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Trégua com o Irã derruba o petróleo, mas a gasolina em Denver e Seattle cai devagar — entenda por quê

O acordo preliminar que encerra a guerra EUA-Israel contra o Irã levou o petróleo ao menor nível desde antes do conflito, e o preço médio nos postos já recuou em Colorado e Washington. Mas analistas avisam que a gasolina só deve voltar aos valores pré-guerra em 2027 — e explicam por que o alívio chega mais lento que a notícia.

Redação Brazuca News 27 de June de 2026, 00:15 3 visualizações
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Trégua com o Irã derruba o petróleo, mas a gasolina em Denver e Seattle cai devagar — entenda por quê
Foto: Ekaterina Belinskaya / Pexels License

O preço do petróleo despencou ao menor patamar desde antes da guerra EUA-Israel contra o Irã depois que os dois lados assinaram um acordo preliminar para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz. O Brent, referência global, fechou em torno de US$72,68 por barril em 25 de junho, e o WTI, referência americana, caiu para cerca de US$69,58 — abaixo de US$70 pela primeira vez desde 27 de fevereiro, um dia antes de a guerra começar, segundo a CNBC e a CNN.

Para o brasileiro que mora em Denver ou Seattle e depende do carro para trabalhar, a notícia parece dinheiro de volta no bolso. E parte já chegou: o preço médio do galão de gasolina comum recuou nas duas cidades nas últimas semanas. Mas há uma armadilha de expectativa. Analistas que acompanham o mercado de combustível avisam que o consumidor americano talvez só veja a gasolina nos valores anteriores à guerra em 2027 — mesmo que a trégua se mantenha.

O que já caiu no posto perto de você

Os números da AAA mostram o movimento em curso. O preço médio nacional do galão de gasolina comum estava em US$3,90 em 26 de junho, contra US$4,49 um mês antes — uma queda de quase 58 centavos por galão. A média nacional voltou a ficar abaixo de US$4 pela primeira vez desde 30 de março, encerrando quase quatro semanas seguidas de recuo.

No Colorado, a média estadual estava em US$3,75 o galão em 26 de junho, ante US$4,62 um mês antes. Na área metropolitana de Denver, onde mora boa parte da comunidade brasileira, o galão saiu por US$3,59 — também abaixo dos US$4,63 de um mês atrás. Quem abastece em Denver paga hoje cerca de US$1 a menos por galão do que pagava no auge da guerra.

Em Washington, a conta é mais pesada. O estado segue entre os mais caros do país: a média estadual estava em US$5,24 o galão em 26 de junho, e a região de Seattle-Bellevue-Everett marcava US$5,56. Mesmo assim, houve alívio: a média de Washington estava em US$5,76 um mês antes. Para quem enfrenta os longos deslocamentos da Grande Seattle, cada centavo a menos no galão conta no fim do mês.

Por que o petróleo cai rápido e a gasolina não

O barril de petróleo é negociado em bolsa e reage em minutos a uma manchete. A gasolina no posto depende de uma cadeia física — extração, transporte em navios, refino e distribuição — que leva semanas ou meses para se reorganizar depois de uma guerra. É essa defasagem que explica por que a conta no posto não cai na mesma velocidade do noticiário.

O acordo em si é recente. EUA e Irã assinaram um memorando de entendimento que entrou em vigor com efeito imediato em meados de junho, com o Irã se comprometendo a reabrir o Estreito de Ormuz e os EUA a suspender o bloqueio naval, segundo a Al Jazeera. O estreito é a passagem por onde transita parte enorme do petróleo mundial; com o fechamento, cerca de 14 milhões de barris por dia — perto de 14% da demanda global — saíram do mercado durante o conflito.

Reabrir essa torneira não é instantâneo. Mais de 500 navios ficaram represados esperando para cruzar o estreito. Em operação normal, passam cerca de 135 embarcações por dia; durante a guerra, a média caiu para 10. Mesmo com o tráfego voltando — o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que ao menos 20 milhões de barris saíram do estreito nas 24 horas anteriores a 25 de junho —, há fila e desova lenta da carga acumulada.

Há ainda o tempo de viagem. "Os petroleiros levam meses para chegar ao destino final", disse Mark Jones, da Rice University, à Al Jazeera, estimando o início do outono americano para a recomposição dos estoques. As refinarias que foram desligadas por precaução podem voltar a 95% da capacidade em 40 a 60 dias, segundo Bader Nooruddin, da Vitol Bahrain, mas instalações danificadas demoram bem mais.

O que esperar nos próximos meses

O consenso dos analistas é de paciência. "Pode levar muitos meses, se não mais de um ano, para os estoques globais de petróleo se recuperarem aos níveis pré-guerra", disse Patrick De Haan, da GasBuddy, à Al Jazeera. Tom Seng, professor de finanças de energia da TCU, foi na mesma linha à KERA News: "Neste momento, eu ficaria muito surpreso se víssemos os preços do petróleo e da gasolina nos níveis pré-guerra por pelo menos um ano."

Três fatores seguram o alívio. Primeiro, os estoques: as reservas estratégicas dos EUA estão no menor nível desde 1983, e produtores hesitam em religar poços antes de ter certeza de que a paz vai durar. Segundo, os gargalos portuários e a fila de navios no Golfo. Terceiro, a demanda de verão: a AAA estima que um número recorde de americanos deve viajar no feriado de 4 de julho, com 85% dos viajantes planejando pegar a estrada — mais procura pressiona o preço justamente quando a oferta ainda se recompõe.

Há também uma incógnita do lado iraniano. Seng lembra que ainda não se sabe se o Irã vai cobrar pedágios ou taxas administrativas para liberar a passagem, o que poderia encarecer parte do petróleo que volta ao mercado. E retomar exportações em escala depende de o país religar produção e exportação a um "nível normal" — algo que não se faz da noite para o dia.

Para o brasileiro que calcula o orçamento do mês em torno do carro, a leitura prática é direta: o pior já passou e a tendência de queda é real, mas não conte com a gasolina dos valores de fevereiro tão cedo. Em Denver, o galão abaixo de US$3,60 já é um respiro concreto. Em Seattle, onde a média supera US$5,50, o alívio existe, porém menor — e quem puder planejar abastecimentos, comparar postos pelos aplicativos e agrupar deslocamentos longos vai sentir mais a diferença do que quem só espera o preço cair sozinho até o ano que vem.

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