Os eleitores do Colorado aprovaram a Emenda 87, que troca o imposto de renda estadual de alíquota única por um sistema de seis faixas. A Associated Press declarou o resultado às 10h49 desta sexta-feira (6), com 51,4% a favor e 48,6% contra, segundo o Colorado Sun. As novas regras valem para os anos fiscais a partir de 1.º de janeiro de 2027.
Hoje, todo contribuinte do estado paga 4,4% sobre a renda tributável. Com a mudança, o imposto fica mais baixo nos primeiros US$ 100 mil e mais alto acima de cerca de US$ 500 mil. O Colorado não tinha imposto progressivo desde 1986.
As novas faixas
Pelo cálculo publicado pelo Colorado Sun, as alíquotas ficam assim:
- 3,7% sobre a renda até US$ 25 mil;
- 4,2% de US$ 25 mil a US$ 100 mil;
- 4,4% de US$ 100 mil a US$ 500 mil (igual à de hoje);
- 7,4% de US$ 500 mil a US$ 750 mil;
- 7,9% de US$ 750 mil a US$ 1 milhão;
- 8,4% acima de US$ 1 milhão.
Como as faixas são progressivas, cada alíquota incide só sobre a parte da renda que cai naquele intervalo. Por isso, o corte nos primeiros US$ 100 mil beneficia também quem ganha mais.
Quanto muda no bolso?
Os exemplos calculados pelo Colorado Sun mostram o efeito por ano:
- US$ 75 mil de renda tributável: US$ 275 a menos de imposto;
- US$ 550 mil: US$ 1.175 a mais;
- US$ 10 milhões: US$ 376 mil a mais.
As mesmas faixas valem para o lucro das empresas. O jornal também esclarece que a emenda não cria imposto sobre o Social Security nem sobre benefícios de veteranos, ao contrário do que diziam anúncios da campanha contrária.
Para onde vai o dinheiro?
A arrecadação extra prevista é de cerca de US$ 2 bilhões por ano, destinada pela proposta à saúde, escolas públicas e creches, segundo o livreto oficial da eleição citado pelo Summit Daily. Com esse dinheiro, a Comissão Conjunta de Orçamento do Legislativo pode montar o próximo orçamento sem os US$ 1,6 bilhão em cortes que estavam na mesa, informou o Colorado Sun.
Chris deGruy Kennedy, um dos coordenadores da campanha, disse que não quer ver a verba usada só para manter os gastos atuais e citou como ideia um programa estadual de creche com mensalidade proporcional à renda da família. "Fomos grandes de propósito, porque acreditávamos que era preciso uma solução grande", afirmou.
A outra proposta foi derrotada.
Os eleitores rejeitaram a Proposição 136, apresentada pelo grupo conservador Advance Colorado, para travar a Emenda 87 com um teto de 4,4% no imposto de renda. Na contagem de terça-feira à tarde, publicada pelo Summit Daily, a 136 tinha cerca de 47,5% de votos favoráveis, com mais de 100 mil votos de diferença. A proposição NN, que libera o estado a gastar mais com educação em vez de devolver o excedente ao contribuinte pelas regras da TABOR, também passou.
Quem apoiou e quem foi contra.
O governador Jared Polis disse que a medida prejudica a economia, e o procurador-geral Phil Weiser, eleito governador na mesma votação, criticou a falta de clareza sobre como o dinheiro seria gasto, segundo o Colorado Sun. "Estamos extremamente decepcionados com a aprovação da Emenda 87", disse Loren Furman, da Câmara de Comércio do Colorado.
A campanha contrária gastou bem mais. A coalizão a favor, Protect Colorado's Future, arrecadou cerca de US$ 2,7 milhões; só o grupo "Don't Price Us Out" levantou mais de US$ 4 milhões contra, e o Keep Colorado Affordable, cerca de US$ 3 milhões para combater a 87 e apoiar a 136. "Esta campanha é histórica", disse a deputada estadual Lorena Garcia.
Com a mudança, o Colorado deixa a lista de 15 estados com imposto de renda de alíquota única. O governo federal, 27 estados e Washington, D.C., usam faixas progressivas, e oito estados não cobram imposto de renda, segundo o Summit Daily.
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