A temporada de furacões do Atlântico de 2026 tende a ser mais fraca do que a média, segundo a previsão da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), divulgada em 22 de maio. A agência projeta de 8 a 14 tempestades com nome, das quais de 3 a 6 devem virar furacões e de 1 a 3 podem alcançar categoria maior, com ventos de 111 mph (cerca de 178 km/h) ou mais.
A NOAA estima 55% de chance de a temporada ficar abaixo do normal, 35% de chance de ela ser próxima da média e 10% de chance de ficar acima do normal. A agência diz ter 70% de confiança nessas faixas. Para efeito de comparação, uma temporada média do Atlântico registra 14 tempestades com nome, 7 furacões e 3 furacões de grande intensidade.
O fator que puxa os números para baixo é o El Niño. A NOAA espera que o fenômeno se desenvolva e se intensifique ao longo da temporada. Mesmo com águas do Atlântico um pouco mais quentes que o normal e ventos alísios mais fracos, o El Niño tende a aumentar o cisalhamento vertical do vento — a diferença de velocidade e direção do vento em alturas distintas —, o que atrapalha a formação e a organização dos furacões mais fortes.
A temporada oficial do Atlântico vai de 1 de junho a 30 de novembro. O pico costuma se concentrar entre agosto e outubro, ou seja, os meses de maior risco ainda estão pela frente para quem vive nos Estados Unidos neste momento.
Um segundo grupo de referência chegou à conclusão parecida. A Universidade Estadual do Colorado (CSU), cujas previsões sazonais são acompanhadas há décadas, atualizou seu prognóstico em 10 de junho e passou a esperar 11 tempestades com nome, 5 furacões e 2 furacões de grande intensidade. É uma redução em relação ao número de abril, quando a CSU projetava 13 tempestades e 6 furacões.
Os pesquisadores da CSU justificaram o corte pela maior probabilidade de um El Niño de intensidade moderada a forte no auge da temporada. A universidade também projeta probabilidade abaixo da média de um furacão de grande intensidade tocar o solo na costa continental dos Estados Unidos e no Caribe.
Aqui mora o alerta que os dois grupos repetem: previsão baixa não é sinônimo de risco zero. A CSU lembra que basta um furacão chegar à terra para tornar a temporada grave para quem está no caminho. Ken Graham, diretor do Serviço Nacional de Meteorologia, reforçou a mesma ideia ao comentar a previsão da NOAA.
"Embora o impacto do El Nino na bacia do Atlantico muitas vezes possa suprimir o desenvolvimento de furacoes, ainda existe incerteza sobre como cada temporada vai se desenrolar. Por isso e essencial revisar seu plano de preparacao para furacoes agora", disse Ken Graham.
As áreas costeiras concentram o maior risco de ventos extremos, quedas de energia e inundações por chuva e mar de tempestade, segundo o Ready.gov, o portal de preparo da FEMA. Mas o órgão adverte que o interior também não está seguro: vento, tempestades, alagamentos e apagões podem chegar longe do litoral. Para o brasileiro que mora em estados expostos, vale montar o preparo com antecedência, e não na véspera.
O que fazer agora: o guia prático.
Monte o kit de emergência. O Ready.gov recomenda estocar água na proporção de um galão (cerca de 3,8 litros) por pessoa por dia, para vários dias, para beber e higiene; comida não perecível para vários dias; um rádio a pilha ou de manivela e um rádio meteorológico da NOAA com alerta sonoro. Some a isso itens de higiene pessoal, remédios de uso contínuo, fórmula infantil, se houver bebê, e suprimentos para animais de estimação.
Revise seu seguro — e não deixe para depois. O Ready.gov alerta que apólices padrão de seguro residencial (de proprietário ou de inquilino) não cobrem enchente. A cobertura contra alagamento sai à parte, pela seguradora ou pelo Programa Nacional de Seguro contra Enchentes (NFIP), no site floodsmart.gov. Ponto crítico para quem está lendo agora: o seguro contra enchente só entra em vigor 30 dias após a contratação, então esperar a tempestade se formar não adianta.
Ligue os alertas. O aplicativo da FEMA envia avisos em tempo real do Serviço Nacional de Meteorologia para até cinco localidades nos Estados Unidos. Os Alertas de Emergência sem Fio (WEA), que chegam pelo celular, e o Sistema de Alerta de Emergência (EAS) funcionam sem cadastro. Vale a pena ainda assinar os alertas da comunidade onde você mora.
Faça um plano e cuide dos documentos. O Ready.gov orienta conhecer as rotas de evacuação, treinar o trajeto com a família e os animais e definir onde ficar, além de combinar como todos vão se comunicar durante e depois da tempestade. Para o imigrante, um cuidado extra pesa: manter passaporte, documentos de status migratório e papéis importantes em local seguro e à prova d'água, de preferência com cópias digitais, evita dor de cabeça caso seja preciso sair de casa às pressas.
Prepare a casa. A recomendação inclui recolher entulho e galhos do quintal, podar ou remover árvores que possam cair sobre a casa, limpar as calhas para escoar a água e fixar tanques de combustível para que não sejam arrastados por enchentes. O portal disponibiliza em ready.gov/kit uma lista impressa para levar ao mercado na hora de estocar os suprimentos.
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