O governo brasileiro recebeu, na quinta-feira (18 de junho), mais um voo de brasileiros repatriados dos Estados Unidos. Foram 68 pessoas que desembarcaram por volta das 20h10 no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG), segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Foi o terceiro voo do tipo apenas em junho — os anteriores chegaram nos dias 4 e 11.
Para a comunidade brasileira no Colorado e em Washington, o tema é próximo: muitos desses retornos começam com uma detenção do ICE, e cada voo separa famílias entre os dois países. Quem tem um parente detido pode tomar passos concretos, e é o que esta matéria detalha mais adiante.
O que aconteceu
De acordo com o MDHC, o grupo que chegou em 18 de junho era formado majoritariamente por homens que viajavam sozinhos — 58 homens e 5 mulheres desacompanhados —, além de quatro pessoas que retornaram com familiares e duas crianças de até 4 anos. A idade média era de 36 anos. O acolhimento integra o programa Aqui é Brasil, criado em 2025 para receber de forma humanizada quem volta ao país em situação de retorno forçado.
Na chegada, os repatriados recebem alimentação, kits de higiene, apoio psicossocial, atendimento médico e psicológico, além de orientação e ajuda para o deslocamento até suas cidades de origem. O MDHC coordena a operação em parceria com o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores), os ministérios do Desenvolvimento Social, da Saúde e da Justiça, a Polícia Federal, a Defensoria Pública da União e a Organização Internacional para as Migrações, entre outros.
Carlos Ricardo, coordenador do programa Aqui é Brasil, relatou que uma das cenas marcantes da chegada foi a de uma família que esperava um parente com a camisa do Brasil e até vuvuzela. Segundo ele, era \"a maior festa para receber seu familiar que retornava ao país\".
Por que o ritmo dos voos aumentou
O voo de 18 de junho foi a 56ª operação de acolhimento de repatriados desde a criação do programa, que já recebeu mais de 4.500 brasileiros, segundo o MDHC.
A frequência dos voos vem subindo: passou de mensal para quinzenal e, mais recentemente, chegou a um ritmo quase semanal. Para efeito de comparação, dados reportados pela CNN Brasil mostram que, em cinco anos (2020 a 2024), 94 voos trouxeram 7.637 brasileiros deportados — média bem menor do que a observada no período recente.
O que fazer se você tem um familiar detido
Independentemente da situação migratória, todo brasileiro detido nos EUA tem direito de entrar em contato com a rede consular do Brasil. Os consulados prestam assistência a detidos e a seus familiares e podem servir de ponte de comunicação quando a pessoa detida não consegue ligar diretamente para casa.
Para quem vive na região atendida pelo Brazuca News, anote a jurisdição: o Colorado é atendido pelo Consulado-Geral do Brasil em Houston (que cobre Texas, Colorado, Novo México, Oklahoma, Kansas, Arkansas e Louisiana), e há um consulado honorário em Denver. O estado de Washington é atendido pelo Consulado-Geral do Brasil em San Francisco, que também cobre Oregon e Alasca. Para localizar uma pessoa sob custódia, o ICE mantém um sistema eletrônico de busca de detidos. Em caso de relato de maus-tratos, acione o consulado de jurisdição com os dados completos do detido e o comprovante de parentesco.
A orientação geral de defensores de imigrantes continua valendo: tenha à mão o contato do consulado, oriente familiares a não assinarem documentos que não entendem e busque apoio jurídico antes de qualquer decisão sobre retorno voluntário. Sob pressão, conhecer seus direitos é a proteção mais firme.
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