O Departamento do Trabalho dos EUA informou em 30 de julho que os pedidos iniciais de seguro-desemprego subiram 9 mil, para 197 mil, na semana encerrada em 25 de julho. O número veio abaixo dos 200 mil que economistas consultados pela Reuters esperavam — e a semana anterior, com 188 mil pedidos no dado revisado, havia sido a mais baixa em mais de 50 anos.
À primeira vista, é um retrato tranquilo: empresas não estão demitindo em massa. O problema aparece na outra ponta do mercado. Em junho, a economia americana criou apenas 57 mil vagas, menos da metade do mês anterior, segundo a Associated Press. Quem perde o emprego está demorando mais para achar outro.
"Contrata devagar, demite devagar."
Economistas ouvidos pela Reuters resumem o momento com a expressão "slow hire, slow fire" — contrata devagar, demite devagar. As empresas seguram os funcionários que têm, mas adiam novas contratações diante da incerteza econômica.
Uma pesquisa do Conference Board citada pela Reuters reforça o diagnóstico: a percepção dos consumidores sobre a disponibilidade de vagas caiu ao menor nível desde fevereiro de 2021. Quando a fatia de gente que acha "fácil conseguir emprego" encolhe desse jeito, a taxa de desemprego tende a subir nos meses seguintes.
Os pedidos continuados de seguro-desemprego — pessoas que seguem recebendo o benefício — caíram 7 mil, para 1,78 milhão, na semana encerrada em 18 de julho. A média móvel de quatro semanas dos pedidos iniciais ficou em 202.750.
Grandes empresas já anunciaram cortes.
Mesmo com o total de demissões baixo, a lista de empresas que anunciaram cortes neste ano é longa e conhecida do consumidor: Verizon, UPS, Amazon, Disney, Starbucks, Walmart e Microsoft aparecem na reportagem da AP. São movimentos pontuais, mas mostram que setores inteiros — tecnologia, varejo, logística — estão enxugando o quadro.
O pano de fundo completa o quadro de cautela: o Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% na reunião de 29 de julho, e o PIB do segundo trimestre cresceu apenas 1,5% em ritmo anualizado, segundo a Reuters.
O que isso significa para o imigrante?
Para quem vive de salário — caso da maioria dos brasileiros nos EUA —, o cenário pede duas atitudes práticas:
- Valorize o emprego que você tem. Num mercado que contrata devagar, trocar de emprego ou se recolocar depois de uma demissão está levando mais tempo do que nos últimos anos. Não é hora de sair sem ter outra vaga garantida.
- Se for demitido, peça o seguro-desemprego imediatamente. Quem trabalha com autorização e é dispensado sem justa causa tem direito ao unemployment insurance do seu estado. O pedido é feito online, no site do departamento de trabalho estadual, e cada semana de atraso é dinheiro que não volta.
O próximo termômetro importante é o relatório mensal de empregos de julho, que mostrará se a criação de vagas seguiu fraca — e se a fase do "contrata devagar" está virando algo pior.
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