Entrar
Brazuca News

A informação que conecta brasileiros e latinos nos EUA

Voltar
Economia

Expectativa do consumidor americano cai a 68,2 em agosto e fica abaixo da linha de alerta

O índice do Conference Board recuou para 89,4 em agosto. A avaliação sobre o presente melhorou, mas o componente que mede o que o americano espera dos próximos seis meses caiu 5,8 pontos e ficou bem abaixo da linha de 80.

Redação Brazuca News 26 de August de 2026, 11:20 1 visualizações
Compartilhar
Expectativa do consumidor americano cai a 68,2 em agosto e fica abaixo da linha de alerta
Foto: Nothing Ahead / Pexels License

A confiança do consumidor americano caiu pelo segundo mês seguido em agosto. O índice do Conference Board recuou 0,8 ponto e fechou em 89,4, contra 90,2 em julho, segundo a divulgação feita na terça-feira, 25 de agosto, às 10h de Nova York.

O número cheio esconde uma divisão dentro do próprio relatório. O americano avaliou melhor a situação atual e piorou a projeção do que vem pela frente. O índice é composto por dois blocos: um reúne a avaliação sobre negócios e mercado de trabalho hoje; o outro, o que o entrevistado espera de renda, negócios e emprego nos próximos seis meses.

Presente melhorou, futuro piorou.

O Índice de Situação Atual subiu 6,8 pontos e foi a 121,2 — o primeiro avanço depois de três quedas consecutivas. O Índice de Expectativas caiu 5,8 pontos e ficou em 68,2.

"A confiança do consumidor moderou levemente em agosto pelo segundo mês consecutivo", disse Dana M. Peterson, economista-chefe do Conference Board. Segundo ela, a avaliação sobre as condições atuais dos negócios foi "levemente positiva", enquanto os entrevistados se mostraram mais pessimistas sobre negócios e mercado de trabalho no semestre à frente.

Por que a linha de 80 importa?

O Conference Board trata leitura do Índice de Expectativas abaixo de 80 como sinal historicamente associado a recessão no ano seguinte. Em agosto, o indicador ficou 11,8 pontos abaixo dessa marca. Não é previsão de recessão; é o critério da própria instituição para classificar o humor do consumidor como deteriorado.

A contradição dentro do próprio relatório

Há um detalhe que complica a leitura pessimista. Apesar do Índice de Expectativas abaixo de 80, os entrevistados de agosto atribuíram probabilidade baixa a uma recessão nos próximos 12 meses. As duas respostas convivem no mesmo levantamento: o consumidor projeta condições piores de negócio e emprego, sem chamar isso de recessão.

Emprego: mais gente vendo vaga sobrando.

A parte do relatório sobre trabalho foi a que mais melhorou. A fatia de consumidores que classificou os empregos como abundantes subiu de 24,4% em julho para 27,0% em agosto. A que considerou emprego difícil de conseguir caiu de 21,7% para 19,5%.

A diferença entre as duas respostas — o chamado diferencial do mercado de trabalho, acompanhado de perto por economistas porque costuma andar junto com a taxa de desemprego — ficou em 7,5 pontos positivos, alta de 4,8 pontos percentuais em um mês.

A percepção sobre o momento atual dos negócios quase não mudou: 18,9% acharam as condições boas, ante 19,1% em julho, e 17,6% as classificaram como ruins, ante 17,9%. O que mudou foi a projeção. A parcela que espera piora nas condições de negócios nos próximos seis meses subiu de 21,6% para 23,1%.

O que o consumidor escreveu por conta própria

O levantamento deixa um campo aberto para o entrevistado apontar, com as próprias palavras, o que mais afeta sua visão da economia. Em agosto, preços em geral — e combustível em particular — dominaram as respostas. Também cresceram as menções à guerra e conflito, comida e supermercado, comércio exterior e emprego.

Essa parte do relatório não oferece alternativa pronta: o entrevistado escreve o que estiver incomodando. Combustível e supermercado apareceram no topo, mesmo com a avaliação do presente subindo, o que separa a queixa de preço da percepção sobre emprego — uma melhorou em agosto, a outra não.

Juro alto na conta de quem planeja.

61,3% dos entrevistados disseram esperar juros mais altos nos próximos 12 meses. A expectativa de inflação para o mesmo período ficou levemente elevada. Sobre bolsa, a maioria projetou preços em alta.

O que continua no carrinho

Os planos de compra não desabaram junto com as expectativas. A intenção de comprar automóvel seguiu firme na média móvel de seis meses. A de comprar casa recuou de leve, mas manteve a tendência de alta dos meses anteriores. Entre bens duráveis, móveis e celulares lideraram a lista do que os entrevistados pretendem comprar.

O que o relatório diz para quem vive de trabalho por hora?

Para quem vive de serviço, construção, limpeza ou transporte por aplicativo, o relatório de agosto separa duas coisas que costumam ser confundidas. A percepção sobre o emprego de hoje melhorou: mais gente vendo vaga sobrando, menos gente achando difícil conseguir trabalho. A projeção para os próximos seis meses piorou. É o consumidor americano dizendo que está razoavelmente bem agora e desconfiando do que vem depois.

Esse descompasso também aparece nos temas escritos à mão pelos entrevistados: preço de combustível e de supermercado seguem no topo da lista de queixas, mesmo com a avaliação do presente subindo.

O que observar a seguir:

O relatório é mensal, e o próximo retrato sai no fim de setembro. Os dois pontos a acompanhar são se o Índice de Expectativas volta acima de 80 e se a melhora na percepção sobre emprego se sustenta ou foi ponto fora da curva.

Comentários

Faça login para comentar

Entrar

Seja o primeiro a comentar!