A Copa do Mundo foi embora de Seattle na noite de segunda-feira, com a goleada da Bélgica sobre os Estados Unidos encerrando o sexto e último jogo da cidade como sede. Fica agora a pergunta de quem mora aqui: valeu? Os números fechados da fase de grupos — e o retrato do último dia — dizem que sim, mas não igualmente para todos.
Os recordes
O transporte público fez história. Em 19 de junho, dia de EUA x Austrália, o light rail da Sound Transit levou 280 mil passageiros em um único dia — cerca de 60 mil acima do recorde anterior da agência, segundo a FOX 13. Junho virou o primeiro mês da história da Sound Transit com mais de 5 milhões de embarques, com cinco dias acima de 200 mil passageiros. Só nos dois primeiros jogos, Metro e Sound Transit somaram mais de 1,1 milhão de embarques.
Nas ruas, o comitê organizador local contabilizou 625.293 visitas ao Waterfront Park na fase de grupos — com recorde de 84.767 num só dia — e 750 mil visitas às celebrações oficiais de torcida. Pioneer Square recebeu quase 150 mil visitantes domésticos no dia de pico, com comércios reportando vendas até 10 vezes maiores que num dia normal. “Tem sido uma loucura, teve festa todo santo dia”, resumiu à KUOW Zachary Fajardo, que trabalha em bares na região do estádio. O Chinatown-International District ainda levou um recorde mundial do Guinness: o maior encontro de dim sum, com 830 participantes na South King Street.
O ganho que não chegou a todo mundo
O outro lado do balanço é geográfico. No próprio Chinatown-International District, quem está perto da estação de light rail da 5th Avenue lucrou — mas a 8th Avenue e Little Saigon “não viram o mesmo movimento”, contou à FOX 13 Tuyen Than, diretora da associação comercial do bairro. É a fotografia que interessa ao pequeno empreendedor brasileiro: o dinheiro do megaevento correu pelos trilhos e parou perto das estações.
A prefeita Katie Wilson reconheceu a conta desigual: “Daqui pra frente, temos que descobrir como levar essa vitalidade a todos os bairros”. A promessa vira régua para os próximos grandes eventos da cidade — e pauta a acompanhar na prefeitura.
O que fica
Para o morador, três legados práticos. Primeiro, a prova de operação: a cidade moveu multidões recordes por semanas sem colapso — argumento forte para futuras candidaturas a eventos (e para cobrar frequência de transporte no dia a dia, já que a Sound Transit demonstrou capacidade). Segundo, o fim imediato dos transtornos: bloqueios, zonas de pedestres e operações especiais no entorno do Lumen Field acabam com a saída da Copa. Terceiro, a discussão econômica aberta — autoridades estaduais chegaram a projetar centenas de milhões de dólares em impacto, número que ainda aguarda consolidação oficial.
A Copa segue sem Seattle — as quartas vão a Boston, Los Angeles, Miami e Kansas City até o dia 12, e a final é em Nova Jersey, no dia 19, ainda visível nos telões da cidade. Mas o capítulo local se fechou na segunda-feira à noite, com o Lumen Field esgotado e um bairro inteiro faturando — enquanto o vizinho, três quadras adiante, assistia de longe.
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