O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece pela primeira vez numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numa simulação de segundo turno da Quaest. Na pesquisa divulgada nesta segunda-feira (14), encomendada pelo Grupo Globo, Flávio tem 42% e Lula, 40%. No mesmo dia, o levantamento BTG Pactual/Nexus trouxe o resultado inverso: Lula com 47% e Flávio com 46%.
As duas diferenças cabem na margem de erro de dois pontos percentuais. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, daqui a 20 dias, e os brasileiros que vivem nos Estados Unidos com o título transferido para o exterior também vão às urnas para escolher o presidente.
O que a Quaest mediu
A Quaest ouviu 2.004 eleitores em todo o país entre 10 e 13 de setembro. O nível de confiança é de 95%, e a pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03607/2026. Segundo o Poder360, o custo declarado foi de R$ 314.628, pago pelo Grupo Globo, que não divulgou a íntegra dos resultados.
No confronto entre Flávio e Lula, 13% dos entrevistados disseram que votariam em branco ou anulariam o voto, e 5% não responderam.
Na rodada da Quaest, feita entre 30 de agosto e 1º de setembro, a primeira do instituto no período oficial de campanha, Lula tinha 42% contra 41% de Flávio no segundo turno, segundo a Gazeta do Povo. Naquela pesquisa, o presidente também vencia as outras simulações: 40% a 34% contra Augusto Cury, 43% a 36% contra Renan Santos, 44% a 33% contra Romeu Zema e 42% a 37% contra Ronaldo Caiado.
A Quaest também testou Lula contra Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). De acordo com o Poder360, o presidente aparece empatado com esses adversários nas simulações.
Nexus devolve a vantagem numérica a Lula.
O levantamento BTG Pactual/Nexus entrevistou 2.003 pessoas entre 11 e 13 de setembro, também com margem de erro de dois pontos. No segundo turno, Lula soma 47% e Flávio, 46%.
Uma semana antes, na mesma pesquisa, a ordem era outra: Flávio tinha 46% e Lula, 45%. Segundo a Reuters, aquele tinha sido o melhor desempenho do senador no levantamento desde março.
Primeiro turno: Lula lidera nas duas pesquisas.
No cenário com todos os candidatos, Lula segue na frente. Na Quaest, o presidente tem 36%, Flávio Bolsonaro 31%, Augusto Cury (Avante) 7%, Ronaldo Caiado 4%, Renan Santos 4% e Romeu Zema 1%, segundo o Metrópoles.
Na rodada anterior da Quaest, de 30 de agosto a 1º de setembro, o cenário estimulado tinha Lula com 37%, Flávio com 30% e Cury com 10%. Na pergunta espontânea, sem lista de nomes, Lula aparecia com 28%, Flávio com 20%, e 42% dos entrevistados ainda não sabiam em quem votar, de acordo com a Gazeta do Povo.
Na Nexus, a distância no primeiro turno é maior: Lula tem 42% e Flávio, 37%. Cury aparece com 6%, Caiado com 5% e Renan Santos com 2%, de acordo com a Reuters.
Se nenhum candidato passar de 50% dos votos válidos em 4 de outubro, os dois mais votados disputam o segundo turno em 25 de outubro.
Rejeição empatada em 55%.
Os dois principais nomes da disputa têm a mesma rejeição na Quaest. Segundo o Poder360, 55% dos eleitores dizem que não votariam em Lula, e o mesmo percentual diz o mesmo sobre Flávio Bolsonaro.
Com a rejeição igual, nenhum dos dois leva vantagem nesse indicador na rodada divulgada nesta segunda.
Sudeste e eleitor independente puxam Flávio.
O avanço do senador na Quaest veio principalmente do Sudeste. Segundo o Metrópoles, a vantagem de Flávio sobre Lula na região passou de 2 pontos percentuais, na pesquisa de 5 de agosto, para 16 pontos agora.
Felipe Nunes, diretor-executivo da Quaest, destacou ao Metrópoles o salto de 2 para 16 pontos e lembrou que, por ser a região mais populosa do país, o Sudeste é onde os candidatos passam mais tempo de campanha.
Entre os eleitores que se declaram independentes, Flávio tem 36% e Lula, 26%. Em 5 de agosto, o senador estava atrás nesse grupo, com 30% contra 33% do presidente.
Como ler o empate técnico
Nas duas pesquisas, a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. A vantagem de dois pontos de Flávio na Quaest fica dentro desse intervalo, assim como a de um ponto de Lula na Nexus. Por isso a Reuters descreve os dois candidatos como estatisticamente empatados, e a imprensa brasileira fala em empate técnico.
A Reuters registra ainda que o bom desempenho de Flávio nas pesquisas recentes ajudou a valorizar ativos brasileiros, porque o senador é visto pelo mercado como mais favorável aos negócios.
O voto de quem mora nos EUA
Segundo o TSE, 918.876 brasileiros que vivem no exterior estão aptos a votar nas eleições deste ano. O eleitor cadastrado fora do país vota apenas para presidente e vice-presidente da República.
De acordo com o tribunal, as seções eleitorais no exterior ficam, na maior parte, em consulados e embaixadas do Brasil, mas também podem funcionar em hotéis, escolas e outros espaços. Os serviços eleitorais podem ser feitos pela internet, no Autoatendimento Eleitoral do portal do TSE.
O prazo para regularizar o título e votar no exterior terminou em 6 de maio, quando o cadastro foi fechado para a organização da eleição. Se houver segundo turno, a nova votação acontece em 25 de outubro.
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