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Dólar fecha semestre a R$ 5,16 — o pior câmbio para quem manda dinheiro ao Brasil em anos — mas vira julho em alta

O real foi uma das moedas que mais se valorizaram no mundo no primeiro semestre, encolhendo em quase 6% o poder de cada dólar enviado ao Brasil. Junho inverteu o movimento e julho abriu com o dólar a R$ 5,21 — e os bancos se dividem sobre o resto do ano: a Nomad vê R$ 5,40; o Goldman chegou a projetar R$ 4,90.

Redação Brazuca News 06 de July de 2026, 19:15 5 visualizações
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Dólar fecha semestre a R$ 5,16 — o pior câmbio para quem manda dinheiro ao Brasil em anos — mas vira julho em alta
Foto: Tolga deniz Aran / Pexels License

Para quem ganha em dólar e sustenta família no Brasil, o primeiro semestre de 2026 teve um sabor amargo: o dólar fechou junho cotado a R$ 5,16, com o real acumulando valorização de 5,95% no ano — cada dólar enviado passou a virar quase 6% menos reais do que em janeiro, quando a moeda americana valia R$ 5,40. No pior momento para o remetente, em maio, o dólar chegou a bater R$ 4,90.

Julho, porém, abriu com o vento mudando de direção. No primeiro pregão do segundo semestre, o dólar subiu 0,92% e fechou a R$ 5,21, emendando a alta de 2,7% registrada em junho — o primeiro mês de recuperação consistente da moeda americana no ano, segundo o InfoMoney.

Por que o real foi campeão — e por que perdeu força

Até o começo de maio, o real liderava um ranking de 27 moedas monitoradas pela consultoria Elos Ayta, com alta acumulada de 10,7% sobre o dólar — à frente do dólar australiano e da coroa norueguesa. Os pilares, segundo o levantamento do Times Brasil: juros brasileiros muito altos (a Selic chegou ao semestre em 14,75%, contra 3,50% a 3,75% nos EUA), petróleo acima de US$ 100 e forte entrada de capital estrangeiro na bolsa.

O que mudou foi a matemática dos juros. O Copom iniciou o ciclo de cortes em março, a Selic já caiu para 14,25%, e o Federal Reserve endureceu o discurso do outro lado. “Dois fatores explicam o movimento: o tom mais hawkish do Fed e o estreitamento do diferencial de juros entre Brasil e EUA”, resume Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, ao InfoMoney. Somam-se as pressões domésticas apontadas pela CNN Brasil: os gastos do governo, que elevaram o juro real longo a 7,9%, e a incerteza da eleição presidencial de outubro.

Enviar agora ou esperar? Os bancos discordam

A pergunta que importa para o bolso do imigrante — o dólar vai continuar subindo? — divide as casas de análise. “Para o segundo semestre, vemos riscos capazes de reverter parte dos ganhos do real no ano”, avalia Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, cuja projeção é de dólar de volta a R$ 5,40 até o fim do ano. Se ela se confirmar, cada US$ 1.000 enviados renderiam cerca de R$ 190 a mais do que hoje.

Na outra ponta, o Goldman Sachs projetava em abril o dólar a R$ 4,90 em três meses, apostando nos termos de troca favoráveis e no carry trade elevado — e o banco segue com recomendação “overweight” para o Brasil, que chama de “o mercado de ações preferido na América Latina”. Já os estrategistas do BTG Pactual pregam cautela: “Há um cenário mais incerto pela frente e ausência de catalisadores claros de curto prazo”.

O que isso significa na prática

Para quem faz remessas regulares, a leitura do semestre é dupla. Quem precisou enviar todo mês pagou o preço do real forte. Quem tem flexibilidade encontrou em julho o melhor câmbio desde o início do ano — R$ 5,21 contra os R$ 4,90 de maio já é diferença de mais de R$ 300 a cada US$ 1.000.

O consenso entre os analistas ouvidos pela cobertura é que o segundo semestre tende a ser mais volátil, com a eleição de outubro como principal fonte de solavancos no câmbio. Para quem planeja uma remessa grande — compra de imóvel, reforma, reserva —, vale acompanhar a cotação com mais frequência nas próximas semanas em vez de fixar uma data no automático. E lembrete que segue valendo: remessas pagas em dinheiro vivo têm imposto federal de 1% desde janeiro; transferência eletrônica de conta americana está isenta.

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