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Política

Colorado decide em novembro entre imposto de renda progressivo e teto de 4,4%, e Denver vota ainda taxa para trem

A Emenda 87 troca a alíquota única de 4,4% por faixas de 3,7% a 8,4% e reduz a conta de quem ganha até US$ 1 milhão; a Proposição 136 trava o imposto em 4,4%. As cédulas começam a ser enviadas em 2 de outubro.

Redação Brazuca News 16 de September de 2026, 21:07 1 visualizações
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Colorado decide em novembro entre imposto de renda progressivo e teto de 4,4%, e Denver vota ainda taxa para trem
Foto: Andrew Patrick Photo / Pexels License

Os eleitores do Colorado vão escolher, na eleição de 3 de novembro, entre dois caminhos opostos para o imposto de renda estadual. A Emenda 87 troca a alíquota única de 4,4% por uma tabela progressiva, de 3,7% a 8,4%. A Proposição 136 faz o contrário: grava na lei um teto de 4,4% para pessoas físicas e empresas. As duas estão entre as 14 medidas estaduais da cédula, segundo levantamento do Ballotpedia publicado em 14 de setembro.

O resultado mexe no contracheque de quem mora no estado, inclusive de quem não pode votar. As faixas valem para a renda de pessoas físicas e empresas, mas só cidadãos americanos podem se registrar como eleitores. Os condados começam a mandar as cédulas pelo correio em 2 de outubro.

O que a Emenda 87 muda na tabela

A proposta nasceu como Iniciativa 195, patrocinada pela coalizão Protect Colorado's Future. Pelo texto oficial publicado pela Secretaria de Estado do Colorado, a medida altera a Taxpayer's Bill of Rights (TABOR), trecho da Constituição estadual que hoje exige que toda renda tributável seja taxada por uma única alíquota. No lugar, entram faixas por nível de renda para pessoas físicas, espólios, fundos e empresas.

A faixa mais baixa, para renda de até US$ 25.000, pagaria 3,7%. Acima de US$ 500.000 as alíquotas sobem, e a renda acima de US$ 1 milhão pagaria 8,4%, de acordo com a reportagem do Colorado Sun republicada pela rádio pública KSUT em 1º de setembro. O ganho com a venda da residência principal continua tributado em 4,4%, conforme o título oficial da medida.

O título que vai impresso na cédula informa que os impostos estaduais subiriam US$ 2,7 bilhões por ano. O dinheiro ficaria com o estado como mudança de receita aprovada pelo eleitor e seria somado ao orçamento atual de três áreas: ensino público do K-12, saúde e educação e cuidado na primeira infância.

Quanto cada faixa de renda pagaria

A Secretaria de Estado publica junto com a medida uma tabela com a média de imposto devido por faixa de renda bruta ajustada, a mesma declarada ao IRS. Pelos números oficiais, a conta cai para quem ganha até US$ 1 milhão e sobe acima disso:

  • até US$ 25.000: a média passa de US$ 59 para US$ 50, queda de US$ 9;
  • de US$ 25.001 a US$ 50.000: de US$ 751 para US$ 632, queda de US$ 119;
  • de US$ 50.001 a US$ 100.000: de US$ 1.877 para US$ 1.666, queda de US$ 210;
  • de US$ 100.001 a US$ 200.000: de US$ 4.126 para US$ 3.828, queda de US$ 298;
  • de US$ 200.001 a US$ 500.000 e de US$ 500.001 a US$ 1 milhão: queda média de US$ 325 em cada faixa;
  • de US$ 1.000.001 a US$ 2 milhões: de US$ 29.432 para US$ 34.196, alta de US$ 4.764;
  • de US$ 2.000.001 a US$ 5 milhões: de US$ 41.196 para US$ 55.110, alta de US$ 13.914.

O Colorado Sun calculou um exemplo para a renda mediana do estado, de cerca de US$ 95.000 por ano. Nesse caso, a alíquota efetiva cairia de 4,4% para 4,07%, uma economia de algumas centenas de dólares anuais.

A Proposição 136 e o teto de 4,4%

A resposta dos conservadores veio da organização Advance Colorado, autora da Iniciativa 232, que virou a Proposição 136. A medida altera as leis estaduais para limitar a alíquota do imposto de renda a 4,4% da renda tributável federal, tanto para indivíduos quanto para empresas. Segundo o Ballotpedia, ela foi certificada para a cédula em 20 de agosto.

Michael Fields, diretor executivo da Advance Colorado, chamou a proposta de "um contraponto claro à tentativa da extrema esquerda de aumentar impostos no Colorado". Do outro lado, Kathy White, diretora executiva do Colorado Fiscal Institute, disse, segundo o Ballotpedia, que as famílias trabalhadoras não deveriam pagar a conta para que os mais ricos recebam um "presente de US$ 71.000 por ano" do Congresso.

A Proposição 136 muda lei ordinária e, de acordo com a Secretaria de Estado, passa com maioria simples dos votos.

Se as duas forem aprovadas

O eleitor pode marcar sim nas duas. Nesse cenário, vale a regra descrita pelo Ballotpedia: os trechos conflitantes da medida que tiver mais votos favoráveis prevalecem. Na reportagem de 1º de setembro, o Colorado Sun apontou que a interação entre os dois textos ainda pode acabar sendo decidida na Justiça.

O estado já rejeitou uma tentativa parecida. Em 2018, a Emenda 73 criava faixas de renda e aumentava o imposto de quem ganhava mais. Ela caiu com 53,57% de votos contrários, segundo o Ballotpedia.

Quem financia e quem se opõe

A coalizão a favor da Emenda 87 tinha arrecadado cerca de US$ 100.000 até 24 de junho e recebeu mais de US$ 300.000 entre 25 de junho e 27 de julho, de acordo com o Colorado Sun. Entre os maiores doadores estavam o Bell Policy Center, com US$ 100.000, a Colorado Statewide Parent Coalition e a Great Education Colorado Action, com US$ 50.000 cada.

A lista oficial de comitês registrados mostra, contra a Emenda 87, grupos como Americans For Prosperity Colorado, Keep Colorado Affordable e Your Family's Future Alliance. Para a Proposição 136, a Secretaria de Estado não listava nenhum comitê de oposição registrado na consulta feita em 16 de setembro.

Outras perguntas da cédula que pesam no bolso

O imposto de renda não é o único tema financeiro da eleição. A Proposição NN, enviada pelo Legislativo, propõe aumentar o investimento estadual no ensino público em 2% ao ano durante dez anos, sem criar imposto. O financiamento viria da elevação do limite anual de gastos do estado apenas no valor destinado às escolas, com auditoria independente anual.

A Proposição 137 autoriza o estado a ficar com parte do imposto sobre vendas de artigos esportivos para conservação de água, terras e florestas e prevenção de incêndios. Já a Emenda 82 coloca na Constituição o direito de comprar e vender gás natural para cozinhar e aquecer a casa.

Em Denver e em outros 12 condados da Front Range, a cédula traz ainda a Questão 7A. Ela cria um imposto sobre vendas e uso de 0,333%, um terço de centavo por dólar gasto, para construir e operar o trem de passageiros Colorado Connector, conhecido como CoCo. O texto prevê arrecadação de US$ 295 milhões por ano e dívida de US$ 580 milhões, com custo de pagamento de US$ 785 milhões. Gasolina, alimentos, energia elétrica e gás residenciais, remédios com receita e material médico ficam isentos.

Calendário até 3 de novembro

Pelo guia do Colorado Sun publicado em 15 de setembro, Dia Nacional de Registro de Eleitores, os condados começam a enviar as cédulas em 2 de outubro, e elas devem chegar até 9 de outubro. O jornal recomenda devolver pelo correio até 26 de outubro, que é também o prazo para se registrar e receber a cédula em casa. A partir de 27 de outubro abrem os centros de votação e as urnas de depósito.

O registro no mesmo dia continua possível até a eleição. A cédula precisa chegar até as 19h de 3 de novembro, e o carimbo do correio não basta. Quem se registra apresenta a carteira de motorista do Colorado, os quatro últimos dígitos do Social Security ou outro documento válido. Se o documento não comprovar a cidadania, a pessoa declara sob pena de perjúrio que é cidadã americana.

O histórico das medidas no Colorado

Medidas levadas direto ao eleitor são frequentes no estado. Entre 2016 e 2025, o estado votou 67 medidas estaduais, média de sete por ano, segundo o Ballotpedia. Foram aprovadas 41, ou 61%, e rejeitadas 26. As emendas que acrescentam texto à Constituição exigem 55% de votos favoráveis, enquanto as proposições passam com maioria simples.

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