O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu na madrugada de segunda-feira, 5 de outubro, a totalização do 1º turno da eleição presidencial: o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou em primeiro, com 56.104.503 votos (47,03% dos válidos), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou em segundo, com 53.879.538 votos (45,16%), segundo os números publicados pela CartaCapital. Como nenhum dos dois passou da metade dos votos válidos, os dois voltam a se enfrentar no domingo, 25 de outubro, e o brasileiro que tem título eleitoral no exterior, inclusive nos EUA, também é chamado de novo às urnas.
A diferença entre os dois ficou em 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual. A semana que se seguiu à votação trouxe o primeiro apoio declarado no 2º turno, a primeira pesquisa Datafolha da nova etapa e uma manifestação do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o resultado.
O placar oficial do 1º turno
Os outros dez candidatos somaram, juntos, menos de 8% dos votos válidos. Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro lugar, com 3.448.569 votos (2,89%). Segundo a CartaCapital, é a menor porcentagem para um terceiro colocado em eleições presidenciais desde 1989. Na sequência vieram Renan Santos (Missão), com 2,24%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 2,18%. Romeu Zema (Novo) teve 0,27%, e os demais candidatos ficaram abaixo disso.
Compareceram às urnas 125.275.835 eleitores, de um total de 158.745.502 aptos a votar, o que dá 78,92% de comparecimento. A abstenção foi de 21,08%: 33.469.244 pessoas não votaram no domingo. A revista Americas Quarterly registrou que essa abstenção foi a mais alta desde 1998. Os votos em branco somaram 2.300.798 e os nulos, 3.674.249.
O resultado contrariou as últimas pesquisas. Segundo a MercoPress, o Datafolha divulgado no sábado, 3 de outubro, dava vantagem a Lula, e Flávio liderou a contagem do TSE do começo ao fim da apuração.
O tamanho do PL no Congresso
O 1º turno também definiu a composição do Congresso a partir de 2027. O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, a maior bancada da Câmara, contra 70 do PT, segundo a Al Jazeera. No Senado, o partido terá 28 das 81 cadeiras, também a maior bancada da Casa, de acordo com a Americas Quarterly.
Para os analistas que comentaram o resultado na Americas Quarterly, a configuração do novo Congresso pesa na disputa e no governo que vier depois dela. Parte deles avalia que um Legislativo com predominância de centro-direita dá a Flávio mais margem para levar adiante a agenda dele. Um dos analistas pondera que o Congresso ganhou independência em relação ao Executivo nos últimos anos e que os partidos de centro-direita não têm unidade de propósito, o que exigiria negociação de qualquer presidente eleito.
A semana depois da urna
No domingo, em Brasília, Flávio disse a jornalistas: "O Brasil quer mudança, e estou muito feliz com os resultados", segundo a Al Jazeera. Lula falou em São Paulo logo depois. "Confesso que estava convencido de que ia ganhar a eleição no primeiro turno", afirmou, de acordo com a MercoPress. "Mas temos o segundo turno, e o segundo turno é o verdadeiro teste. Amanhã começamos uma nova campanha."
Na terça-feira, 6 de outubro, Ronaldo Caiado declarou apoio a Flávio no 2º turno, depois de se reunir com o candidato do PL e com o governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), que também anunciou apoio, informou o Diário do Nordeste. A declaração foi feita em um evento no comitê de campanha do MDB e de partidos aliados, em Goiânia. "Goiás vai dar a maior vitória ao Flávio Bolsonaro nessa eleição", disse Caiado. O PSD, partido dele, manteve a posição anunciada pelo presidente da sigla, Gilberto Kassab: cada diretório estadual, parlamentar e filiado tem liberdade para definir o apoio na eleição presidencial.
Na segunda-feira, 5 de outubro, Trump comentou o resultado. Segundo a agência Reuters, o presidente americano disse que a votação foi "apertada, mas uma vitória muito, muito grande. Incrível, na verdade". Na terça, Flávio afirmou em Brasília que a fala reforçava o que chamou de isolamento de Lula no cenário internacional e disse que "o mundo está ansioso por mudança no Brasil", também de acordo com a Reuters.
O primeiro Datafolha do 2º turno
Na quinta-feira, 8 de outubro, o Datafolha divulgou a primeira pesquisa da nova etapa, publicada pela Gazeta do Povo. Nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, Flávio aparece com 52% e Lula com 48%. Considerando os votos totais no cenário estimulado, os números são 49% para Flávio, 45% para Lula, 5% de branco, nulo ou nenhum e 1% de indecisos.
A Gazeta do Povo classificou o resultado como empate técnico no limite da margem de erro. O instituto entrevistou 2.520 eleitores na terça e na quarta-feira, 6 e 7 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo e está registrada no TSE sob o número BR-02949/2026.
O que os analistas apontam para 25 de outubro
Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo, disse à Al Jazeera que o cenário é difícil para Lula porque os candidatos que somaram quase 8% dos votos são, em grande parte, de centro-direita. "Ele precisa mudar as táticas de campanha e, acima de tudo, mobilizar uma parte significativa das pessoas que ficaram em casa", afirmou. Stuenkel também observou que, na política presidencial brasileira, "nenhum candidato que ficou em segundo no primeiro turno acabou vencendo a Presidência desde 1989".
Um dos analistas da Americas Quarterly escreveu que três semanas, na política brasileira, "equivalem a três séculos". A MercoPress aponta que o eleitorado dos candidatos derrotados e o tamanho da abstenção devem pesar no resultado.
Quem vota nos EUA volta às urnas só para presidente
O brasileiro que transferiu o domicílio eleitoral para o exterior vota exclusivamente para presidente e vice-presidente da República, regra prevista no Código Eleitoral e nas normas do TSE, segundo a Metrópoles. Por isso, nos EUA, a cédula do dia 25 terá apenas a disputa entre Flávio e Lula. A votação nas seções do exterior segue o horário local de cada país.
Quem tem título no exterior e não votou no dia 4 precisa justificar a ausência até 3 de dezembro. Para o 2º turno, o prazo de justificativa termina em 8 de janeiro de 2027.
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