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Clima

Atlântico chega a 12 de setembro sem nenhum furacão e bate o recorde da era dos satélites

Desde 1966, nenhuma temporada tinha passado de 11 de setembro sem um furacão no Atlântico. O Centro Nacional de Furacões não espera formação nos próximos sete dias, enquanto o El Niño mantém o Pacífico agitado.

Redação Brazuca News 12 de September de 2026, 21:10 1 visualizações
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Atlântico chega a 12 de setembro sem nenhum furacão e bate o recorde da era dos satélites

A temporada de furacões de 2026 no Atlântico entrou para a história neste sábado, 12 de setembro. Até agora, nenhum furacão se formou na bacia, e esse é o prazo mais longo sem um furacão desde o início da era dos satélites, em 1966, segundo o USA TODAY. A marca anterior era 11 de setembro.

O recorde chega logo depois do pico climatológico da temporada, que costuma ficar em torno de 10 de setembro. E o Centro Nacional de Furacões (NHC) não vê mudança à vista: no boletim das 14h (horário do Leste) deste sábado, o órgão informou que não espera a formação de ciclones tropicais no Atlântico nos próximos sete dias.

O recorde em números

Antes deste ano, a data mais tardia para o primeiro furacão da temporada na era dos satélites era 11 de setembro, de acordo com o meteorologista Bryan Norcross, da FOX Weather. Com o sábado sem furacão, 2026 passou a deter sozinho a marca.

Norcross lembra que, antes da cobertura por satélite, vários anos registraram o primeiro furacão depois dessa data. Em 1905, por exemplo, o primeiro furacão da temporada só se formou em 7 de outubro.

Cinco tempestades e nenhum furacão.

A temporada teve cinco tempestades tropicais com nome até aqui, e nenhuma ganhou força de furacão:

  • Arthur, em junho;
  • Bertha, em julho;
  • Cristobal, em agosto;
  • Dolly, no fim de agosto;
  • Edouard, entre o fim de agosto e o começo de setembro.

A energia ciclônica acumulada, índice que mede a força e a duração das tempestades, estava em apenas 4,4 até 10 de setembro. É o valor mais baixo para esse período desde 1950, segundo Phil Klotzbach, pesquisador da Universidade Estadual do Colorado, citado pelo USA TODAY.

"The Atlantic basin is as dead as it gets for early September", disse ao USA TODAY Michael Lowry, especialista em furacões da emissora WPLG-TV.

Por que o Atlântico está tão quieto?

O principal fator apontado pelos meteorologistas é o El Niño, o aquecimento do Pacífico equatorial que altera o clima em várias partes do mundo. Segundo o USA TODAY, o fenômeno aumenta o cisalhamento do vento, a diferença de velocidade e direção dos ventos em altitudes diferentes, que desmancha as tempestades antes que elas se organizem.

Neste verão, o cisalhamento sobre o Atlântico chegou ao nível mais forte desde o início do monitoramento global por satélite, em 1979, com média de mais de 3 nós acima de qualquer outro ano, segundo a mesma reportagem.

A poeira do Saara e o ar seco completam o quadro. A meteorologista Jhordanne Jones descreveu ao USA TODAY essa combinação como uma "dupla supressão" da atividade tropical. Norcross, da FOX Weather, acrescenta a atmosfera mais seca que o normal, a pressão elevada e o ar descendente sobre o Caribe e o Atlântico.

Nada no radar para os próximos sete dias.

Além do boletim do NHC sem áreas monitoradas no Atlântico, Norcross avaliou em 11 de setembro que existe só uma pequena chance de uma tempestade se formar a leste das Bermudas e seguir para o alto-mar, sem atingir áreas habitadas.

O tempo calmo nos trópicos não significa fim de semana seco em todo o país. A FOX Weather previu chuva forte no Sudeste e na costa do Golfo neste fim de semana, com risco nível 1 de enchente repentina em áreas que incluem Tampa e Nova Orleans.

O Pacífico no sentido oposto

O mesmo El Niño que segura o Atlântico favorece as tempestades no Pacífico Leste e Central. Segundo a FOX Weather, a temporada de 2026 no Pacífico Leste já produziu 16 tempestades com nome, incluindo três grandes furacões, de categoria 3 ou mais.

O Havaí sentiu esse efeito: a FOX Weather contabiliza três sistemas tropicais que afetaram o estado nesta temporada, entre eles o furacão Lowell.

O NHC acompanha agora uma área de baixa pressão a várias centenas de milhas a sudoeste da costa do México, com chance alta de virar ciclone tropical: 80% em 48 horas e 90% em sete dias. Uma segunda área, a sudeste do Havaí, tem chance baixa, de 10%.

Norbert não deve ameaçar o Havaí.

A tempestade tropical Norbert estava na manhã de sábado a cerca de 1.760 milhas a leste de Hilo, com ventos sustentados de 60 mph e deslocamento para oeste-noroeste a 10 mph, segundo o Honolulu Star-Advertiser.

A previsão melhorou para as ilhas. A FOX Weather informou que Norbert não deve mais virar furacão por causa do ar seco e dos ventos fortes em altitude. Pelo boletim reproduzido pelo Star-Advertiser, a tempestade deve enfraquecer no começo da semana, virar uma depressão pós-tropical por volta de quarta-feira e, na quinta, estar a centenas de milhas a sudeste de Hilo, seguindo para sudoeste, longe do arquipélago.

A temporada vai até 30 de novembro.

O recorde não encerra o risco. A temporada de furacões do Atlântico vai oficialmente até 30 de novembro, e o USA TODAY lembra que furacões perigosos ainda podem se formar nas próximas semanas.

Para quem mora na Flórida, na costa do Golfo ou tem viagem marcada para o Caribe, a orientação de acompanhar os boletins do NHC continua valendo até o fim da temporada, mesmo com o Atlântico parado neste começo de setembro.

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