No meu primeiro artigo para o Brazuca News, eu relatei o que vivi na gravidez. Tudo era novo: o pré-natal em outro país, as diferenças culturais e a ansiedade de me tornar mãe pela primeira vez longe do Brasil.
Hoje escrevo do outro lado dessa experiência.
Minha filha, Mia, chegou e, com ela, vieram aprendizados que nenhum livro ou curso poderia ensinar. Descobri que a maternidade é tão transformadora quanto desafiadora, mas também aprendi que cada história é única.
A minha, por exemplo, foi marcada por dois grandes privilégios.
O primeiro deles foi ter minha mãe ao meu lado durante os primeiros meses da Mia. Sei que essa não é a realidade da maioria das mães imigrantes. Muitas vivem o puerpério sem a presença da família, enfrentando noites difíceis, consultas médicas, tarefas da casa e a saudade de quem ficou no Brasil.
Ter minha mãe aqui significou muito mais do que ajuda prática. Significou colo quando eu precisava descansar, alguém para preparar uma refeição, segurar a bebê por alguns minutos ou simplesmente me lembrar de cuidar de mim também. Foi um apoio emocional que fez toda a diferença em um momento de tantas mudanças.
O segundo privilégio foi a própria Mia. Desde os primeiros meses, ela sempre foi uma bebê muito tranquila, especialmente em relação ao sono. Conversando com outras mães, percebo que essa também não é a realidade da maioria das famílias. Existem bebês que acordam diversas vezes durante a noite, que enfrentam cólicas intensas ou têm dificuldade para dormir por longos períodos.
Essas duas experiências me ensinaram algo muito importante: nem sempre conseguimos comparar maternidades, aliás não devemos comparar maternidades.
Às vezes, vemos alguém aparentemente dando conta de tudo sem imaginar quais apoios existem por trás daquela rotina. Da mesma forma, mães que enfrentam desafios maiores não estão fazendo algo errado. Cada bebê é único, cada família tem sua realidade e cada mulher vive uma maternidade diferente.
Mesmo com todo o apoio que recebi, ainda houve dias de insegurança, cansaço e dúvidas. Afinal, ser mãe é aprender todos os dias. Isso me fez pensar em quantas mulheres passam por essa fase completamente sozinhas, tentando equilibrar a maternidade, o trabalho, a casa e a distância da família.
Foi aí que compreendi, de forma ainda mais profunda, o verdadeiro significado da rede de apoio.
Ela não precisa ser composta apenas pela família. Muitas vezes, ela nasce das amizades que construímos, das outras mães que conhecemos no parque, dos grupos da biblioteca, dos vizinhos dispostos a ajudar ou da comunidade que escolhemos construir ao nosso redor.
Como educadora parental, sempre falei sobre a importância das relações no desenvolvimento infantil. Hoje entendo, na prática, que essas relações também são fundamentais para quem cuida.
Quando uma mãe se sente acolhida, ela encontra mais espaço para cuidar de si e, consequentemente, cuidar melhor do seu filho.
Se você está vivendo a maternidade longe do Brasil, quero deixar uma mensagem: não tenha medo de pedir ajuda. Criar uma criança nunca foi uma responsabilidade para uma pessoa só. Durante séculos, famílias e comunidades dividiram esse cuidado. Talvez hoje nossa rede seja diferente, mas ela continua sendo essencial.
Se você, assim como eu, tem o privilégio de contar com alguém ao seu lado, valorize esse apoio. E, se conhece uma mãe que está enfrentando essa jornada sozinha, talvez um café, uma mensagem, uma refeição ou algumas horas de companhia possam fazer mais diferença do que você imagina.
A maternidade me ensinou muitas coisas, mas talvez a principal delas seja esta: ninguém deveria precisar atravessar essa fase sozinho.
Independentemente do país onde vivemos, toda mãe merece uma rede de apoio. Porque quando cuidamos de uma mãe, também estamos cuidando de uma criança e, no fim das contas, de toda uma comunidade.
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