O Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, reduziu na quarta-feira (16) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo, e a decisão saiu por unanimidade.
A data não é detalhe. Poucas horas antes, o Federal Reserve tinha subido o juro americano na direção contrária. As duas decisões no mesmo dia mexem no diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, uma das variáveis que o mercado olha para precificar o dólar, a moeda em que o brasileiro daqui recebe e da qual sai cada remessa enviada para casa.
O que o Copom decidiu
A redução de 0,25 ponto já era esperada por analistas do mercado financeiro, que precificavam esse tamanho de corte para a reunião. O Banco Central justificou a decisão citando a desaceleração da inflação e a moderação gradual da atividade econômica.
O comitê não se comprometeu com o passo seguinte. No comunicado, afirmou que “a magnitude total do ciclo de calibragem será estabelecida à luz de novas informações para assegurar a convergência da inflação à meta”, fórmula que deixa em aberto tanto a continuidade dos cortes quanto uma pausa.
O comunicado pede serenidade e cautela
O trecho mais duro do texto descreve o ambiente em que a decisão foi tomada. O cenário atual, diz o comitê, é “caracterizado por aumento significativo da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base”, o que “demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”.
Desancoragem de expectativas, no vocabulário do Banco Central, quer dizer que o mercado deixou de acreditar que a inflação volta à meta no prazo previsto. É por isso que o corte veio pequeno, de um quarto de ponto, e não maior.
A inflação projetada ainda está acima da meta
As expectativas de inflação colhidas pela pesquisa Focus e citadas no comunicado estão em 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027, as duas acima da meta. A projeção do próprio Copom para o primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante da política monetária, é de 3,2% no cenário de referência.
O dado de inflação corrente veio na semana passada e ajudou a sustentar o corte: o IPCA de agosto registrou queda de 0,32%, e o acumulado em 12 meses passou a 4,22%, dentro do teto de tolerância de 4,5%.
No mesmo dia, o Fed foi para o outro lado
Enquanto o Copom cortava, o Federal Reserve elevava o juro americano e levou o piso da faixa a 4%. Com os dois movimentos somados, a diferença entre os juros brasileiro e americano encolheu meio ponto de uma vez, de 10,25 para 9,75 pontos percentuais.
Esse diferencial é a remuneração extra que um investidor estrangeiro obtém ao aplicar em títulos brasileiros em vez de americanos. Quando ele encolhe, o incentivo para trazer dólar ao Brasil fica menor. É um dos fatores que o mercado acompanha na formação da cotação, ao lado do risco político doméstico e do humor global.
Como o dólar se comportou na semana
A cotação PTAX de venda, referência oficial do Banco Central, fechou esta quinta-feira (17) a R$ 5,1521. Na quarta, dia das duas decisões, ficou em R$ 5,1527.
No começo da semana o movimento foi mais largo: R$ 5,0918 em 11 de setembro, R$ 5,1696 na segunda-feira (14) e R$ 5,1484 na terça (15). A moeda oscilou cerca de oito centavos em cinco pregões e terminou a semana perto do ponto em que estava antes das reuniões.
O que isso significa para a remessa
Para quem manda dinheiro dos Estados Unidos, a conta é direta. Pela PTAX de venda desta quinta, uma remessa de US$ 500 equivale a cerca de R$ 2.576, e uma de US$ 1.000 a cerca de R$ 5.152, antes das tarifas e do spread cobrados pela casa de câmbio ou pelo aplicativo de transferência, que sempre trabalham com cotação diferente da oficial.
A variação de oito centavos vista nesta semana muda pouco mais de R$ 80 em uma remessa de US$ 1.000. Não é o tipo de oscilação que justifica correr para o aplicativo, mas é o suficiente para valer a pena comparar a taxa efetiva de dois ou três serviços antes de confirmar o envio.
Do lado de lá, o juro alto continua caro
Para quem tem dívida ou financiamento no Brasil, a Selic a 13,75% ainda é um patamar elevado, e cinco cortes de 0,25 ponto somam 1,25 ponto ao longo do ciclo. O efeito sobre crédito imobiliário, consignado e cartão chega com atraso e de forma desigual, porque cada linha tem sua própria formação de preço.
A próxima decisão é em 4 de novembro
O Copom volta a se reunir em 4 de novembro. Até lá, o comitê disse que prefere esperar a evolução dos dados macroeconômicos antes de indicar qualquer movimento. Nos Estados Unidos, as projeções do Fed apontam a possibilidade de mais uma alta ainda neste ano, o que manteria o diferencial de juros sob pressão nos dois sentidos.
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