O Departamento do Trabalho dos EUA informou nesta quinta-feira que a economia americana criou 57 mil empregos em junho, um número bem menor do que os cerca de 110 mil a 115 mil que economistas esperavam. Foi o resultado mais fraco em meses e reforçou a leitura de que o mercado de trabalho está esfriando.
Para o brasileiro que vive em Denver ou Seattle, o dado importa menos pela manchete e mais por onde os cortes aconteceram. Os setores que mais empregam imigrantes é que travaram.
Restaurantes e hotéis cortaram 61 mil vagas
O setor de lazer e hospitalidade, que reúne hotéis, bares e restaurantes, perdeu 61 mil postos no mês. Segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), o órgão federal que compila os números, a queda reflete uma contratação de verão mais fraca do que o habitual, quando normalmente esses negócios reforçam as equipes para a alta temporada.
É justamente nesse ramo que boa parte da comunidade brasileira ganha a vida: cozinha, limpeza, atendimento, garçonete, camareira. Quando restaurantes e hotéis freiam as contratações no auge do verão, sobra menos vaga e menos hora extra para quem depende desse trabalho.
A construção civil, outro pilar de emprego para brasileiros nas duas cidades, praticamente não se mexeu. O BLS classificou a variação no setor como "pouca ou nenhuma mudança" no mês, sinal de que as obras não estão puxando novas contratações.
Desemprego caiu, mas pela razão errada
A taxa de desemprego recuou para 4,2%. À primeira vista parece boa notícia, mas o detalhe muda a conta: a taxa de participação na força de trabalho caiu 0,3 ponto, para 61,5%, o menor nível desde março de 2021.
Na prática, o desemprego caiu porque menos gente está procurando emprego, e não porque mais gente foi contratada. A pesquisa domiciliar do próprio relatório mostrou 507 mil pessoas a menos trabalhando em junho. Quem desiste de procurar simplesmente sai da estatística.
Entre trabalhadores hispânicos, a taxa de desemprego ficou em 5,2%, acima da média nacional de 4,2%. É um recorte que costuma acompanhar a realidade de muitas famílias imigrantes.
Salários sobem devagar
O salário médio por hora subiu 0,3% em junho, para US$ 37,64, acumulando alta de 3,5% em 12 meses. É um avanço modesto diante do custo de vida em cidades como Seattle e Denver, onde aluguel e mercado consomem fatia grande da renda.
"As empresas ainda estão contratando, mas as horas trabalhadas estão abaixo do nível pré-pandemia, à medida que reduzem o uso de mão de obra", disse Jeffrey Roach, economista-chefe da LPL Financial. Menos horas na folha significam menos dinheiro no fim do mês para o trabalhador que é pago por hora.
O que observar nas próximas semanas
Os números de abril e maio também foram revisados para baixo: maio caiu para 129 mil vagas e abril, para 148 mil. Revisões assim indicam que o mercado vinha mais fraco do que aparentava, o que ajuda a explicar por que algumas empresas seguram novas contratações.
Para quem depende de trabalho sazonal em restaurantes, hotéis e obras, o recado do relatório é de cautela: vale segurar reservas, evitar dívidas novas e conversar com o empregador sobre a expectativa de horas nas próximas semanas. O próximo relatório de empregos, referente a julho, sai no início de agosto e mostrará se o esfriamento continua ou foi um tropeço pontual do verão.
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