A ponte aérea da saudade ganhou uma opção nova nesta quarta-feira (8): a GOL estreou o voo direto Rio de Janeiro (Galeão)–Nova York (JFK), o primeiro voo de longa distância da história da companhia — que passou mais de duas décadas operando exclusivamente Boeing 737 de corredor único. A rota tem três frequências semanais e marca a transformação do Galeão no hub internacional da empresa.
Os horários favorecem quem odeia perder o dia: saídas do Rio às quartas, sextas e domingos, às 21h55, chegando ao JFK às 6h55 da manhã seguinte; na volta, decolagens de Nova York às segundas, quintas e sábados, às 23h, pousando no Rio às 9h55. Em Nova York, a GOL opera no Terminal 8 — o hub da American Airlines, sua parceira comercial, o que abre a porta para conexões e emissões com milhas do programa AAdvantage.
O avião (e o detalhe do contrato)
A rota é voada por um Airbus A330-200 — o primeiro widebody da GOL, com capacidade para até 300 passageiros e a classe executiva “INSIGNIA by GOL”, de assentos que viram cama. O detalhe técnico: a aeronave pertence à espanhola Wamos Air (do mesmo grupo Abra, que controla a GOL) e opera em regime de wet lease — avião, pilotos e manutenção da Wamos, comissários e serviço da GOL. É a ponte até a chegada dos até cinco A330-900neo próprios encomendados, com entregas ao longo de 2026 e 2027. “Não precisamos lidar com a complexidade [...] para começar a testar alguns novos mercados”, explicou o vice-presidente comercial, Mateus Pongeluppi.
Nesta temporada, a operação vai até o fim de outubro, com retomada em março de 2027 — e as vendas de 2027 já estão abertas. Na estreia comercial, as tarifas partiam de mais de R$ 10 mil ida e volta na econômica (acima de R$ 20 mil na executiva), preços de lançamento que tendem a se acomodar com a concorrência.
O que muda para quem mora nos EUA?
Para o brasileiro daqui, a novidade é estrutural: uma sétima operadora de voos diretos na ponte Brasil-EUA — hoje dividida entre LATAM, Azul, a própria GOL (via Miami/Orlando com escala), United, American e Delta. Mais assentos e mais concorrência historicamente significam tarifa melhor nas rotas de visita à família, sobretudo na alta temporada de dezembro. E o plano não para em Nova York: Lisboa estreia em 16 de setembro, Paris está prevista para o último trimestre e a operação de Orlando será ampliada — a rota mais sensível para a comunidade da Flórida.
Para quem está em Denver ou Seattle, o caminho é a conexão: os voos domésticos para o JFK (Delta, JetBlue, American) casam com a chegada matinal do voo da GOL — e a parceria com a American facilita emitir tudo num bilhete só via Terminal 8. “85% do crescimento recente da GOL ocorreu no Rio de Janeiro”, justificou o CEO Celso Ferrer sobre a escolha do hub — para o passageiro, o que importa é o efeito: a disputa pelo seu bilhete de dezembro acaba de ganhar mais um concorrente.
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