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Economia

Imposto de 1% sobre remessas em dinheiro completa seis meses; como brasileiros nos EUA podem evitar a taxa

Desde 1o de janeiro de 2026, os EUA cobram uma taxa federal de 1% sobre transferencias ao exterior feitas em dinheiro, money order ou cheque administrativo. Envios debitados de conta bancaria ou pagos com cartao continuam isentos.

Redação Brazuca News 18 de July de 2026, 22:48 9 visualizações
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Imposto de 1% sobre remessas em dinheiro completa seis meses; como brasileiros nos EUA podem evitar a taxa
Foto: Yan Krukau / Pexels License

Ha seis meses os Estados Unidos cobram uma taxa federal de 1% sobre parte das remessas enviadas ao exterior. A cobranca comecou em 1o de janeiro de 2026 e atinge diretamente quem manda dinheiro para a familia no Brasil, mas o alcance dela e mais estreito do que muita gente imagina.

O que e taxado e o que fica de fora

A taxa incide apenas sobre transferencias financiadas com dinheiro vivo, money order ou cheque administrativo (cashier's check) entregues no balcao de um provedor de remessas, como as lojas de servicos do tipo Western Union. Nesse formato, o remetente paga 1% sobre o valor enviado, alem das tarifas que ja existiam.

Ficam isentas as transferencias debitadas de uma conta bancaria dos EUA, incluindo ACH e transferencia eletronica, e tambem as pagas com cartao de debito ou credito emitido no pais. Essa e a chave: quem envia a partir da propria conta ou com cartao, em vez de entregar dinheiro no caixa, nao paga a taxa de 1%.

Na pratica, sobre uma remessa de US$1.000 em dinheiro, a taxa representa US$10 a mais. Nao e o maior custo de uma remessa, mas se soma a tarifa do servico e ao cambio aplicado, e pesa mais para quem envia com frequencia ao longo do ano.

De onde veio a cobranca

A taxa foi criada pela lei orcamentaria apelidada de One Big Beautiful Bill Act, sancionada em 4 de julho de 2025. O Tesouro e a Receita americana (IRS) publicaram as regras de aplicacao, com os provedores obrigados a recolher o tributo do remetente e a declara-lo no formulario Form 720. O IRS chegou a conceder alivio de penalidades aos provedores que errarem nos depositos nos primeiros trimestres de 2026, uma medida operacional de transicao que nao muda o valor cobrado do consumidor.

O que os dados ja mostram

O primeiro efeito visivel aparece no corredor mais movimentado do mundo, o dos EUA para o Mexico. As remessas ao pais somaram US$61,8 bilhoes em 2025 e recuaram 4,6%, a primeira queda anual em 11 anos, segundo levantamento da BBVA Research citado pela Forbes. A retracao e atribuida a contratacao mais lenta em setores com muitos imigrantes, ao aumento de deportacoes e ao comportamento do cambio.

Chama atencao o movimento no ano anterior a cobranca. Paises da America Central registraram forte alta nos envios em 2025, com Honduras subindo 25,3%, Guatemala 18,7% e El Salvador 17,8%, um padrao que analistas leem como antecipacao de remessas antes da taxa entrar em vigor. Sao justamente os grupos com menor acesso bancario, o que os deixa mais expostos a cobranca sobre o dinheiro em especie.

Ha ainda uma migracao para fora do alcance do imposto. Reportagem da Forbes aponta que parte do dinheiro passou a fluir por transferencias bancarias e por stablecoins, moedas digitais atreladas ao dolar que a taxa nao alcanca. So a plataforma Bitso processou US$6,5 bilhoes no corredor EUA-Mexico em 2024, boa parte em stablecoins.

O que o brasileiro em Denver e Seattle deve fazer

A licao pratica e simples: preferir enviar a partir de conta bancaria ou com cartao, e nao entregando dinheiro no balcao, elimina a taxa de 1%. Segundo a BBVA, 84% dos imigrantes mexicanos nos EUA tem conta bancaria e podem, legalmente, evitar o tributo por esse caminho. O mesmo raciocinio serve para brasileiros que ja tenham conta aberta no pais.

Antes de fechar a remessa, vale comparar tarifas e a cotacao oferecida por cada servico. O cambio aplicado e a tarifa fixa costumam pesar mais no bolso do que o 1% da nova taxa, sobretudo em envios menores. Manter uma conta bancaria nos EUA, portanto, virou uma forma direta de reduzir o custo total de sustentar a familia no Brasil.

Quem depende de servicos de balcao pagos em dinheiro deve ficar atento ao valor final cobrado, ja que a taxa aparece somada as demais tarifas no momento do envio. Guardar o comprovante de cada operacao ajuda a acompanhar quanto esta indo, de fato, para quem recebe do outro lado.

Convem lembrar que a taxa de 1% e federal e se soma tanto as tarifas cobradas pelo servico de remessa quanto ao cambio aplicado na conversao para real. Em envios recorrentes, a soma desses custos ao longo de um ano pode superar em muito o valor de cada operacao isolada, o que reforca a vantagem de escolher o meio de envio isento e de comparar as opcoes antes de fechar a transferencia.

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