O Center for Human Rights da Universidade de Washington verificou 64 casos em que prisões migratórias no estado aconteceram depois que agentes federais consultaram placas de carro no banco de dados do Departamento de Licenciamento (DOL) de Washington. O levantamento, atualizado em 27 de julho, cobre o período de agosto de 2025 até a data do relatório.
O achado expõe um furo concreto na proteção do estado-santuário. A lei Keep Washington Working, de 2019, proíbe agências estaduais de fornecer informações para fins de deportação civil. Mesmo assim, os dados continuam vazando.
Como a placa vira prisão?
O caminho é rápido, segundo o relatório da UW. Agentes do ICE e da CBP consultam uma placa pela Nlets, uma rede nacional de telecomunicações policiais com cerca de 50 anos de idade, e recebem em segundos o nome do proprietário e o endereço registrados no DOL. Com isso em mãos, cruzam a informação com os próprios bancos de dados e prendem o alvo — na hora, numa parada de trânsito, ou depois, no endereço que consta no registro do veículo.
O estado reagiu. A partir de novembro de 2025, Washington cortou o acesso do ICE, do HSI e da CBP aos registros de motoristas e placas via Nlets, segundo a KUOW. Desde então, o estado bloqueou 108.170 tentativas federais de acesso: 28.539 do ICE, 30.290 do HSI e 49.291 da CBP, de acordo com dados do gabinete do governador Bob Ferguson divulgados pela emissora.
"Washington é líder nacional na proteção das informações privadas dos nossos residentes", afirmou Ferguson à KUOW.
O drible dos códigos
O bloqueio, porém, não fechou todas as portas. Os pesquisadores da UW documentaram que agentes federais contornam as barreiras reenviando a mesma consulta sob códigos de agência diferentes — os identificadores chamados ORI. "Eles são rejeitados usando um código e simplesmente reenviaram o pedido usando outro", explicou à KUOW Angelina Godoy, diretora do Center for Human Rights da universidade.
É por isso que, mesmo com mais de cem mil consultas barradas, as prisões verificadas continuaram acontecendo dentro do período estudado.
O que isso significa para quem dirige?
Para o imigrante na região de Seattle, o recado do relatório é direto: o carro é hoje um dos principais pontos de exposição. A placa leva ao nome e ao endereço residencial que constam no registro do veículo. Algumas orientações gerais de direitos valem para qualquer abordagem:
- Em uma parada de trânsito, o motorista tem o direito de permanecer em silêncio sobre seu status migratório. Entregue documento do veículo e habilitação, se solicitado, mas não é obrigado a responder de onde é ou como entrou no país.
- Não assine nenhum documento de imigração sem orientação de um advogado.
- Mantenha o endereço do registro do veículo em dia com a sua realidade — e saiba que ele é visível em consultas policiais.
Nenhuma lei estadual oferece proteção absoluta: a lei-santuário reduz a colaboração de Washington com a deportação civil, mas o caso do DOL mostra que dados registrados no estado podem chegar a agências federais por vias indiretas. O Center for Human Rights da UW segue monitorando o compartilhamento e publicando atualizações periódicas.
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