O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) realiza nesta segunda e terça-feira, 6 e 7 de julho, uma audiência pública em Washington para discutir a proposta de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. A sessão começa às 10h (horário de Brasília, 9h no Colorado e 8h em Seattle) na Comissão de Comércio Internacional dos EUA, na 500 E Street SW, e antecede a decisão final, prevista para até 15 de julho.
A medida tramita sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza o governo americano a impor sanções comerciais quando conclui que outro país adota práticas consideradas desleais. No caso brasileiro, o USTR aponta questões ligadas a comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas classificadas como preferenciais e injustas, aplicação de leis anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
O que está em jogo
A proposta prevê taxar em 25% os bens brasileiros que entram nos Estados Unidos, com algumas exceções. Segundo o portal InfoMoney, ficariam de fora da sobretaxa itens como algumas carnes, frutas, café, terras-raras e aeronaves. A audiência é uma etapa formal: representantes de organizações dos dois países podem se manifestar antes de o governo americano bater o martelo.
O governo brasileiro decidiu não falar oficialmente na audiência, avaliando que a negociação comercial deve seguir por canais formais entre os dois governos, envolvendo o Itamaraty, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e a embaixada brasileira em Washington.
Reação de Brasília
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, criticou a proposta e defendeu o diálogo. "Vamos trabalhar ininterruptamente para não implantar os 25% das tarifas, até porque não tem razão", afirmou, em declaração de meados de junho. Alckmin argumenta que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial com o Brasil.
O ministro também citou que a tarifa média cobrada pelo Brasil sobre produtos americanos é de 3,1% e que 8 dos 10 principais itens exportados pelos EUA ao país entram com tarifa zerada. Os números fazem parte do argumento oficial de que não haveria justificativa econômica para a sobretaxa.
Como se chegou até aqui
Esta é a segunda rodada de pressão tarifária de Washington sobre o Brasil em cerca de um ano. Em 2025, o então anunciado pacote incluiu uma tarifa de 50% sobre muitos produtos brasileiros, com uma penalidade adicional que a rede Al Jazeera vinculou ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA derrubou o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência (IEEPA), base legal daquela ofensiva mais ampla.
Sem esse instrumento, o governo americano passou a mirar o Brasil pela via da Seção 301, o que resultou na proposta atual de 25%. No comércio recente, os fluxos seguem próximos: em março de 2026, o Brasil comprou US$ 3,3 bilhões em bens americanos e exportou US$ 2,9 bilhões, o que deu aos EUA um superávit de US$ 420 milhões no mês, conforme a Al Jazeera.
Por que importa para quem vive em Denver e Seattle
Para a comunidade brasileira no Colorado e no estado de Washington, o desfecho não é assunto distante. Uma parte relevante da vida financeira de quem mora aqui passa pelo câmbio: o dinheiro enviado às famílias no Brasil, os dólares poupados para uma viagem ou um imóvel, o custo de produtos brasileiros comprados em mercados locais.
Disputas comerciais como essa entram no radar do mercado de moedas e ajudam a explicar oscilações do real. Um real mais fraco faz cada dólar remetido render mais em reais no destino, mas costuma vir acompanhado de mais incerteza para preços e negócios dos dois lados da fronteira.
Próximos passos
Depois da audiência de 6 e 7 de julho, o USTR tem até 15 de julho para decidir se aplica, ajusta ou arquiva a tarifa. O governo brasileiro segue apostando na negociação por canais diplomáticos para evitar a taxação. Quem envia remessas ou depende do câmbio deve acompanhar o resultado dessa janela e, ao transferir dinheiro, comparar as taxas cobradas por bancos e serviços, que costumam ser diferentes da cotação comercial exibida em tempo real.
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