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Economia

A conta do mercado nao caiu: comida sobe 2,7% no ano e carne bovina segue em recorde nos EUA

A inflacao geral desacelerou em junho, mas o preco dos alimentos no varejo subiu 2,7% em 12 meses e a carne bovina bateu novo recorde. Veja por que o rebanho encolheu, o que o governo projeta ate o fim de 2026 e como segurar o gasto no supermercado.

Redação Brazuca News 21 de July de 2026, 20:48 2 visualizações
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A conta do mercado nao caiu: comida sobe 2,7% no ano e carne bovina segue em recorde nos EUA
Foto: Florencia Flores / Pexels License

O supermercado não entrou na onda de alívio que a inflação americana teve em junho. Os preços de alimentos comprados no varejo subiram 2,7% em 12 meses, e a comida como um todo (mercado mais restaurante) ficou 3% mais cara no mesmo período, segundo o Índice de Preços ao Consumidor do Departamento de Trabalho dos EUA. No mês, o item alimentos avançou 0,2%. Enquanto o número cheio da inflação recuou para 3,5% ao ano, puxado por energia, a cesta básica seguiu na direção oposta.

Para quem cozinha em casa em Denver ou em Seattle, o vilão tem nome: a carne bovina. O preço médio da carne moída bateu recorde, perto de US$ 6,90 a libra em abril, e o bife ficou em torno de US$ 12,80 a libra em maio, alta de 16% em um ano, de acordo com dados federais citados pela revista Fortune. Nos restaurantes, o preço da carne chegou a subir 27% em dois anos.

A raiz do problema está no campo, e não no caixa do mercado. O rebanho bovino dos EUA está no menor nível em 75 anos. Desde 2020, o país perdeu cerca de 8,2 milhões de cabeças de gado, uma queda de 8,6%, resultado de anos de seca e de custos altos que levaram pecuaristas a reduzir os plantéis. Menos gado significa menos carne no mercado, e menos oferta empurra o preço para cima.

A demanda também pressiona. "A procura do consumidor americano por carne bovina cresceu em cada um dos últimos dois anos, e essa força econômica tem o efeito de puxar os preços para cima", disse Glynn Tonsor, professor de economia agrícola da Kansas State University, à Fortune. Ele afirma que o aumento da procura pesa mais no preço do que a própria restrição de oferta.

O que o governo projeta até o fim do ano?

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) atualizou em 25 de junho suas projeções para 2026. A previsão é de alta de 3,2% para todos os alimentos e de 2,8% para a comida comprada no mercado. Alguns itens devem subir bem acima disso: carne bovina e vitela devem avançar 7,5% no ano; vegetais frescos, 7,7%; bebidas não alcoólicas, 5,7%; açúcar e doces, 6,9%. A carne suína aparece mais comportada, com previsão de 1,9%.

Há um ponto de fôlego. O USDA projeta que o ovo, que disparou nos últimos anos por causa da gripe aviária, deve fechar 2026 em queda expressiva. No índice de junho, porém, o ovo ainda subiu 4,3% no mês e os laticínios, 1,2%, sinal de que o alívio ainda não chegou por completo à prateleira. Restaurantes também seguem caros: comer fora ficou 3,4% mais caro em 12 meses.

Especialistas apontam um fator estrutural por trás dessas altas. "A mudança climática é um daqueles fatores inflacionários que vão ficar conosco", afirmou David Ortega, economista de alimentos da Michigan State University, à Newsweek. Secas prolongadas reduzem colheitas e encarecem a manutenção do gado, o que mantém a pressão sobre carne e vegetais.

Porque isso pesa no bolso do brasileiro.

A comida ocupa uma fatia grande do orçamento de quem está construindo vida nos EUA e manda dinheiro para casa. A cozinha brasileira é puxada pela proteína: o churrasco de fim de semana, a picanha, a carne moída do dia a dia. São justamente os cortes que mais subiram. Uma família que gasta US$ 150 por semana no mercado pode ver esse valor crescer dezenas de dólares ao mês só pelo reajuste da carne e dos vegetais.

O peso é maior para quem trabalha em setores de renda apertada, como limpeza, construção, restaurante e cuidado de idosos. Quando o salário não acompanha, cada alta no açougue vira menos margem no fim do mês ou menos remessa para a família no Brasil.

Como segurar o gasto no mercado?

Algumas trocas ajudam a aliviar sem cortar proteína. Confira caminhos práticos:

  • Troque o corte, não a proteína. Frango e carne suína subiram bem menos que a bovina na projeção do USDA. Coxa e sobrecoxa de frango, pernil e paleta de porco rendem pratos fartos por menos.
  • Compre em volume onde compensa. Costco, Sam's Club e os açougues de mercados latinos costumam ter carne moída e cortes grandes com preço por libra menor. Congele em porções.
  • Fique de olho no ovo. Com a projeção de queda para o fim do ano, o ovo tende a voltar a ser a proteína mais barata da geladeira.
  • Planeje o cardápio pela oferta. Monte as refeições da semana a partir do que está em promoção no folheto do mercado, não o contrário.
  • Use os apps de desconto. Cartões de fidelidade e cupons digitais de redes como King Soopers e Safeway (Denver) ou Fred Meyer e QFC (Seattle) rendem centavos por galão de combustível e cortes no total da compra.
  • Coma mais em casa. Com restaurante 3,4% mais caro no ano, marmita de casa segue sendo a economia mais previsível.

O próximo termômetro chega em 12 de agosto, quando o governo divulga o índice de preços de julho. Até lá, a leitura dos economistas é de que a comida deve continuar subindo mais devagar do que em 2025, mas sem devolver tão cedo o que já encareceu. Para o carrinho de mercado do brasileiro, a conta segue alta, e o corte bovino continua sendo o item que mais exige jogo de cintura no orçamento.

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