O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil. O anúncio partiu do representante comercial Jamieson Greer no início de junho e fecha uma investigação aberta em julho de 2025 sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Segundo o USTR, práticas brasileiras seriam "irracionais" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA". A lista de queixas é longa: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico (com o Pix no centro), tarifas preferenciais que o Brasil concede a México e Índia, combate insuficiente à corrupção, proteção fraca à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
No capítulo digital, o USTR cita ordens judiciais brasileiras que obrigaram empresas americanas de redes sociais a remover conteúdo político e suspender perfis, às vezes em escala global, sob pena de multas e restrições a sistemas de pagamento. No etanol, a reclamação remonta a 2017, quando o Brasil encerrou um tratamento tarifário equilibrado para o produto americano.
Para quem vive nos EUA e acompanha o bolso de longe, a lista de isenções importa tanto quanto a sobretaxa. Ficam de fora café, carne bovina, terras raras, certos metais e minerais, energia e petróleo bruto, aeronaves e peças, frutas, castanhas, compostos farmacêuticos, químicos orgânicos e fertilizantes. Na prática, parte relevante do que o Brasil mais vende aos EUA escapa da tarifa proposta.
O caminho até a decisão tem etapas marcadas. O prazo para pedidos de participação na audiência terminou em 22 de junho. Comentários por escrito podem ser enviados até 1º de julho, e a audiência pública está agendada para 6 de julho, em Washington. O prazo legal para o governo americano bater o martelo é 15 de julho de 2026 — uma data que, segundo o governo brasileiro, ainda poderia ser estendida.
O Brasil resiste e tenta negociar. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou os argumentos americanos como ilegítimos e os tratou como interferência em assuntos internos somada a protecionismo unilateral. Brasília sustenta que sua tarifa média sobre importações americanas é de apenas 2,7% e lembra que os EUA mantêm superávit comercial com o país, o que enfraqueceria a tese de que empresas americanas estariam sendo prejudicadas.
Há uma linha vermelha declarada. O governo afirma que o Pix "não entra em qualquer negociação com Washington" e busca um entendimento restrito a questões tarifárias e comerciais, sem outras pautas, resistindo a demandas americanas mais amplas, como acesso a terras raras. O próprio Greer reconheceu o impasse: "continuamos a ter divergências substanciais", disse, ao confirmar que as conversas seguem até o prazo.
A disputa toca diretamente a renda do brasileiro nos EUA por um caminho indireto: tensões comerciais costumam mexer no câmbio entre real e dólar, e mudanças na cotação alteram o valor das remessas enviadas para o Brasil e o custo de viagens e compras lá. Vale acompanhar o desfecho de julho antes de programar transferências grandes ou planejar gastos atrelados ao dólar.
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