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Copom corta a Selic a 14,25%, na 3ª queda seguida: o efeito no seu dinheiro e nas remessas ao Brasil

O Banco Central reduziu a taxa básica de juros para 14,25% ao ano em 17 de junho, o terceiro corte consecutivo de 2026. Para o brasileiro que mantém conta, aplicações ou parentes dependentes no Brasil, a decisão mexe no rendimento da poupança, no custo do crédito da família e no câmbio — com o dólar fechando a R$ 5,18 e o real liderando a valorização entre as principais moedas no ano.

Redação Brazuca News 27 de June de 2026, 00:35 3 visualizações
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Copom corta a Selic a 14,25%, na 3ª queda seguida: o efeito no seu dinheiro e nas remessas ao Brasil
Foto: cottonbro studio / Pexels License

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano em 17 de junho, um corte de 0,25 ponto percentual ante os 14,50% anteriores. Foi a terceira queda consecutiva dos juros em 2026, segundo a Agência Brasil. A decisão chega num momento em que muitos brasileiros nos Estados Unidos acompanham de perto o que acontece com o dinheiro que deixam aplicado no Brasil ou enviam para a família.

O movimento dá sequência a um ciclo de afrouxamento monetário que o próprio Copom já vinha sinalizando. A taxa, que serve de referência para todo o crédito e para boa parte das aplicações de renda fixa no país, vinha de 14,50% após o corte de abril e agora recua mais um degrau. No comunicado, o comitê afirmou que o tamanho total do ajuste dependerá dos próximos dados econômicos, sem se comprometer com um ritmo fixo de cortes.

O que muda na poupança e nas aplicações

Para quem mantém dinheiro parado em caderneta, o efeito imediato é pequeno, mas vale entender a mecânica. A regra do Banco Central define que, enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) — o que equivale a cerca de 6,17% ao ano somados à TR, conforme explicam Santander, Stone e Nubank em seus materiais sobre o tema. Como 14,25% segue muito acima desse piso, o rendimento da poupança não muda com este corte específico.

O recado é outro: a renda fixa atrelada à Selic, como o Tesouro Selic e boa parte dos CDBs, rende um pouco menos a cada queda dos juros. Quem aplicou esperando os 14,50% de antes verá o retorno acompanhar a nova taxa. Ainda assim, com a Selic em dois dígitos altos, aplicações pós-fixadas continuam pagando bem acima da poupança — uma diferença que pesa para quem deixa reservas no Brasil enquanto vive no exterior.

O cenário aponta para mais cortes adiante. O Boletim Focus, que reúne projeções de economistas do mercado, indica a Selic encerrando 2026 ao redor de 13,5% ao ano, segundo análise do Banco Safra. Se a trajetória se confirmar, o rendimento das aplicações pós-fixadas tende a cair de forma gradual ao longo do segundo semestre, o que reforça o argumento de quem prefere travar taxas em títulos prefixados ou de inflação enquanto os juros ainda estão elevados.

O crédito da família e a inflação ainda alta

Do outro lado, a Selic menor barateia, aos poucos, o crédito no Brasil. Financiamentos, empréstimos e o rotativo do cartão tendem a ficar marginalmente menos caros conforme os bancos repassam a queda — um alívio para o parente que carrega dívida ou pensa em financiar algo. O repasse, porém, costuma ser lento e parcial, então não se trata de uma mudança que aparece no extrato da noite para o dia.

A cautela do Copom tem motivo. A inflação segue acima da meta, que é de 3% com margem de 1,5 ponto para cima ou para baixo (teto de 4,5%). As projeções do Focus citadas pela Agência Brasil apontam o IPCA em 5,30% para 2026 e 4,10% para 2027, ambas fora da meta no caso deste ano. O próprio comitê admitiu que a inflação só deve convergir ao alvo no primeiro trimestre de 2028.

Os dados mais recentes ajudam a explicar o ânimo cauteloso. A prévia da inflação de junho, medida pelo IPCA-15, ficou em 0,41%, abaixo dos 0,62% de maio, com alta acumulada de 4,8% em 12 meses, conforme divulgou o IBGE e noticiou a CNN Brasil em 25 de junho. Alimentos e habitação responderam por cerca de dois terços do resultado mensal. A desaceleração na margem deu folga ao Banco Central, mas a inflação em 12 meses ainda ronda o teto da meta.

O câmbio e a hora de mandar dinheiro

Para quem envia remessas, o ponto mais sensível é o câmbio. O dólar fechou a R$ 5,18 em 25 de junho, em queda de 0,39% no dia e recuo de 5,62% no acumulado do ano, segundo a CNN Brasil. Em termos práticos, o real mais forte significa que cada dólar enviado se converte em menos reais do que valeria com a moeda americana mais cara — o oposto do que beneficia quem remete.

O movimento não é pontual. O real foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar entre as principais divisas do mundo em 2026, com a americana acumulando baixa superior a 10% no ano, conforme levantamento da InfoMoney. Entre os fatores citados estão a melhora dos termos de troca do Brasil, a recuperação dos ativos de risco e o juro alto, que ainda atrai capital estrangeiro via carry trade — justamente o tipo de ganho que cortes sucessivos da Selic tendem a reduzir com o tempo.

É aí que a decisão do Copom se conecta ao bolso de quem manda dinheiro. Juros menores no Brasil, combinados com taxas mais altas por mais tempo nos Estados Unidos, reduzem o apelo de aplicar em reais e, em tese, tendem a aliviar a pressão de valorização sobre a moeda brasileira. Analistas divergem sobre o rumo: parte do mercado projeta o dólar recuando ainda mais no curto prazo, enquanto outros apostam que o fim do ciclo de cortes pode dar fôlego à moeda americana.

Para o planejamento de quem vive nos EUA, a leitura é direta. Quem precisa enviar valores agora encontra um câmbio menos favorável do que no início do ano, quando o dólar valia mais reais. Já quem tem flexibilidade pode acompanhar o noticiário das próximas reuniões do Copom e os dados de inflação dos dois países, já que cada decisão de juros mexe nessa balança. Vale lembrar que projeções de mercado mudam toda semana e não garantem o comportamento futuro do câmbio.

A próxima reunião do Copom definirá se o ciclo de cortes continua no mesmo ritmo. Com a inflação ainda acima da meta e o comitê insistindo que vai decidir "dado a dado", o caminho da Selic — e, indiretamente, do rendimento e do câmbio que afetam o brasileiro no exterior — segue dependendo dos números que vierem pela frente.

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