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Casas Bahia entra em recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões após fechar 298 lojas

O grupo protocolou o pedido na Justiça de São Paulo depois de registrar prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre. Foram 3 mil demissões em agosto e a busca de R$ 1 bilhão em crédito emergencial junto a Bradesco e Banco do Brasil.

Redação Brazuca News 19 de August de 2026, 11:12 2 visualizações
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Casas Bahia entra em recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões após fechar 298 lojas

O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial na Justiça de São Paulo com um passivo de R$ 17,3 bilhões. O anúncio foi feito na noite de domingo, 16 de agosto, e o pedido foi protocolado no dia seguinte, alcançando a companhia e outras nove empresas do conglomerado.

É a maior crise da história do grupo, que nasceu como rede de móveis e eletrodomésticos e virou sinônimo de compra parcelada no Brasil. Dois anos antes, a empresa já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial, instrumento mais brando, para renegociar cerca de R$ 4,07 bilhões — sem que as contas se recuperassem.

A dívida, por classe de credor,

Do passivo total, cerca de R$ 16,4 bilhões correspondem a credores quirografários, aqueles sem garantia real, segundo a InfoMoney. Outros R$ 754 milhões são dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões estão com micro e pequenas empresas.

O processo abrange, além da holding, a Cnova, a Indústria de Móveis Bartira, a Casas Bahia Tecnologia e as operações logísticas ASAP Log e Cntlog Express. O patrimônio líquido do grupo está negativo em cerca de R$ 8,1 bilhões.

Um prejuízo de R$ 10,1 bilhões em três meses.

O pedido veio na sequência da divulgação do balanço do segundo trimestre, que registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho. O número inclui baixas contábeis: no critério ajustado, a perda foi de R$ 978 milhões.

A receita líquida do trimestre somou R$ 6,97 bilhões, alta de 1,6% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado caiu 9,4%, para R$ 518 milhões. A empresa gerou R$ 798 milhões de caixa livre no período, resultado puxado principalmente pela redução de R$ 1,2 bilhão em estoques — dinheiro que entra pela venda do que estava na prateleira, não pela operação em si.

298 lojas a menos e 3 mil demissões.

O grupo fechou 298 lojas deficitárias e demitiu mais de 3 mil funcionários entre lojas e áreas administrativas, conforme o Brazil Journal. A redução de pessoal representa economia anual de aproximadamente R$ 400 milhões.

O plano de reestruturação mira corte estrutural de custos de cerca de R$ 2 bilhões por ano, com mais R$ 150 milhões de redução em investimentos. A companhia projeta voltar a gerar caixa positivo em 2027.

O empréstimo de R$ 1 bilhão em negociação

A Casas Bahia negocia R$ 1 bilhão em financiamento DIP — modalidade de crédito concedida a empresas já em recuperação, com prioridade de recebimento. Bradesco, Banco do Brasil e outros credores participam da conversa, segundo o Brazil Journal.

O grupo também conta com cerca de R$ 2 bilhões em depósitos judiciais, sendo mais de R$ 1 bilhão de natureza trabalhista e previdenciária, e paga entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões por ano em tributos. A soma de liberação e adiamento dessas duas frentes pode devolver R$ 2,5 bilhões ao caixa ao longo do próximo ano.

A resposta do mercado

A ação BHIA3 acumula queda de 78,71% no ano, e o valor de mercado do grupo caiu para cerca de R$ 670 milhões. Em 12 meses, o papel recuou 77%.

O Morgan Stanley classificou os resultados como mais fracos do que o esperado, com Ebitda entre 15% e 18% abaixo das projeções, e manteve recomendação de exposição abaixo da média. XP e Itaú BBA colocaram suas recomendações em revisão diante da incerteza sobre a continuidade operacional.

A preocupação central dos analistas está na cadeia de fornecimento: fornecedores podem apertar prazos de crédito, o que compromete a reposição de estoque justamente antes das temporadas de venda que decidem o ano do varejo.

Juros a 14% e a queda do bem durável

Na petição, o grupo atribui a crise à combinação de juros elevados, queda no consumo de bens duráveis, aumento da inadimplência e dificuldades gerais do setor. A sensibilidade é grande: cada aumento de 1 ponto percentual na taxa de juros tira aproximadamente R$ 200 milhões do fluxo de caixa livre anual da companhia.

O Copom reduziu a Selic para 14% ao ano na reunião de 4 e 5 de agosto, quarto corte consecutivo de 2026, em decisão unânime. Mesmo em queda, o patamar segue alto para um negócio construído sobre a venda parcelada de geladeira, fogão e sofá.

Por que a notícia chega a quem está nos Estados Unidos?

Para o brasileiro que mantém família no Brasil, o caso funciona como termômetro de duas coisas ao mesmo tempo. A primeira é o emprego: 3 mil demissões em um mês e 298 pontos de venda fechados atingem cidades onde a loja da rede era um dos maiores empregadores do centro.

A segunda é o crédito ao consumidor. A recuperação judicial de uma varejista desse porte tende a apertar as condições de parcelamento no setor inteiro, e o parcelado é como boa parte das famílias brasileiras compra eletrodoméstico. Quem envia dinheiro do exterior para ajudar em casa costuma sentir esse efeito na conta que chega — não no câmbio, mas no preço final e no prazo oferecido.

A recuperação judicial não é falência: é o processo em que a empresa segue funcionando enquanto negocia o pagamento das dívidas sob supervisão da Justiça. O próximo passo cabe ao juízo de São Paulo, que decide sobre o processamento do pedido e abre o prazo para a apresentação do plano aos credores.

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