As denúncias de golpes de imigração registradas na Comissão Federal de Comércio (FTC) dobraram, e o Departamento de Segurança Interna prepara uma ofensiva contra as quadrilhas que se passam por advogados, agentes do ICE e representantes de entidades assistenciais. Nos últimos cinco anos, a FTC calcula mais de 94 milhões de dólares roubados de imigrantes por esse tipo de fraude.
O roteiro é sempre o mesmo
O contato começa em anúncio pago no Facebook, no Instagram ou no TikTok, oferecendo ajuda com visto, green card, autorização de trabalho, renovação de documento ou defesa em processo de deportação. Depois das primeiras mensagens, a conversa migra para o WhatsApp — e é ali que o dinheiro é pedido.
Em troca, a vítima recebe petições de aparência convincente, às vezes protocoladas de fato, às vezes não. O prejuízo raramente para no valor pago.
O dano que não é o dinheiro
Quem segue orientação de golpista costuma perder prazo processual, deixar de comparecer a audiência ou tomar decisão que compromete o próprio caso. O resultado pode ser anos de atraso ou a perda definitiva do direito a um benefício migratório. Há registro de pessoas deportadas depois de contratar esse tipo de "serviço".
A armadilha da palavra "notário"
Boa parte da fraude se apoia num mal-entendido de tradução. Em vários países da América Latina, notario público é um profissional com formação jurídica. Nos Estados Unidos, notary public é apenas alguém autorizado a reconhecer assinatura — não pode dar orientação jurídica nem representar ninguém perante o USCIS.
A camada nova: rosto clonado por IA
O advogado de imigração Angel Leal encontrou centenas de vídeos gerados por inteligência artificial com a própria imagem, oferecendo ajuda pelo WhatsApp. O escritório precisou contratar uma empresa antipirataria para derrubar o conteúdo e mais de 6 mil perfis falsos.
Isso muda a regra prática de segurança: ver o rosto e ouvir a voz de um profissional conhecido num vídeo já não prova nada.
Como verificar antes de pagar
Nos Estados Unidos, só duas categorias podem representar alguém em processo de imigração: advogado licenciado por uma ordem estadual, ou representante credenciado por organização reconhecida pelo Departamento de Justiça. As duas listas são públicas e consultáveis de graça.
Quatro sinais de alerta valem para qualquer caso: cobrança para "furar fila" ou acelerar processo; promessa de resultado garantido; pedido de pagamento por aplicativo de transferência instantânea, cartão-presente ou criptomoeda; e recusa em dar recibo ou contrato por escrito.
Quem já pagou deve reunir prints das conversas, comprovantes de pagamento e cópia de qualquer documento protocolado, e denunciar à FTC e ao setor de investigações do Departamento de Segurança Interna. Denunciar não expõe o status migratório de quem denuncia.
Entidades como a Ordem dos Advogados americana, o Departamento de Estado de Nova York e o conselho da advocacia da Flórida emitiram alertas próprios nas últimas semanas.
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