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Lula diz em Nova York que não aciona a Lei de Reciprocidade enquanto negocia tarifa com os EUA, e afirma que Trump prometeu não interferir na eleição

Na véspera de abrir a Assembleia da ONU, o presidente disse à CNN que o Brasil só adota contramedidas contra produtos americanos se a negociação falhar, e que há 'indícios' de uso de inteligência artificial na campanha. No mesmo dia, ele recebeu o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador Bernie Sanders.

Redação Brazuca News 21 de September de 2026, 21:11 1 visualizações
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Lula diz em Nova York que não aciona a Lei de Reciprocidade enquanto negocia tarifa com os EUA, e afirma que Trump prometeu não interferir na eleição
Foto: Mo Qian / Pexels License

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (21), em Nova York, que não pretende acionar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos enquanto a negociação sobre as tarifas estiver em curso. A declaração foi dada em entrevista à âncora Christiane Amanpour, da CNN Internacional, na véspera do discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, segundo o Estadão Conteúdo, o Poder360 e A Crítica.

"Eu sou muito cauteloso ao tratar do estabelecimento dessa legislação", disse Lula, conforme o Estadão Conteúdo. Se não houver acordo, o governo pode adotar contramedidas contra produtos americanos, acrescentou. Para quem vive nos Estados Unidos e sustenta família no Brasil, o recado reduz, por ora, o risco de uma escalada que encareceria os dois lados da relação.

A tarifa que continua valendo

Segundo a Estadão Conteúdo, os Estados Unidos impuseram tarifa de 25% sobre produtos brasileiros em 22 de julho e uma sobretaxa adicional de 12,5% em 24 de julho, alegando práticas comerciais desleais e fiscalização frouxa contra o trabalho forçado. Nada disso mudou nesta segunda. A novidade é o sinal do Brasil de não retaliar enquanto a mesa de negociação estiver aberta.

A Lei de Reciprocidade autoriza o governo brasileiro a responder a barreiras comerciais com medidas equivalentes. Lula disse à CNN que prefere não usá-la agora e condicionou qualquer contramedida ao fracasso das conversas.

"Ele já disse a muitas pessoas."

Sobre a eleição de 4 de outubro, Lula afirmou que o presidente Donald Trump garantiu a interlocutores que não vai interferir no processo brasileiro. "Ele já disse a muitas pessoas que não interferirá nas eleições brasileiras. E é bom que ele tenha dito isso", declarou, segundo a Estadão Conteúdo.

Lula contou que fez o pedido diretamente a Trump. "Eu falei para o Trump que é bastante importante para os EUA não interferirem nas eleições brasileiras, porque temos uma relação diplomática de mais de 200 anos", disse, conforme A Crítica.

Ao mesmo tempo, o presidente afirmou ver "alguns indícios de interferência, de uso de inteligência artificial" na campanha, sem detalhar os casos. O Poder360 registrou que ele não apresentou prova concreta. Ainda segundo o Poder360, Lula citou preocupação com a proximidade do secretário de Estado Marco Rubio com a família Bolsonaro e disse que o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, precisa de esclarecimento do governo americano.

'Age como um imperador'

Lula classificou o comportamento de Trump como de "viés muito forte em favor do unilateralismo" e chamou isso de "muito perigoso", de acordo com a Estadão Conteúdo e A Crítica. Ele também disse que o presidente americano "age como um imperador".

Sobre a disputa interna, Lula disse que a escolha do eleitor é entre "democracia ou barbárie" e afirmou ter certeza de que vai vencer. Ele chamou o campo do senador Flávio Bolsonaro de "negacionismo", segundo o Poder360, e disse que confia no resultado das urnas eletrônicas.

O que a pesquisa do dia mostra?

A pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda, ouviu 2.006 eleitores por telefone entre 18 e 20 de setembro, com margem de erro de dois pontos e registro no TSE sob o número BR-00485/2026. No primeiro turno, Lula tem 40% e Flávio Bolsonaro, 37%. No segundo turno, o placar é de 46% a 45%. Lula caiu de 42% para 40% no primeiro turno em relação à rodada anterior do instituto, e 84% dos entrevistados dizem que o voto já está decidido.

O primeiro turno é em 4 de outubro. Os Estados Unidos concentram o maior eleitorado brasileiro fora do país, e o tema da interferência externa tende a dominar a conversa nos consulados e nas redes nesta reta final.

Mamdani, Sanders e o presidente do Uruguai

Antes da entrevista, Lula cumpriu uma agenda de encontros na residência oficial do embaixador do Brasil na ONU, segundo o InfoMoney, o Metrópoles e a Agência Brasil. Por volta das 11h30 de Brasília, ele recebeu o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. Cerca de uma hora depois, teve audiência com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. No fim da tarde, encontrou o senador Bernie Sanders.

A reunião com Mamdani foi pedida pelo próprio prefeito, de acordo com o Planalto. Ele já havia tentado um encontro que não se concretizou. A pauta da conversa não foi informada, e o conteúdo dos encontros não havia sido divulgado até o fechamento desta matéria.

O Planalto informou que Lula recebeu cerca de 30 pedidos de audiência bilateral durante a estadia nos Estados Unidos e avalia quais são viáveis, segundo o Metrópoles e o SBT News. Ele chegou a Nova York na noite de domingo (20).

Sem bilateral com Trump.

Não há confirmação de encontro entre Lula e Trump em Nova York. O Itamaraty não confirmou nenhuma reunião, e aliados não descartam um contato informal nos bastidores da ONU, segundo o InfoMoney e o Estadão Conteúdo. Trump discursa logo depois de Lula na terça.

O que acontece na terça?

Lula abre o debate geral da 81.ª Assembleia Geral da ONU na manhã de terça-feira (22), em sua 11.ª participação. Segundo a Agência Brasil, o discurso deve tratar de multilateralismo, negociação como solução de disputas, direito humanitário, não interferência em assuntos internos e reforma do Conselho de Segurança. O InfoMoney acrescenta que ele vai falar do risco de interferência externa na eleição e defender a soberania.

Depois do discurso, o presidente encontra o secretário-geral da ONU, António Guterres, e volta ao Brasil por causa da campanha.

O que muda para o brasileiro nos EUA

  • A sobretaxa sobre produtos brasileiros continua em vigor. Não houve anúncio novo de tarifa nesta segunda.
  • O Brasil sinalizou que não vai retaliar enquanto negocia. Isso reduz, por enquanto, o risco de encarecimento de produtos americanos no Brasil e de nova rodada de tensão comercial.
  • A eleição é em 13 dias, e a pesquisa do dia mantém o empate técnico no segundo turno.

Onde confirmar?

  • Estadão Conteúdo (via Tribuna do Norte) · entrevista de Lula à CNN sobre Trump e a Lei de Reciprocidade.
  • Poder360 · Lula diz que eleições definirão "democracia ou barbárie".
  • A Crítica: Lula pede que EUA não interfiram nas eleições.
  • InfoMoney e Metrópoles: encontros com Sanders, Mamdani e Orsi.
  • Agência Brasil e SBT News · agenda de Lula na ONU
  • Nexus · pesquisa BTG/Nexus de 21 de setembro de 2026

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