A 83ª Mostra Internacional de Cinema de Veneza começa nesta quarta-feira, 2 de setembro, no Lido di Venezia, e vai até 12 de setembro. Entre os filmes selecionados está uma produção brasileira: "London", primeiro longa da dupla Victor Di Marco e Márcio Picoli, que disputa a competição da Semana Internacional da Crítica.
Veneza é a largada da temporada de premiações. Desde 2014, quatro filmes que passaram pelo Lido acabaram vencendo o Oscar de melhor filme: "Birdman", "Spotlight", "A Forma da Água" e "Nomadland". O que estreia ali em setembro costuma pautar a conversa até a cerimônia do ano seguinte.
O filme brasileiro
"London" é um drama brasileiro de 2026, com 90 minutos, dirigido por Victor Di Marco e Márcio Picoli. A história acompanha London, um jovem com deficiência que construiu a vida inteira em torno da própria independência e trabalha como dominador em uma casa de fetiche ao lado dos amigos Luke e Lilá.
O conflito começa quando ele recebe a oferta de uma consulta médica que promete explicar sua condição. A escolha do personagem é entre buscar respostas e proteger a própria identidade de ser reduzida a um diagnóstico.
O elenco reúne Victor Di Marco, Jéssica Teixeira, Pedro Bertoldi, Priscilla Colombi, Carla Cassapo, Manu Thedy e Emilio Farias. O filme tem três sessões marcadas: sábado, 5, às 9h, para imprensa e profissionais, na Sala Perla; domingo, 6, às 13h45, também na Perla; e segunda-feira, 7, às 19h30, na Sala Corinto.
Uma competição de sete filmes.
A Semana Internacional da Crítica chega à 41ª edição e é uma mostra paralela dedicada a primeiras obras. São sete longas em competição, sob direção artística de Beatrice Fiorentino, com comitê formado por Matteo Berardini, Marianna Cappi, Francesco Grieco e Marco Romagna. A seção corre nas mesmas datas da competição oficial, de 2 a 12 de setembro, e costuma funcionar como vitrine de estreantes que ainda não têm distribuição internacional fechada.
Para um longa de baixo orçamento, entrar nessa competição vale menos pelo prêmio e mais pelo endereço: durante onze dias, o Lido concentra compradores, programadores de festival e imprensa especializada do mundo inteiro. É ali que se define quem vai ver o filme depois.
Ao lado do brasileiro concorrem "El fin de los tiempos", de Bibiana Rojas Gómez e Juan David Cárdenas, e "Meteorito", de Sebastián Múnera, os dois da Colômbia; "The H@llow Man", do tunisiano Kamel Laaridhi; "Our Share of Sand", de Shalini Adnani, coprodução entre Índia, Reino Unido e Grécia; "Prima della guerra", de Tommaso Usberti, entre França e Itália; e "Fa xian zhi lü", do chinês Dong Jie. A seção abre com o italiano "Il Grande Giaffa", de Marco Santi, e fecha com "Rider", de Roan Johnson e Davide Pavanello.
Quem abre a mostra principal
A competição oficial, sob direção artística de Alberto Barbera, abre com "Ink", de Danny Boyle, sobre os primeiros anos de Rupert Murdoch no jornalismo, com Guy Pearce, Jack O'Connell e Claire Foy. Na véspera, nesta terça-feira, 1º, a Sala Darsena exibe a sessão de pré-abertura: "Col cuore in gola", de Tinto Brass, de 1967.
O júri principal é presidido pela atriz e diretora Maggie Gyllenhaal e tem Kaouther Ben Hania, Daniel Blumberg, Xavier Giannoli, Shahrbanoo Sadat e Johnnie To. George Clooney e Ellen Burstyn recebem o Leão de Ouro por conjunto da obra.
Os nomes que devem dominar o noticiário
Entre os 21 filmes da competição principal, alguns chegam com peso de temporada de prêmios. Martin McDonagh apresenta a comédia sombria "Wild Horse Nine", com Sam Rockwell e John Malkovich. Robert Pattinson vive o apresentador Chris Hansen em "Primetime". Penélope Cruz e Javier Bardem contracenam em "Bunker", de Florian Zeller. Werner Herzog dirige as irmãs Rooney e Kate Mara em "Bucking Fastard". E o sul-coreano Lee Chang-dong volta a filmar depois de oito anos com "Possible Love".
As duas polêmicas da edição
O governo da Ucrânia questionou a presença de "DAU", de Ilya Khrzhanovsky, na programação, por considerá-lo ligado ao Estado russo. Barbera rebateu dizendo que não se trata de um filme russo nem de propaganda a favor de Vladimir Putin.
A segunda queixa é numérica. Dos 21 filmes da competição principal, apenas um é dirigido por uma mulher: "Woman Unknown", de May el-Toukhi. A proporção voltou a colocar o festival sob crítica.
O que observar nas próximas semanas.
Para o público brasileiro nos Estados Unidos, o caminho de um filme como "London" costuma ser previsível: uma boa recepção em Veneza abre porta em festivais americanos e, depois, em plataformas de streaming, o percurso que trouxe outros títulos brasileiros recentes até as telas daqui. A premiação da Semana da Crítica sai no encerramento, em 12 de setembro.
Onde confirmar?
- La Biennale di Venezia, Biennale Cinema 2026, datas e programação oficial: labiennale.org/en/cinema/2026.
- Settimana Internazionale della Critica, "The 2026 line-up": sicvenezia.it/en/line-up/
- Settimana Internazionale della Critica, ficha do filme "London": sicvenezia.it/en/films/london/
- ABC News (via Associated Press), "Everything you need to know about the 2026 Venice Film Festival": abcnews.com/Entertainment/wireStory/2026-venice-film-festival-136081105
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