O prefeito Mike Johnston anunciou na quinta-feira um plano de US$ 100 milhões para gerar e sustentar 10 mil empregos em Denver nos próximos três anos. "Queremos que o mundo saiba que Denver está aberta para negócios", disse.
Para a comunidade brasileira, o que importa não é a manchete — é que há dinheiro na mesa, com critérios claros, e uma das portas já está aberta.
O empréstimo que não olha o seu score
O braço de crédito do pacote se chama BUILD Denver e é operado pelo Colorado Enterprise Fund, uma organização sem fins lucrativos. Ele foi desenhado para o negócio que o banco não atende.
- Valores: de US$ 10.000 a US$ 350.000.
- Juros: 4,99%, subsidiados pela prefeitura.
- Prazo: até 120 meses.
- Não há exigência de score mínimo de crédito.
- Vem com coaching de negócios sem custo, antes e durante o empréstimo.
Para se qualificar, o negócio precisa ter endereço físico dentro da cidade e do condado de Denver, estar registrado e regular na Secretaria de Estado do Colorado, ser com fins lucrativos e de atividade legal, e estar em dia com impostos e contratos com a cidade. Exige licença comercial, EIN e documentação financeira.
O dinheiro pode ser usado para capital de giro e estoque, equipamentos, reforma do ponto alugado, compra de negócio, despesas de abertura e — este é o ponto que salva muita gente — refinanciar dívida cara não bancária, como adiantamento de recebíveis e cartão de crédito.
Ficam de fora organizações sem fins lucrativos, holdings imobiliárias, bancos e setores como maconha, jogo e entretenimento adulto.
As inscrições abriram em 1º de junho. O contato é BUILDDenver@coloradoenterprisefund.org.
O resto do pacote
O plano tem quatro frentes: investir em 10 mil empregos de qualidade, ajudar empresas a abrir e crescer na cidade, revitalizar o centro e preparar moradores para as vagas que existem e as que virão. Os setores-alvo são aeroespacial, cibersegurança, construção verde, tecnologia quântica e ofícios da construção civil.
O dinheiro vem principalmente de parceiros estaduais e federais e da autoridade de desenvolvimento do centro, e não do fundo geral da cidade.
O retrato do mercado local ajuda a entender a aposta: o desemprego em Denver está em 3,6%, abaixo dos 4,2% nacionais, mas a vacância de escritórios no centro beira os 40%. Os centros de qualificação da cidade já atendem cerca de 20 mil pessoas por ano.
Já funcionou antes
Adam Schlegel, cofundador do Snooze — a rede de brunch que nasceu no bairro Ballpark e virou negócio nacional —, contou que a empresa deve a existência a um programa municipal parecido: "Não existiríamos se não fosse o investimento da cidade em um negócio como o nosso."
"A cidade realmente foi quem apareceu", disse ele. "Era um incentivo financeiro para fazer isso, além do coaching."
Quem tem empresa de limpeza, construção, food truck, salão ou pequeno comércio em Denver e nunca conseguiu crédito por causa de score ou de tempo de casa deve olhar esse programa com atenção. É exatamente esse o público que ele diz querer.
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