O Dimitriou's Jazz Alley, casa de jazz consagrada de Seattle, recebe a Sergio Mendes Band para quatro noites e seis apresentações entre 6 e 9 de agosto de 2026. A temporada integra a turnê que celebra os 60 anos do Brasil '66, o conjunto que projetou o maestro brasileiro no mercado americano em 1966 e levou a bossa nova e o samba às paradas dos Estados Unidos.
O detalhe que muda a expectativa de quem comprar o ingresso: Sergio Mendes não estará no palco. O músico morreu em 5 de setembro de 2024, aos 83 anos, em Los Angeles, em decorrência dos efeitos da Covid longa, segundo comunicado da família divulgado pela Associated Press e reproduzido por NPR e CBS News. Quem comanda o grupo agora é Gracinha Leporace, viúva e parceira vocal do maestro por mais de cinco décadas. A apresentação é um tributo: os músicos que acompanharam Mendes mantêm vivo o repertório dele.
Quem leva o show ao palco
Gracinha Leporace nasceu Maria da Graça Leporace, em Ipanema, no Rio de Janeiro, em 1950. Ela entrou para o Sergio Mendes & Brasil '66 em 1971, no lugar da cantora Lani Hall, e casou-se com o maestro em 1974. Pela contagem da própria banda, foram 54 anos como o centro do som vocal de marca de Mendes, ao lado da cantora americana Katie Hampton, que divide os vocais há 18 anos. As duas entregam o canto em tom reto, sem vibrato, que virou assinatura do grupo.
A formação que chega a Seattle reúne músicos que estiveram com Mendes. Além de Leporace e Hampton nos vocais, tocam André de Santanna (baixo), Leonardo Orofino Costa (bateria), Scott Mayo (teclados, sopros e direção musical), Kleber Jorge (guitarra e violão), Jamieson Trotter (piano) e Gibi dos Santos (percussão). O conjunto sustenta a base rítmica densa de bossa nova, samba, batucada e afro-samba que sempre cercou o maestro.
Em entrevista divulgada pela imprensa americana às vésperas da turnê, Leporace falou do que mais a impressionava no marido: "O que mais me surpreendia era que ele mantinha essas amizades por toda a vida. As pessoas se sentiam atraídas por ele porque ele era infinitamente curioso sobre a vida." A frase ajuda a explicar por que tantos músicos seguem juntos no projeto.
O legado que a turnê celebra
O marco do tributo é o álbum de 1966 que apresentou Sergio Mendes & Brasil '66 ao mundo e trouxe "Mas Que Nada", de Jorge Ben, na versão que se tornou clássico moderno da música brasileira. Mendes construiu sua ponte cultural adaptando composições dos Beatles para samba e bossa nova e apresentando a obra de Tom Jobim a plateias internacionais. O repertório do show mantém esses pilares, com "Mas Que Nada" no centro.
A carreira de Mendes acumulou mais de 35 álbuns e três prêmios Grammy, segundo as biografias divulgadas após sua morte. O alcance dele nas paradas americanas é histórico: foi o artista brasileiro com mais músicas no Top 100 dos Estados Unidos, 14 ao todo. Em 2006, regravou "Mas Que Nada" com o grupo Black Eyed Peas e vocais adicionais de Leporace, no álbum "Timeless", e a faixa virou um dos grandes sucessos daquele ano. Em 2012, recebeu indicação ao Oscar de melhor canção por "Real in Rio", do longa de animação "Rio".
Para o público brasileiro em Seattle e no estado de Washington, a temporada no Jazz Alley é uma chance rara de ouvir música brasileira de raiz tocada por um elenco com peso brasileiro, fora dos circuitos das grandes capitais. A turnê passou por Oakland, Miami, Nova Jersey, Boston e Omaha ao longo de 2026 e segue para Los Angeles em setembro, o que deixa a parada em Seattle como um dos poucos endereços do Noroeste do país.
Serviço: datas, horários e como reservar
As apresentações vão de quinta a domingo, 6 a 9 de agosto de 2026. O horário principal é às 19h30, de quinta a domingo, com um segundo show às 21h30 na sexta e no sábado. As portas abrem às 18h na quinta e às 17h30 de sexta a domingo. O Jazz Alley funciona como jazz club com jantar, em que o público assiste à mesa.
Reservas e informações pelo telefone do Jazz Alley, (206) 441-9729, ou pelo site da casa. Como a sala tem capacidade reduzida e o formato com refeição costuma esgotar nas atrações de maior procura, vale garantir mesa com antecedência, sobretudo nas sessões de sexta e sábado.
Quem busca contexto antes de ir encontra a obra de Mendes nas plataformas de streaming, do disco de 1966 às regravações dos anos 2000. O show não substitui o maestro, mas oferece à nova geração de imigrantes brasileiros a oportunidade de conhecer ao vivo um repertório que ajudou a definir como o mundo passou a ouvir a música do Brasil.
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