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Golpes de imigração quase dobram nos EUA e miram vítimas por WhatsApp, Facebook e audiências falsas

Queixas de fraude contra imigrantes registradas na FTC saltaram de cerca de 960 para quase 2.000 por ano, com pelo menos US$ 94,4 milhões roubados em cinco anos. Golpistas usam anúncios pagos, falsos advogados e até fotos geradas por inteligência artificial.

Redação Brazuca News 05 de July de 2026, 01:52 2 visualizações
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Golpes de imigração quase dobram nos EUA e miram vítimas por WhatsApp, Facebook e audiências falsas
Foto: Gustavo Fring / Pexels License

As queixas de golpes de imigração registradas na Federal Trade Commission (FTC) quase dobraram desde a eleição de Donald Trump, segundo análise da ProPublica sobre mais de 6.200 reclamações enviadas à agência nos últimos cinco anos. De 2021 até a eleição de 2024, a FTC recebia cerca de 960 queixas por ano. Em 2025, foram quase 2.000. O prejuízo declarado passa de US$ 94,4 milhões no período, valor que a própria reportagem trata como subestimado, porque muitos imigrantes não denunciam por medo de deportação.

O motor da alta é o clima de medo criado pelas operações de fiscalização. Fraudadores exploram a pressa de quem tenta regularizar a situação antes de um possível encontro com agentes federais. "O maior fator é o desespero. "É isso que está impulsionando tudo", disse Chris Ross, da Catholic Charities, à ProPublica.

As fraudes mais recentes operam sobretudo em Facebook, Instagram e WhatsApp, com anúncios pagos, perfis de aparência profissional e marcas visuais que copiam escritórios de advocacia e organizações sem fins lucrativos de verdade. Segundo levantamento citado pela American Immigration Lawyers Association (AILA), cerca de um terço das agências da Catholic Charities relatou uso indevido do próprio nome por golpistas.

A organização das quadrilhas impressiona. Charity Anastasio, da AILA, resumiu o nível de sofisticação dos esquemas: "Eles montaram uma máquina muito bem azeitada". Parte das operações usa fotos de perfil geradas por inteligência artificial para dar rosto a advogados que não existem, um recurso que torna mais difícil desconfiar à primeira vista.

O roteiro costuma começar com a promessa de resolver o caso rápido. A AILA relata que vítimas são orientadas a pagar entre US$ 5.000 e US$ 30.000. Em seguida, os golpistas apresentam uma aplicação fraudulenta, não protocolam nada ou apenas fingem ter protocolado, e desaparecem depois de receber o dinheiro. Em um dos casos apurados pela ProPublica, pessoas que se passavam por oficiais do Departamento de Segurança Interna (DHS) arrancaram mais de US$ 600 mil de uma família, alegando que a identidade de um parente tinha sido roubada.

A "audiência" que não existe.

Um formato específico merece atenção porque imita o processo oficial. A FTC alertou, em dezembro de 2024, que criminosos se passam por advogados e por escritórios de imigração nas redes sociais. Vítimas relataram ter participado de reuniões virtuais no Zoom ou no WhatsApp com um suposto "oficial do USCIS" de uniforme, em uma audiência encenada. Alguns esquemas chegam a montar tribunais falsos, com pessoas se passando por juízes e cobrando pagamentos extras durante a farsa.

Nenhuma dessas cenas corresponde ao funcionamento real do governo. O U.S. Citizenship and Immigration Services (USCIS) informa que raramente entra em contato por e-mail e que, quando o faz, o endereço termina em .gov. A agência não comunica decisões de caso por mensagem de texto nem procura o requerente pelas redes sociais pessoais.

Os sinais de que é golpe

A forma de pagamento é o primeiro alerta. O USCIS e os tribunais de imigração dos EUA não pedem taxas em dinheiro vivo, Zelle, Venmo, Apple Pay ou criptomoedas, e não cobram por "favores especiais". Qualquer pedido nesse formato indica fraude. Nas denúncias reunidas pela FTC, os pagamentos costumam ser exigidos por Zelle, Western Union e cartões-presente comprados em lojas de varejo, justamente porque são difíceis de rastrear e reverter.

A promessa de resultado é o segundo sinal. "Nenhum advogado de verdade promete um resultado", afirmou Heather Ferbert, procuradora da cidade de San Diego, à ProPublica. Garantias de green card, permissão de trabalho ou cidadania "rápida e certa" não existem no processo real, que depende de análise caso a caso.

O endereço do site é o terceiro filtro. Páginas que imitam o governo usam nomes como "U.S. "Immigration", exibem bandeiras americanas e a Estátua da Liberdade, mas não terminam em .gov. Endereços que copiam o formato "uscis.dhs.gov" para parecer oficiais também aparecem em telefonemas e mensagens de golpistas que se dizem funcionários do USCIS ou do DHS.

Como confirmar quem é de verdade?

Checar o nome do advogado não basta. A AILA reforça que é preciso confirmar tanto a pessoa quanto a organização: verificar se o profissional realmente trabalha onde afirma e se a entidade citada existe. "Não é suficiente confirmar que alguém com o mesmo nome é um advogado licenciado ou um representante credenciado", diz a associação. Para isso, existem diretórios oficiais e gratuitos: a ferramenta "Find an Immigration Lawyer" da AILA, o diretório da CLINIC (Catholic Legal Immigration Network) e o do Immigrant Advocates Network. Representantes credenciados por órgãos reconhecidos pelo Departamento de Justiça também podem prestar assistência legal sem serem advogados.

A gravidade levou a uma resposta institucional ampla. Os procuradores-gerais da Califórnia e da Carolina do Norte emitiram avisos no fim de 2025, assim como a American Bar Association e a AARP. Quem cai em um desses esquemas, ou reconhece a abordagem, pode denunciar à FTC pelo site ftc.gov, disponível em inglês e espanhol. Registrar a queixa ajuda a mapear as quadrilhas, mesmo quando o dinheiro já foi perdido.

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