken Paxton (55,1% a 43%);
- Carolina do Norte: o ex-governador Roy Cooper derrotou Michael Whatley (58,7% a 39,1%);
- Maine: Troy Jackson tirou a cadeira de Susan Collins (53,1% a 46,8%);
- Kansas: Adam Hamilton venceu Roger Marshall (51% a 46%);
- Carolina do Sul: Annie Andrews venceu o candidato republicano (51,1% a 46,6%, pela NBC);
- Iowa: Josh Turek derrotou Ashley Hinson (50,5% a 46,4%);
- Ohio (eleição especial): Sherrod Brown venceu Jon Husted (50% a 45,2%).
No Mississippi, o democrata Scott Colom aparecia 28 votos à frente da senadora Cindy Hyde-Smith com 96% das urnas apuradas, segundo a Newsweek, e a disputa seguia indefinida. No Alasca, Mary Peltola (D) e Dan Sullivan (R) também aguardavam a contagem final.
A maioria simples dá aos democratas o comando das comissões e da pauta do Senado, mas não os 60 votos necessários para derrubar a obstrução (filibuster), como lembrou a MS NOW.
Câmara: maioria ampla e Jeffries na presidência.
Até quinta-feira (5), 43 distritos da Câmara tinham passado para os democratas e dois para os republicanos, com dezenas de disputas ainda em contagem, segundo a CBS. A emissora estimava que o partido caminhava para cerca de 256 cadeiras. O deputado Hakeem Jeffries, de Nova York, disse esperar "pelo menos 255". A maior bancada da história recente foi de 257 deputados, também democrata, em 2009.
Jeffries anunciou na quarta-feira (4) que vai concorrer à presidência da Câmara. A votação ocorre no começo de janeiro e, se eleito, ele será o primeiro negro a ocupar o cargo. Do lado republicano, o atual presidente da Casa, Mike Johnson, avisou que não vai disputar a liderança da minoria, que deve ficar entre Steve Scalise e Jim Jordan. Os democratas marcaram a eleição da sua liderança para 18 e 19 de novembro.
O redesenho de distritos feito pelos republicanos no meio da década, em estados como Texas e Flórida, deu pouco resultado: segundo a CBS, o partido estava a caminho de perder justamente os distritos que tentou conquistar. No Texas, os republicanos viraram apenas o TX-32, enquanto os democratas ganharam o TX-15 com Bobby Pulido.
O que muda para o imigrante?
A CBS avalia que o resultado trava, na prática, a agenda legislativa de Trump até 2029. Jeffries listou como prioridades reverter os cortes no Medicaid e no SNAP (o vale-alimentação) aprovados na lei orçamentária conhecida como One Big Beautiful Bill Act, retomar os créditos fiscais que barateavam o plano de saúde do Obamacare, encerrar a guerra com o Irã e derrubar tarifas de importação.
O deputado Robert Garcia, que deve presidir a Comissão de Supervisão (Oversight) da Câmara, disse que pretende investigar ações do Departamento de Segurança Interna (DHS) e do ICE, além dos negócios da família Trump e do caso Jeffrey Epstein. A Casa Branca chamou as apurações de "investigações de fachada".
Repercussão.
"O alívio está a caminho", disse o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, segundo a Newsweek. O líder da maioria republicana, John Thune, afirmou que os senadores do partido "não vão ficar parados" diante de tentativas de reverter as políticas republicanas.
A pesquisa de boca de urna da CBS mostrou a aprovação de Trump em 38%, nível que a emissora chama de historicamente baixo para um presidente em eleição de meio de mandato. Para 89% dos eleitores, o custo de vida pesou muito ou foi decisivo na escolha do voto.
Colorado e Washington.
No Colorado, o senador John Hickenlooper (D) foi reeleito; a NBC registrava 60,4% contra 35,1% de Mark Baisley com 97,4% das urnas apuradas. Em Washington, a deputada Marie Gluesenkamp Perez (D) ganhou o terceiro mandato pelo 3.º distrito, segundo a CBS.
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