A Receita Federal liberou nesta quarta-feira (8) a consulta ao lote especial de restituição automática do Imposto de Renda, apelidado de "cashback": um mecanismo pensado pra quem nunca chegou a declarar porque não era obrigado, mas teve imposto retido na fonte ao longo de 2024. Desde as 9h, dá pra saber pelo site ou pelo aplicativo da Receita se o CPF está entre os contemplados.
O programa roda separado do calendário normal de restituição e tem regras próprias. Segundo o Ministério da Fazenda e a própria Receita Federal, 3.551.101 contribuintes vão dividir cerca de R$ 460 milhões, com valor limitado a R$ 1 mil por pessoa.
Quem entra na lista do cashback
Pra constar nesse lote específico, o contribuinte precisa atender, ao mesmo tempo, a estes pontos:
- não estar obrigado a entregar a declaração do IRPF referente ao exercício de 2025;
- não ter enviado a declaração por iniciativa própria;
- ter tido imposto de renda retido na fonte ao longo de 2024;
- ter valor a restituir de até R$ 1 mil;
- manter o CPF em situação regular e uma chave Pix do tipo CPF cadastrada até o fim de junho de 2026.
O pagamento é único, sai no dia 15 de julho e só chega por Pix vinculado ao CPF. A Receita já avisou que não vai emitir ordem bancária nem depositar em conta que não esteja associada a essa chave — quem se encaixa nos critérios, mas não tinha Pix cadastrado a tempo, fica de fora dessa rodada específica.
O calendário de quem já declarou
Pra quem entregou a declaração do jeito tradicional, o cronograma segue em paralelo e já tem dois lotes pagos. O primeiro saiu em 29 de maio com R$ 16 bilhões para 8.749.992 contribuintes — na época, o maior volume já pago de uma vez pela Receita, 45% acima do recorde de 2025. O segundo, em 30 de junho, repetiu os R$ 16 bilhões, mas chegou a 9.585.797 pessoas, superando o próprio recorde em número de contemplados. Somados, os dois lotes já entregaram 18,3 milhões de restituições e R$ 32 bilhões.
Faltam dois lotes pra fechar o ano: o terceiro sai em 31 de julho e o quarto, encerrando o ciclo, em 31 de agosto — uma rodada a menos que nos anos anteriores, já que a Receita reduziu o calendário de cinco para quatro pagamentos em 2026. Dentro de cada lote, a ordem segue prioridade legal: primeiro contribuintes com mais de 80 anos, depois quem tem entre 60 e 79 anos, pessoas com deficiência ou doença grave e quem tem o magistério como principal fonte de renda; entre os demais, sai na frente quem usou a declaração pré-preenchida e pediu o valor via Pix.
Como consultar morando nos Estados Unidos
Nenhuma etapa dessa consulta exige presença física no Brasil. Tudo é feito pela internet: no site gov.br/receitafederal, na opção "Consulta Restituição", informando CPF, data de nascimento e o ano-exercício 2026, ou pelo aplicativo Meu Imposto de Renda. Quem tem certificado digital também acessa pelo e-CAC sem depender de conta gov.br.
O detalhe que costuma travar quem vive fora é o nível da conta gov.br. Os serviços de declaração pré-preenchida e de restituição pedem conta prata ou ouro, validada por reconhecimento facial, conta em banco credenciado ou certificado digital — a conta bronze, mais básica, não dá acesso completo a esses serviços. Resolver essa validação de fora do país costuma ser mais rápido pra quem já tem certificado digital ou conta em banco brasileiro credenciado; sem isso, vale organizar a atualização numa próxima viagem ao Brasil ou em atendimento consular, quando disponível.
O Pix também virou ponto de atenção pra quem mora fora. Como a Receita concentrou o cashback inteiro nessa modalidade e vem priorizando pagamentos assim no calendário normal, só recebe quem mantém conta em banco brasileiro com chave Pix ativa vinculada ao próprio CPF — o que empurra quem já não usa banco no Brasil no dia a dia a manter, ainda que à distância, alguma conta digital só pra esse tipo de recebimento.
Existe ainda a dúvida sobre se a obrigação de declarar continua valendo depois da mudança pros Estados Unidos. Quem não entregou a Comunicação de Saída Definitiva do País segue sendo tratado como residente fiscal no Brasil, com o dever de declarar o Imposto de Renda normalmente — incluindo renda ganha nos EUA — e, por isso, também pode aparecer tanto no cashback quanto no lote regular. Formalizar a saída definitiva tira essa obrigação anual, mas não cancela restituições já apuradas antes disso. Como Brasil e Estados Unidos não têm acordo de bitributação em vigor, especialistas em tributação recomendam acompanhamento de contador que conheça as duas legislações pra quem declara renda nos dois países.
Quem descobrir que tinha direito a restituir, mas ficou de fora do cashback — por não ter Pix a tempo, CPF com pendência ou valor acima de R$ 1 mil —, não perde o dinheiro: pode declarar por conta própria, inclusive de exercícios anteriores, pelo mesmo portal gov.br. Nesse caso, porém, o crédito depende de o contribuinte tomar a iniciativa, sem pagamento automático.
Manter o CPF regular e uma chave Pix vinculada a ele deixou de ser um detalhe burocrático pra virar condição prática de reaver dinheiro retido pela Receita. Pra quem mora nos Estados Unidos e não tem como resolver pendência de cadastro num guichê brasileiro a cada poucos meses, checar essa situação com antecedência evita ver a restituição ficar parada — e evita cair em golpes que costumam surgir sempre que a Receita libera um lote, com mensagens falsas prometendo "liberar" valores mediante pagamento ou dados bancários.
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