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Política

Trump assina duas ordens sobre carne bovina e diz que as 300 mil toneladas importadas vêm de Argentina e Brasil

As ordens de 4 de setembro mexem na inspeção sanitária, na fiscalização dos frigoríficos e mandam revisar a rotulagem de origem. O Departamento de Agricultura tem 60 dias para o primeiro relatório e três meses para a revisão do rótulo.

Redação Brazuca News 05 de September de 2026, 11:19 1 visualizações
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Trump assina duas ordens sobre carne bovina e diz que as 300 mil toneladas importadas vêm de Argentina e Brasil
Foto: Federico Arnaboldi / Pexels License

O presidente Donald Trump assinou na sexta-feira, 4 de setembro, duas ordens executivas que mexem na cadeia da carne bovina nos Estados Unidos: uma trata da vida financeira do pecuarista e da rotulagem de origem, a outra da inspeção sanitária e da fiscalização dos grandes frigoríficos. Na cerimônia de assinatura, ao falar das 300 mil toneladas de carne moída importada com tarifa reduzida, o presidente disse de onde vem o produto: "Está vindo da Argentina. Está vindo do Brasil. Está vindo de mais alguns lugares. Temos nossos inspetores lá."

A citação ao Brasil coloca o país no meio de uma disputa que já vinha esquentando em Washington. Segundo reportagem da Bloomberg publicada pela Transport Topics, a redução de tarifa sobre essas 300 mil toneladas irritou os pecuaristas americanos, e as ordens de sexta-feira são a resposta do governo à pressão do setor — sem abrir mão da importação.

O que cada uma das duas ordens determina

A primeira ordem, segundo a ficha técnica divulgada pela Casa Branca, manda o Departamento do Interior avaliar se o lobo cinzento e o lobo mexicano ainda preenchem os critérios de proteção da Lei de Espécies Ameaçadas, preparar recomendações legislativas para retirá-los da lista, atualizar os parâmetros de indenização por perda de rebanho e facilitar a autorização para abate de predadores. O mesmo texto encarrega o Departamento de Agricultura de revisar a rotulagem de origem da carne bovina e determina que o Representante de Comércio, o comissário da FDA e a administradora da SBA avaliem todas as regras que afetam o pecuarista.

A segunda ordem ataca a concentração do mercado. Ela manda o Departamento de Agricultura priorizar investigações sobre possíveis violações da Packers and Stockyards Act, a lei que regula a relação entre frigoríficos e criadores, e ampliar os recursos federais para essas apurações. Também cria um balcão único com um coordenador federal para ligar o produtor pequeno às opções de inspeção disponíveis e um programa de empréstimo batizado de "Strengthening Processing for U.S. Ranchers", voltado a frigoríficos pequenos e regionais.

Quatro empresas concentram 85% das compras

A própria Casa Branca sustenta a medida com um número: os quatro maiores frigoríficos de carne bovina respondiam por 36% das compras de gado há 40 anos e hoje respondem por 85%. O documento também registra que os Estados Unidos são o maior consumidor de carne bovina do mundo em volume e o segundo em consumo por pessoa.

A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, afirmou que duas das quatro grandes processadoras fecharam parte de suas operações nos Estados Unidos, o que abriu cerca de 20% do mercado para empresas de porte médio e cooperativas. Na cerimônia, Trump foi mais direto: "A indústria pecuária foi passada para trás por um monopólio de frigoríficos, o que provavelmente estamos resolvendo bem hoje, que derrubava o que os criadores ganham."

Rotulagem de origem: revisão, não obrigação imediata

Aqui está o ponto que mais interessa a quem compra carne no supermercado. A ordem manda o Departamento de Agricultura revisar a rotulagem de origem e, com base nessa revisão, o secretário pode propor novas regras e recomendações legislativas. A etiqueta obrigatória informando de que país veio a carne não passou a valer com a assinatura. A revisão tem prazo de três meses.

Trump declarou que pretende exigir rótulo de origem em toda carne bovina importada, segundo a Bloomberg. Uma exigência desse tipo depende de regulamentação e, em boa parte dos cenários, do Congresso — caminho mais lento do que a assinatura de sexta-feira sugere.

Venda direta e inspeção interestadual

O núcleo prático do pacote é permitir que o criador processe, embale e venda a carne direto ao consumidor, atravessando fronteira de estado sem passar pelos grandes processadores. Para isso, o texto pede a simplificação de três programas existentes: o State Meat and Poultry Inspection Program, o Cooperative Interstate Shipment Program e o Talmadge-Aiken Cooperative Inspection Program. O Departamento de Agricultura tem 60 dias para entregar um relatório avaliando a participação dos estados nesses programas e recomendando formas de ampliar o acesso ao mercado interestadual.

Zippy Duval, presidente da American Farm Bureau Federation, que acompanhou a assinatura, disse que a mudança ajuda o produtor pequeno e iniciante a crescer "por poder abater seus animais mais perto de casa e vender direto ao consumidor".

A dúvida sobre segurança do alimento

A parte da ordem que fala em modernizar a inspeção e retirar exigências descritas como desnecessárias não detalha quais são essas exigências. Trump garantiu que a fiscalização continua: "Eles vão ter inspeções. Vão ter inspetores como as grandes plantas têm."

Daniel Unruh, professor da Iowa State University, ponderou à KCRG que o país levou tempo para chegar onde chegou: "Nós montamos muitos sistemas para criar um dos abastecimentos de alimento mais seguros do mundo." O risco que ele aponta não é regulatório, e sim de confiança do consumidor durante a transição.

O que isso significa na compra da semana

Nada muda na prateleira agora. As duas ordens abrem processos administrativos: uma revisão de rótulo, um relatório sobre inspeção, um programa de empréstimo a ser montado. Nenhum desses passos derruba o preço no caixa nas próximas semanas. A carne importada continua entrando com tarifa reduzida, e é essa importação, não a ordem executiva, que o governo aponta como alívio imediato.

O que vem a seguir

Os próximos marcos já estão no calendário: o relatório de 60 dias do Departamento de Agricultura sobre inspeção interestadual e a revisão de três meses sobre rotulagem de origem. Até lá, a etiqueta que diria ao consumidor se aquele pacote veio do Brasil, da Argentina ou de um rebanho americano segue sendo objeto de estudo, não de obrigação.

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