O diretor DJ Torres renunciou na quinta-feira (1º) à cadeira do Distrito 3 no conselho de educação das Escolas Públicas de Denver (DPS), a rede que atende o centro-leste da cidade. Ele mandou a renúncia por e-mail na manhã de quinta, com efeito imediato, e o conselho aceitou o pedido na reunião da tarde. A saída abre uma vaga que será preenchida por indicação, sem eleição, num momento em que o distrito pede aos eleitores de Denver um aumento de imposto na cédula de novembro.
Torres, conhecido como DJ, ficou menos de dez meses no cargo. Segundo o Chalkbeat Colorado, ele deixou o conselho cerca de três horas antes da reunião em que os colegas voltariam a discutir, pela terceira vez, uma lista de acusações de violação de regras feitas contra ele e contra a vice-presidente do órgão, Monica Hunter.
O que Torres disse ao sair
Em nota enviada ao Chalkbeat, Torres afirmou que "tempo e energia demais" foram consumidos por "conflito interno". Ele disse que concorreu porque acreditava que as escolas podiam fazer mais pelos alunos e que não se candidatou para passar horas em brigas pessoais nem para participar de "ciclos de acusação e resposta".
Na carta de renúncia, citada pela CBS Colorado, ele escreveu que encontrou um ambiente em que uma quantidade extraordinária de energia vai para o conflito entre adultos, e que já não via sentido em continuar investindo tempo ali. Torres também mencionou a saúde mental e a família. "Sou marido e pai em primeiro lugar", escreveu, segundo o Chalkbeat.
"Foi uma honra representar os moradores do Distrito 3 e servir os alunos, as famílias, os educadores e a comunidade das Escolas Públicas de Denver", escreveu Torres no e-mail de renúncia, segundo a KDVR.
As acusações que estavam na pauta
A presidente do conselho, Xóchitl Gaytán, acusou Torres no mês passado de não cumprir as obrigações do cargo. De acordo com o Chalkbeat, a lista inclui faltas a reuniões, a ausência numa conferência do conselho cujas despesas o distrito já tinha pago, a recusa em falar com Gaytán por telefone e uma suposta ordem não autorizada ao superintendente Alex Marrero para reconhecer um sindicato de funcionários da DPS.
Torres negou ter violado regras. Ele disse que a política do conselho "não exige presença perfeita", que faltou à conferência porque ficou sem quem cuidasse do filho e que devolveu ao distrito todas as despesas, menos a taxa de inscrição. Quanto ao sindicato, afirmou ter pedido apenas que Marrero seguisse uma política já existente.
Os atritos vinham de antes. Em março, segundo a Denver Gazette, Gaytán disse a Torres numa reunião que ele estava "fora de ordem", e ele respondeu: "Não, a senhora é que está fora de ordem". Em setembro, Torres e Hunter publicaram no Facebook um texto, depois apagado, em que pediam investigação independente e diziam que Gaytán não era a investigadora do conselho, relatou a KDVR.
Investigação contra a vice-presidente tem prazo de uma semana
Na mesma reunião de quinta, o conselho refez uma votação de duas semanas atrás e deu a investigadores externos só uma semana para apurar a acusação mais grave da lista: a de que Monica Hunter teria usado linguagem antissemita para se referir à colega Amy Klein Molk. Gaytán e o superintendente Marrero afirmam que ouviram a expressão em conversas separadas com Hunter, em dezembro e janeiro. Hunter nega. "Eu não falo assim e nunca diria isso sobre ela", disse ao Chalkbeat.
O relatório deve chegar até a reunião de 8 de outubro, quando o conselho decide se aplica uma censura pública a Hunter. A primeira proposta previa entrega em 7 de outubro, mas a diretora Kimberlee Sia considerou a data inadequada por coincidir com o aniversário do ataque do Hamas a Israel em 2023. A pedido de Hunter, o conselho ampliou por unanimidade a apuração para ouvir "quaisquer testemunhas necessárias", contra a vontade inicial de Gaytán, que queria só quatro entrevistas.
A investigação ficará com o escritório Holland & Knight, contratado depois de uma sessão fechada de 90 minutos. Segundo o Chalkbeat, a firma pode cobrar até US$ 1.000 por hora do conselho.
Como a vaga do Distrito 3 será preenchida
O conselho aprovou a resolução que declara a vaga e, pela lei estadual, tem 60 dias para indicar um substituto. Contado a partir de quinta (1º), o prazo termina no fim de novembro. A CBS Colorado, citando a Associação de Conselhos Escolares do Colorado, explica que, se os diretores não chegarem a um nome nesse período, a escolha passa para a presidente do conselho.
Quem for indicado precisa ser do Distrito 3, segundo a Denver Gazette, e fica na cadeira até a próxima eleição escolar, marcada para 2 de novembro de 2027, de acordo com a KDVR. O conselho também precisa escolher um novo tesoureiro, cargo que Torres ocupava. Até a publicação desta reportagem, a DPS não tinha divulgado como os interessados poderão se candidatar à indicação.
Quem compõe o conselho
O conselho da DPS tem sete integrantes eleitos para mandatos de quatro anos: dois representam a cidade inteira e cinco representam distritos específicos, segundo a CBS Colorado. Torres foi eleito em novembro de 2025 com apoio do sindicato de professores de Denver, a Denver Classroom Teachers Association, que também apoiou os outros três candidatos vitoriosos naquele ano. Na disputa pelo Distrito 3, ele derrotou Scott Esserman, que buscava um segundo mandato, informou a KDVR.
Ex-professor da DPS, Torres tem um filho na rede, segundo o Chalkbeat. Hunter também é ex-professora do distrito e trabalha hoje na Colorado Education Association, o sindicato estadual de professores. Gaytán apontou esse emprego como possível conflito de interesse, acusação que Hunter rejeita.
Uma sequência de crises
No ano passado, o diretor John Youngquist foi alvo de uma apuração encomendada pelo próprio conselho sobre acusações de viés feitas por Marrero e acabou recebendo censura pública, lembrou a Denver Gazette.
Marrero também esteve no centro das tensões. Em junho, o superintendente enviou ao conselho uma carta em que alegava violações do seu contrato, o que poderia permitir que ele saísse recebendo um ano de salário e benefícios, segundo a CBS Colorado. Em julho, ficou fora da lista de semifinalistas para comandar as escolas de Miami-Dade.
Por que isso importa para quem mora em Denver
A DPS é o maior distrito escolar do Colorado, e o conselho decide orçamento, contratos e a avaliação do superintendente. A crise acontece enquanto o distrito pede aos eleitores de Denver, na cédula de novembro, autorização para arrecadar cerca de US$ 44 milhões a mais em imposto sobre propriedade. A medida eleva de 25% para 29% o teto do chamado mill levy override, a taxa extra que os distritos podem cobrar com aprovação do eleitor.
Segundo a CBS Colorado, o dinheiro iria para aumentar o salário dos professores, ampliar o ensino técnico e profissionalizante e reforçar o atendimento de saúde mental aos alunos. O conselho aprovou por unanimidade, em agosto, levar a proposta às urnas.
O que vem a seguir
- 8 de outubro: prazo para o relatório da investigação sobre Monica Hunter e data em que o conselho decide se aprova a censura.
- Até o fim de novembro: o conselho precisa indicar o novo representante do Distrito 3. Se não houver acordo, a presidente faz a escolha.
- Novembro: eleição geral, com a proposta de aumento do imposto escolar da DPS na cédula de Denver.
- 2 de novembro de 2027: próxima eleição para o conselho escolar, quando a cadeira do Distrito 3 volta às urnas.
As reuniões do conselho são públicas, e as pautas ficam disponíveis no portal da DPS. Na sessão de 17 de setembro, os diretores abriram espaço para comentários do público sobre as acusações contra Torres e Hunter, segundo a KDVR.
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