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Falta de trabalhador na construcao trava obras e pressiona custo de moradia nos EUA

A construcao civil americana precisa atrair 349 mil trabalhadores em 2026 para dar conta da demanda, segundo a Associated Builders and Contractors, num setor em que cerca de um terco da forca de trabalho e imigrante. Um estudo da Universidade do Colorado em Boulder, divulgado pelo NBER, mostra que o aumento da fiscalizacao de imigracao derrubou o emprego de imigrantes e tambem reduziu vagas para trabalhadores nascidos nos EUA. Para o brasileiro que vive de obra, a conta aparece em quem contrata, quanto se paga e quanto custa morar.

Redação Brazuca News 29 de June de 2026, 11:22 2 visualizações
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Falta de trabalhador na construcao trava obras e pressiona custo de moradia nos EUA
Foto: D Goug / Pexels License

A construcao civil dos Estados Unidos precisa atrair 349 mil trabalhadores novos em 2026 so para acompanhar a demanda por servicos, segundo um modelo proprio da Associated Builders and Contractors (ABC), entidade que reune empreiteiras de todo o pais. A conta sobe para 456 mil em 2027. O numero importa direto a quem vive de obra: a construcao e um dos setores que mais emprega imigrante nos EUA, e os brasileiros estao espalhados por drywall, pintura, telhado, acabamento e mao de obra de canteiro.

O presidente e CEO da ABC, Michael Bellaman, afirmou que a maior parte dessa necessidade de gente vem da aposentadoria de trabalhadores mais velhos, nao do crescimento de novos projetos. Ele listou as forcas que pressionam o setor ao mesmo tempo: o envelhecimento e a saida da forca de trabalho, a fiscalizacao de imigracao, o preco alto de materiais, as tarifas, a vacancia de escritorios e a chegada acelerada de novas tecnologias.

Quem segura o canteiro

A dependencia de mao de obra estrangeira nesse setor e estrutural. A Associated General Contractors of America (AGC) estima que cerca de 35% dos trabalhadores da construcao sao imigrantes. Reportagem da Construction Dive, publicada em abril, detalha que a fatia chega a 57% entre instaladores de drywall e a 53% entre telhadistas, e que em grandes regioes de construcao de casas a media de trabalhadores nascidos fora do pais passa de metade do total nos oficios.

O economista-chefe da AGC, Ken Simonson, resumiu o risco a Fortune: se a oferta de imigrantes for cortada, fica muito mais dificil para o setor preencher vagas. A mesma reportagem mostra a outra ponta do problema demografico: a geracao Z responde por apenas 14% da folha da construcao, enquanto millennials e a geracao X seguram 71% dos postos. Sem entrada de gente nova e com a porta de imigracao mais fechada, o buraco aumenta.

O dado que derruba a tese do emprego liberado

Quem defende a fiscalizacao costuma dizer que tirar o imigrante abre vaga para o trabalhador nascido nos EUA. Um estudo divulgado pelo National Bureau of Economic Research (NBER) aponta o contrario. As economistas Chloe East, professora associada da Universidade do Colorado em Boulder, e Elizabeth Cox analisaram dados da Current Population Survey de cerca de 59 mil domicilios e o registro de prisoes do ICE em 58 regioes do pais, no periodo de janeiro a outubro de 2025.

O resultado: nas regioes onde a fiscalizacao aumentou, o emprego entre imigrantes sem documento caiu 4%. Entre os trabalhadores nascidos nos EUA com no maximo ensino medio, o emprego ficou 1,3% menor. Na construcao, a queda de emprego para esse mesmo grupo de nativos chegou a 3%. A conta das autoras: para cada seis trabalhadores imigrantes homens perdidos, o mercado de trabalho perde tambem um homem nascido nos EUA.

East foi direta na conclusao do estudo: a atividade intensa do ICE esta prejudicando o mercado de trabalho como um todo, e nao ha evidencia de que esteja beneficiando o trabalhador nascido nos EUA. A explicacao economica e simples. Quando a empreiteira nao acha laborer, ela aceita menos servico e contrata menos gente no total — derruba a oferta de vaga em vez de transferir o posto ao nativo.

A imigracao liquida ja desabou

O pano de fundo e uma virada brusca no fluxo de gente. A Construction Dive registra que a imigracao liquida atingiu o pico de 2,7 milhoes no ano encerrado em julho de 2024, caiu para 1,3 milhao em 2025 e tem projecao de despencar para 321 mil em 2026. Estimativas citadas na reportagem chegam a apontar saldo negativo para 2025, ou seja, mais gente saindo do que entrando.

Para um setor que ja vinha com vaga sobrando, menos entrada de trabalhador significa obra mais lenta e mais cara. A Fortune relata o efeito pratico num projeto em Mobile, no Alabama: um atraso de tres semanas custou 84 mil dolares, com multa diaria de 4 mil dolares por dia parado. Esse tipo de custo nao some — ele e repassado adiante.

Por que isso chega ao seu aluguel

O encarecimento da obra bate na moradia, que ja esta apertada. A Fortune cita que 1,36 milhao de casas foram construidas em 2025, queda de 0,6% ante 2024, num pais que precisa de 3 a 4 milhoes de moradias alem do ritmo normal de construcao. Menos trabalhador e prazo mais longo significam menos casas entregues e preco mais alto.

Tony Payan, do Baker Institute da Universidade Rice, disse a Fortune que, diante da falta de mao de obra, da pressao por salario e dos estouros de custo, a empreiteira nao consegue absorver a despesa — e tudo acaba repassado ao consumidor. Para o brasileiro que aluga ou pensa em comprar, essa e a ponta visivel de um problema que comeca no canteiro.

O que o trabalhador brasileiro deve observar

O cenario tem dois lados. De um, a demanda por mao de obra qualificada na construcao segue alta, e quem tem oficio e documento em ordem tende a ter trabalho e poder de negociar salario. De outro, o medo da fiscalizacao esvazia canteiros mesmo entre quem tem autorizacao para trabalhar — a pesquisadora Elizabeth Cox observou que parte da queda vem da percepcao publica da atividade do ICE e do receio de aparecer no servico.

Vale acompanhar os numeros oficiais de emprego do Bureau of Labor Statistics, que sai todo mes, e entender que um deficit de 349 mil trabalhadores estimado pela ABC e, na pratica, demanda por gente. Quem trabalha na area deve guardar comprovantes de contratacao e pagamento e conhecer seus direitos no canteiro, porque o setor seguira disputando mao de obra nos proximos anos.

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