A Netflix lança na quarta-feira (23) Habeas Corpus, série brasileira de oito episódios que a própria plataforma apresenta como o primeiro drama jurídico da Netflix Brasil. Marjorie Estiano e Any Gabrielly lideram o elenco. O primeiro episódio foi exibido para convidados na quinta-feira (17), na Pinacoteca de São Paulo, em evento seguido de conversa com as protagonistas.
Para quem assina a Netflix nos Estados Unidos, o título já aparece no Tudum, o site oficial da plataforma em inglês, na lista de estreias da semana de 18 a 24 de setembro, com data de 23 de setembro. A descrição em inglês resume a trama como a de uma professora de Direito renomada que lidera um grupo de alunos para provar a inocência de um homem condenado.
A história
Marjorie Estiano vive Inez, advogada criminalista que deixou os tribunais e hoje dá aula de Direito. Segundo reportagem da Folhapress publicada pelo Estado de Minas, ela se afastou depois de um incidente traumático durante um julgamento e quer reparar um possível erro num caso em que atuou e que teve ampla cobertura da imprensa. Para isso, reúne alunos para rever a condenação de um jovem que pode ser inocente.
Any Gabrielly interpreta Marina, a aluna mais brilhante do grupo. De acordo com a Netflix e com o Omelete, ela se aproxima de Inez por um motivo pessoal: reparar uma injustiça que marcou a própria família. A pergunta que atravessa a série, nas palavras da plataforma, é se todos têm de fato o mesmo acesso à Justiça.
A trama se passa numa faculdade de Direito. "Como a USP, que é onde a gente faz a nossa série", contou Any Gabrielly à Folhapress. O Terra descreve a produção como uma mistura de tensão de tribunal com melodrama e relações pessoais complicadas.
Inspirada em casos reais,
O roteiro parte de casos reais e do trabalho do Innocence Project Brasil, organização que investiga e tenta reverter condenações injustas. No site oficial, a ONG se apresenta como a primeira entidade voltada especificamente às condenações de inocentes no país.
A organização relata, por exemplo, a primeira absolvição que conquistou: a de um homem condenado em novembro de 2016 a 27 anos de prisão e solto em março de 2018, depois de 11 meses preso. Outro caso descrito é o de um condenado a 17 anos apenas com base num reconhecimento feito de forma ilegal, inocentado pelo Superior Tribunal de Justiça em dezembro de 2021, após quase seis anos na cadeia.
Segundo a Folhapress, as atrizes conversaram com integrantes da ONG durante a preparação, e a produção manteve um consultor jurídico no set.
O paralelo nos Estados Unidos
O nome e o modelo têm origem americana. O Innocence Project foi fundado em 1992 pelos advogados Peter Neufeld e Barry Scheck, e afirma ter ajudado a libertar mais de 250 pessoas inocentes da prisão, segundo a própria entidade. As fontes consultadas não indicam vínculo formal entre a organização americana e a brasileira.
O que dizem as protagonistas?
No lançamento em São Paulo, Marjorie Estiano ligou a série à realidade do país. "Habeas Corpus fala sobre um erro judicial, mas também fala da nossa sociedade, dos nossos problemas e da nossa realidade", disse, segundo a Tela Viva. À Folhapress, a atriz, de 44 anos, afirmou que o roteiro trata "da nossa desigualdade, do racismo, dos privilégios".
Any Gabrielly, de 23 anos, conhecida desde cedo como cantora do grupo pop Now United, falou da personagem. "A Marina, dentro da sociedade, é uma personagem vulnerável", disse. Ela também contou que fazer o vocabulário jurídico soar natural foi "uma grande aventura". As duas se emocionaram ao ver pela primeira vez o episódio finalizado, relatou a Folhapress.
Quem está por trás
A direção geral é de Luiz Villaça, que criou a série com Leonardo Moreira e Donna Oliveira. Villaça divide a direção dos episódios com Flávia Lacerda, e a versão final do roteiro é de Leonardo Moreira, segundo a Netflix.
A produção é da Café Royal, com produção executiva de Adriana Tavares. A produtora fez o longa 45 do Segundo Tempo, também dirigido por Villaça e estrelado por Tony Ramos.
O elenco divulgado pela Netflix inclui ainda Felipe Ricca, Hipólyto, Luiza Gabus, Naruna Costa, Nicolas Lee, Paula Cohen, Pedro Roza, Renata Gaspar e Tato Gabus Mendes. Vladimir Brichta e Natália Lage estiveram no evento de lançamento, de acordo com a Tela Viva.
Do anúncio à estreia.
A Netflix anunciou o projeto em dezembro de 2025, ainda com Habeas Corpus como título provisório. As primeiras imagens e o pôster saíram em agosto, e o trailer foi divulgado em 1º de setembro, em São Paulo, segundo a plataforma e o Terra.
A exibição do primeiro episódio na Pinacoteca, na manhã de quinta, teve mediação de Adriana Couto e reuniu parte do elenco e os dois diretores, informou a Tela Viva.
Na mesma semana
A série chega a uma semana cheia de lançamentos na plataforma. Na lista do Tudum, Habeas Corpus divide o dia 23 com Wonka's The Golden Ticket. A mesma semana traz My Sad Dead, dirigido por Pablo Larraín.
Para o brasileiro nos Estados Unidos, a data a guardar é quarta-feira, 23 de setembro, quando Habeas Corpus entra no catálogo junto com os outros títulos da semana listados pelo Tudum.
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