O Colorado confirmou os primeiros casos humanos do vírus do Nilo Ocidental em 2026, e as autoridades de saúde do estado pedem que os moradores comecem a se proteger das picadas de mosquito imediatamente. O Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente do Colorado (CDPHE) anunciou no início de junho que um morador do condado de Jefferson testou positivo para o vírus, o primeiro caso registrado no estado neste ano. A infecção provocou sintomas neurológicos e levou o paciente à internação.
No fim de junho, o condado de Larimer, ao norte de Denver, confirmou seu primeiro caso de 2026 em um adulto morador de Loveland. O paciente foi hospitalizado e se recupera em casa. Segundo o condado, a pessoa pode ter sido infectada durante uma viagem para fora do Colorado, e nenhum mosquito coletado localmente havia testado positivo até aquele momento.
"A maioria dos casos humanos ocorre mais tarde no verão, mas este primeiro caso é um lembrete importante para começar a se proteger das picadas de mosquito agora", disse Tom Gonzales, diretor de Saúde Pública do condado de Larimer.
O alerta importa para quem mora ou viaja pelos Estados Unidos no verão. O vírus do Nilo Ocidental é a doença transmitida por mosquito mais comum no país, e o Colorado foi um dos estados mais afetados na temporada passada. A picada de um mosquito infectado é a forma quase exclusiva de transmissão; o vírus não passa de pessoa para pessoa pelo toque ou pela convivência.
O que aconteceu em 2025
A temporada de 2025 foi uma das piores da história recente do Colorado. O CDPHE registrou cerca de 285 casos humanos no estado, um aumento de 275% em relação ao mesmo período de 2024, segundo o departamento. Metade dos pacientes apresentou sintomas neurológicos, e mais da metade precisou de internação. Dezessete pessoas morreram em decorrência do vírus no estado ao longo do ano.
A maior parte dos casos se concentrou no norte do estado. Os condados de Larimer, Boulder, Weld e Adams somaram 152 das infecções de 2025, cerca de 53% do total, de acordo com o CDPHE. O Colorado registrou o maior número de casos entre todos os estados americanos naquele ano.
O quadro nacional também piorou. A Associação Médica Americana informou que as mortes por vírus do Nilo Ocidental nos Estados Unidos subiram 32% em 2025 na comparação com o ano anterior. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) contabilizaram quase dois mil casos humanos no país ao longo da temporada.
Quem corre mais risco
A maioria das pessoas infectadas pelo vírus não fica doente. Cerca de uma em cada cinco desenvolve sintomas leves, como febre, dor de cabeça, dores no corpo e cansaço, segundo o CDC. Em uma fração menor, o vírus ataca o sistema nervoso e causa a chamada doença neuroinvasiva, com meningite ou encefalite, que pode deixar sequelas e levar à morte. Entre os pacientes que chegam a esse quadro grave, cerca de um em cada dez não sobrevive.
O risco de doença grave é maior para adultos com 55 anos ou mais, pessoas com o sistema imunológico debilitado e quem tem doenças crônicas, segundo o condado de Larimer. Não existe vacina nem tratamento específico contra o vírus do Nilo Ocidental em humanos, o que torna a prevenção a única defesa real.
Como se proteger: os quatro "D"
O CDPHE resume a prevenção em quatro medidas simples, conhecidas em inglês como os quatro "D":
- Drenar (Drain): elimine água parada ao redor de casa. Mosquitos põem ovos em qualquer recipiente com água acumulada, como baldes, vasos de planta, calhas entupidas, pneus e bebedouros de pássaros. Esvazie e vire esses objetos pelo menos uma vez por semana.
- Vestir (Dress): use camisas de manga comprida e calças soltas ao ficar em áreas com mosquitos.
- Amanhecer e entardecer (Dusk and dawn): evite atividades ao ar livre no começo da manhã e no fim da tarde, quando os mosquitos transmissores do vírus ficam mais ativos.
- Repelente (DEET): aplique repelente registrado pela agência ambiental americana (EPA). Os mais eficazes contêm DEET, picaridina, IR3535 ou óleo de eucalipto-limão.
O CDC acrescenta uma quinta proteção: manter telas íntegras em janelas e portas, ou usar ar-condicionado com as janelas fechadas, para impedir a entrada dos mosquitos dentro de casa.
O pico ainda está por vir
O período de maior transmissão no Colorado costuma ir de julho a setembro, com a maior parte dos casos surgindo na segunda metade do verão. Por isso, as autoridades insistem que junho é o momento de adotar os hábitos de proteção, antes de a população de mosquitos crescer.
O condado de Larimer lançou um painel de vigilância on-line, atualizado toda semana, com os resultados dos testes em mosquitos, os indicadores de risco local e o histórico de casos humanos. O monitoramento de mosquitos no condado começou em junho. Outros condados e o CDPHE também publicam dados de vigilância ao longo da temporada, o que permite a qualquer morador acompanhar o risco na própria região.
A orientação vale para toda a comunidade, independentemente de status migratório. Proteger-se de picadas, esvaziar recipientes com água parada e usar repelente não exige documento, plano de saúde nem dinheiro, e reduz o risco de uma doença que, no ano passado, matou 17 pessoas só no Colorado.
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