As seguradoras que vendem planos no marketplace do Affordable Care Act (ACA) pediram reajuste mediano de 15% para 2027, segundo análise do Peterson-KFF Health System Tracker atualizada em 3 de agosto, que passou a cobrir os pedidos públicos de 276 seguradoras em todos os 50 estados e no Distrito de Colúmbia.
Os pedidos vão de uma redução de 1% a uma alta de 54%. Quase dois terços (63%) ficam entre 10% e 25%, 51 seguradoras pedem mais de 25% e apenas uma propõe baixar o preço.
É o segundo ano seguido de reajuste de dois dígitos: para 2026, a mediana proposta foi de 18%, e a finalizada chegou a 20%. Se os pedidos de agora forem confirmados, o prêmio típico terá subido mais de um terço entre 2025 e 2027, segundo a KFF.
O principal motor, apontam as próprias seguradoras nos protocolos, é o custo dos serviços: a tendência médica mediana citada é de 10% — acima da média recente, de cerca de 8% —, puxada por internações, consultas, inflação, escassez de mão de obra e remédios especializados, como os GLP-1 usados para emagrecimento.
Outro fator é a saída dos segurados mais saudáveis depois que os créditos fiscais ampliados expiraram no fim de 2025, o que encareceu o grupo restante — efeito que a análise estima em cerca de 4 pontos percentuais do reajuste. As inscrições no ACA caíram cerca de 3 milhões de pessoas até fevereiro de 2026, depois de terem passado de 20 milhões, segundo a KFF Health News. A UnitedHealthcare atribuiu 12,7% do próprio pedido a mudanças de política da administração Trump.
Cynthia Cox, diretora do programa sobre o ACA na KFF, descreveu a situação do consumidor como uma "pancada tripla" ("triple whammy"): prêmios que já subiram em 2026, fim dos créditos mais generosos e agora um novo reajuste. A Casa Branca, pelo porta-voz Kush Desai, disse que não vai bancar subsídios a seguradoras por meio de "políticas fraudulentas e corruptas".
Os números ainda não são finais: os reguladores estaduais revisam os pedidos até o fim do verão, e as taxas de 2027 saem antes do open enrollment, que abre em outubro de 2026.
O que dá para fazer ?
Trabalhadores autônomos e donos de pequenos negócios — perfil comum entre brasileiros em áreas como limpeza, construção e transporte por aplicativo — são justamente o público que compra plano no marketplace. A recomendação de especialistas como Matthew Fiedler, da Brookings, citado pela KFF Health News, é comparar planos ativamente na janela de inscrição em vez de renovar no automático: trocar de plano pode absorver boa parte do aumento. Guardar a data de outubro e revisar o orçamento de saúde de 2027 desde já reduz o susto.
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