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China condena fundador da Evergrande à prisão perpétua e aplica US$ 2,3 bilhões em multas ao grupo

Tribunal de Shenzhen sentenciou Xu Jiayin em 20 de agosto por fraude, suborno e apropriação de ativos, e condenou outras 56 pessoas, entre elas os dois filhos do empresário. A construtora acumulou cerca de US$ 330 bilhões em dívidas.

Redação Brazuca News 24 de August de 2026, 21:12 1 visualizações
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China condena fundador da Evergrande à prisão perpétua e aplica US$ 2,3 bilhões em multas ao grupo
Foto: Mike van Schoonderwalt / Pexels License

O Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen condenou, em 20 de agosto, Xu Jiayin, fundador da Evergrande, à prisão perpétua por fraude financeira, suborno e apropriação indébita de ativos da própria empresa. O grupo que ele ergueu chegou a ter 1.300 projetos em 280 cidades chinesas antes de desabar sobre uma dívida de cerca de US$ 330 bilhões.

A pena fecha o processo criminal em torno do maior calote imobiliário da história recente e marca o desfecho de uma crise que começou em 2021 e continua pesando sobre a segunda maior economia do mundo.

A sentença

Xu Jiayin, também conhecido pelo nome em cantonês Hui Ka Yan, tem 67 anos e se declarou culpado em abril de oito acusações. A lista inclui fraude na captação de recursos, captação ilegal de depósitos do público, emissão fraudulenta de valores mobiliários, divulgação irregular de informações e suborno.

Ao ler a decisão, o tribunal registrou que os valores envolvidos eram excepcionalmente altos e que as circunstâncias justificavam punição severa, dado o dano econômico causado. Todos os bens pessoais de Xu foram confiscados.

Receita inflada em cerca de US$ 80 bilhões.

A acusação central não é ter quebrado. É ter mentido enquanto quebrava. Entre 2016 e 2021, segundo o tribunal, a Evergrande e seus executivos praticaram fraude financeira contínua e em larga escala para inflar o valor dos ativos e esconder passivos dos investidores e do mercado.

A Hengda Real Estate, principal braço imobiliário do grupo, inflou a receita em mais de 560 bilhões de yuans — cerca de US$ 80 bilhões — nos exercícios de 2019 e 2020. Uma das técnicas era contabilizar a venda de apartamentos antes da entrega das unidades, o que empurrava para o balanço uma receita que ainda não existia.

Multas de US$ 2,3 bilhões

As penas financeiras vieram junto com a criminal. O grupo Evergrande foi multado em 8,82 bilhões de yuans, cerca de US$ 1,31 bilhão. A Hengda Real Estate levou multa de 7 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 1,04 bilhão. Somadas, as sanções contra as empresas chegam a US$ 2,3 bilhões.

Na prática, boa parte desse dinheiro dificilmente será recolhida: as duas empresas estão em liquidação e sem caixa para honrar credores muito mais antigos.

Mais de cinquenta condenados, incluindo os filhos

Xu não caiu sozinho. O mesmo tribunal condenou outras 56 pessoas ligadas ao caso, com penas que vão de um ano e dez meses a 18 anos de prisão, segundo a revista Exame. Entre os condenados estão executivos de primeiro escalão do grupo e os dois filhos do fundador, Xu Tenghe e Xu Zhijian.

A extensão da lista dá a medida do que Pequim quis sinalizar. Não se trata de punir um empresário isolado, e sim de responsabilizar toda a cadeia que manteve os números de pé por cinco anos.

Como a Evergrande chegou até aqui?

Fundada em 1996, a Evergrande cresceu vendendo apartamentos na planta e financiando novas obras com o dinheiro adiantado pelos compradores — um modelo que só funciona enquanto o crédito é barato e a demanda não para. Em 2020, o governo chinês apertou as regras de endividamento das construtoras e cortou o acesso do setor ao crédito fácil.

A companhia entrou em moratória em 2021, com passivos superiores a US$ 300 bilhões, e virou o símbolo da crise imobiliária chinesa. Em janeiro de 2024, um tribunal de Hong Kong determinou a liquidação do grupo, depois que a empresa não apresentou um plano de reestruturação viável.

Um setor que ainda não se recuperou

O imobiliário chegou a responder por uma fatia decisiva do crescimento chinês, e a queda da Evergrande arrastou o setor inteiro. Cinco anos depois do aperto regulatório, a construção segue como o ponto fraco da economia da China, com efeito sobre emprego, consumo interno e confiança dos investidores.

A sentença resolve a conta criminal, mas não devolve os apartamentos inacabados nem o dinheiro de quem comprou na planta. Esses processos correm em outra esfera, e a liquidação em curso define quem recebe o quê.

Por que isso importa fora da China?

Quem mora nos Estados Unidos sente esse tipo de notícia de forma indireta, mas real. A demanda chinesa por matéria-prima move o preço de commodities que o Brasil exporta em volume, e o ritmo da segunda maior economia do mundo entra na conta de quem decide juros e projeta crescimento global.

Para o brasileiro que acompanha o câmbio antes de mandar dinheiro para casa, a saúde da economia chinesa é uma das variáveis do pano de fundo. Não é a mais imediata — juros nos Estados Unidos e política interna brasileira pesam mais no dia a dia —, mas está no mesmo tabuleiro.

Onde confirmar?

  • ABC News (Austrália), "Evergrande founder sentenced to life in prison" (20/08/2026).
  • Fox Business, "China sentences founder of world's most indebted property developer to life in prison" (20/08/2026).
  • Exame: "1.300 projetos, US$ 330 bi em dívidas: fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua".

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