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Balsas de Seattle param com 23 faltas na casa de máquinas e Ferguson promete corrigir salário, mas sem dinheiro no orçamento agora

Na segunda 05/10, só 5 a 6 dos 18 barcos da Washington State Ferries operaram e a rota Seattle-Bainbridge parou. Em carta revelada na sexta 09/10, o governador Bob Ferguson prometeu atacar a diferença salarial dos engenheiros, disse que não há solução imediata e pediu que não haja nova interrupção.

Redação Brazuca News 11 de outubro de 2026, 16:32 2 visualizações
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Balsas de Seattle param com 23 faltas na casa de máquinas e Ferguson promete corrigir salário, mas sem dinheiro no orçamento agora
Foto: Josh Hild / Pexels License

A Washington State Ferries (WSF), o sistema de balsas do estado de Washington, teve na segunda-feira, 05/10, um dia sem paralelo na memória recente, segundo o porta-voz Justin Fujioka: 23 funcionários da casa de máquinas avisaram que estavam doentes, ninguém qualificado aceitou cobrir os turnos e rotas inteiras ficaram sem barco. Para quem mora do outro lado do Puget Sound, em Bainbridge, Bremerton, Vashon ou na Península de Kitsap, e trabalha em Seattle, o episódio expôs um risco que continua aberto, porque a disputa salarial que está por trás dele não tem solução no orçamento deste ano.

O serviço voltou quase ao normal na terça, 06/10. Na sexta, 09/10, uma carta do governador Bob Ferguson ao sindicato dos engenheiros, obtida pela rádio KIRO Newsradio e publicada pelo MyNorthwest, trouxe o compromisso de corrigir a diferença de salário, mas também um recado: o estado espera que não haja nova interrupção.

O que parou na segunda

Segundo o Departamento de Transporte do estado (WSDOT), citado pelo Washington State Standard, 13 dos 18 barcos da frota ficaram fora de serviço em algum momento da segunda. A KUOW, rádio pública de Seattle, registrou que apenas cinco dos 18 barcos estavam rodando naquele dia. No meio da tarde, segundo o Standard, eram seis.

Ficaram sem nenhuma travessia, ao menos por parte do dia, as rotas Seattle-Bainbridge, a mais movimentada do sistema, Edmonds-Kingston, o triângulo Fauntleroy-Vashon-Southworth e Port Townsend-Coupeville, que voltou à tarde quando uma vaga foi preenchida. De acordo com a revista do setor naval WorkBoat, a rota Seattle-Bainbridge parou depois da saída das 5h30 de Seattle, e Seattle-Bremerton e Mukilteo-Clinton passaram a funcionar com um barco só. No terminal de Clinton, a espera estimada para atravessar até Mukilteo chegou a três horas, segundo o Standard.

A regra que derruba as viagens vem da Guarda Costeira dos EUA, que exige um número mínimo de tripulantes na casa de máquinas em cada saída. Quando a vaga não é coberta, o barco não sai. Na segunda, a WSF informou que os substitutos qualificados recusaram os chamados.

A KUOW acompanhou o dia de Dominic Parker, que costuma atravessar de Southworth para Fauntleroy e seguir de bicicleta elétrica até o trabalho na FedEx, no centro de Seattle. Na volta, todas as saídas de Fauntleroy estavam canceladas. Ele pedalou de volta ao Colman Dock, no centro, para esperar um barco para Bremerton, e calculou um acréscimo de uma hora e meia a duas horas no trajeto. O passe mensal dele só vale para a rota Fauntleroy-Southworth, então pagou à parte os US$ 13 da travessia não planejada. "É muito estressante", disse à rádio.

A disputa por trás das faltas

O sindicato que representa os trabalhadores da casa de máquinas, a Marine Engineers' Beneficial Association (MEBA), com 417 engenheiros na WSF segundo o MyNorthwest, nega que tenha organizado as ausências. Em nota citada pelo Standard, a entidade descreveu as faltas como "um grito desesperado de socorro" de profissionais exaustos. Eric Winge, representante da MEBA no estado, disse à KUOW que ficou tão surpreso quanto todo mundo. A lei estadual proíbe servidores públicos, inclusive os das balsas, de fazer greve.

A queixa central é de pessoal e de hora extra. Segundo o sindicato, a tripulação das máquinas já tem escala de 84 horas por semana de sete dias. "Tenho associados fazendo 1.500 horas extras para manter os barcos em serviço", disse Winge à KUOW. Uma pesquisa com mais de 80 associados feita em junho, citada pelo Standard, mostrou que mais de 60% se diziam um pouco ou muito propensos a se aposentar ou trocar de emprego.

Há também a diferença de salário. Pelos contratos com o estado, os engenheiros ganham cerca de 20% menos que os comandantes, informou a KUOW. Os salários iniciais de engenheiro vão de US$ 130 mil a US$ 169.354 por ano, contra perto de US$ 203 mil para os comandantes. Os auxiliares da casa de máquinas, chamados de wipers e oilers, ganham de US$ 65 mil a US$ 70 mil. Nick Twietmeyer, auxiliar de máquinas do barco Spokane, afirmou em comunicado do sindicato, citado pelo MyNorthwest, que os salários da casa de máquinas ficaram 20% abaixo dos do convés e que ele mantém um segundo emprego nas semanas de folga. A WSF rebateu dizendo que o chefe de máquinas tem salário-base de US$ 157 mil e pode passar de US$ 350 mil por ano com hora extra.

O sindicato afirma que os barcos tinham uma pessoa a mais além do mínimo da Guarda Costeira e que esse reforço foi cortado no último contrato. Justin Fujioka, porta-voz da WSF, disse à KUOW que todos os turnos começam a temporada completos, mas que a maioria das funções é financiada no mínimo exigido.

O que Ferguson prometeu e o que ficou de fora

Na segunda, Ferguson disse que havia se reunido pela manhã com a liderança da MEBA e que estava comprometido em melhorar o quadro de pessoal. "Causar dano e transtorno significativos ao povo do estado de Washington não é a forma de tratar essas questões", afirmou, segundo o Standard. Ele cobrou todos os barcos em operação já na primeira saída de terça.

Na carta revelada na sexta, o governador escreveu que está comprometido em trabalhar com a MEBA para resolver as "diferenças salariais estruturais e as disparidades de remuneração" que afetam o pessoal das máquinas. "Diante dos desafios financeiros significativos do nosso orçamento de curto prazo, esse não é um problema que possa ser resolvido imediatamente", acrescentou. Ferguson encomendou uma nova pesquisa salarial para orientar a negociação do próximo verão e escreveu que, para manter uma parceria construtiva, "é imperativo que não haja novas interrupções do serviço".

O gabinete do governador disse à KIRO Newsradio que salário não poderá ser tratado na próxima sessão legislativa. O contrato atual vence em 30 de junho de 2027, segundo a KUOW. O seguinte, definido por arbitragem, vai de julho de 2027 a junho de 2029 sem aumento geral, mas abre a possibilidade de negociar salário para o segundo ano, informou o Standard.

Winge, da MEBA, falou à KIRO em otimismo renovado e disse que o momento marca "o começo de um bom diálogo, uma boa parceria".

Como se preparar se acontecer de novo

A própria WSF admite que o risco não é previsível. "Você pode avisar que está doente 24 horas antes ou cinco minutos antes", disse Fujioka ao Standard. "Há chance de preencher as vagas se soubermos mais cedo." No domingo, 04/10, a empresa já tinha começado a avisar que a falta de tripulação poderia reduzir ou suspender rotas na manhã seguinte, segundo a WorkBoat.

  • Alerta no celular. O WSDOT oferece alertas por mensagem de texto só para as balsas, e a operadora pode cobrar tarifa de mensagem e dados. A inscrição é feita na página de Route Alerts da WSF, com o número do telefone e a escolha da rota usada com frequência ou de todos os avisos. O WSDOT também envia avisos por e-mail pelo serviço GovDelivery.
  • Rota vizinha. Na segunda, a ligação Seattle-Bremerton seguiu com um barco e foi a saída de passageiros como Parker. A WSF orientou checar alertas e atualizações de rota antes de sair, segundo a WorkBoat.
  • Fast ferry. A Kitsap Transit acrescentou duas viagens matinais do fast ferry de Southworth para atender quem ficou sem balsa, informou o Seattle Times, citado pela WorkBoat.
  • Custo extra. O passe vale para uma rota específica. Trocar de rota no dia da interrupção pode significar pagar outra passagem, como os US$ 13 que Parker pagou até Bremerton.

O governo estadual tenta mostrar que o sistema melhorou. Segundo o gabinete de Ferguson, mais de 7 milhões de passageiros usaram as balsas neste verão, o maior número para a estação desde 2019, e a pontualidade subiu de 71,6% em 2024 para 79,8%. Na terça, o serviço voltou com poucas viagens canceladas e, até a quinta, 08/10, não havia sinal de nova onda de faltas, segundo a KUOW.

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